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Crítica

Rise of the Black Panther #1 | Crítica

Minissérie da origem de T'Challa peca na ação mas dialoga bem com a série de Ta-Nehisi Coates

Marcelo Hessel
11.01.2018
16h45
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

A pouco mais de um mês para a estreia de Pantera Negra nos cinemas, a Marvel Comics faz o serviço padrão e lança uma HQ para apresentar o seu super-herói a novos leitores. A julgar pela recém-lançada primeira edição de Rise of the Black Panther, porém, a minissérie está longe de ser apenas um caça-níquel e se esforça para dialogar com a elogiada série mensal do Pantera, que já se prova longeva depois de duas dezenas de edições, iniciadas em 2016.

Roteirista da série mensal, o ensaísta e jornalista Ta-Nehisi Coates supervisiona a minissérie que conta a origem de T'Challa, e escreve os roteiros em parceria com um estreante nos quadrinhos, Evan Narcisse, anteriormente conhecido por escrever sobre quadrinhos no site io9. Serão seis edições ao todo, que contam os primeiros dias de T'Challa como regente de Wakanda; na primeira edição, que conta panaromicamente eventos do passado, com alguns saltos temporais, T'Challa nasce e já na infância vê o seu pai ser morto diante de si. Rise of the Black Panther lida, portanto, com a herança do "rei órfão" em seus anos de formação.

Curiosamente, temos já nessa primeira edição mais aparições de Vingadores e personagens "estrangeiros" do Universo Marvel do que se esperaria - uma concessão feita para os espectadores do Universo Marvel do cinema que não prejudica o desenrolar da história. Na verdade, a amarração feita para ligar o passado e o presente de Wakanda ao mundo dos Vingadores e à exploração do vibranium faz sentido num painel mais amplo: painel esse que resultará nas escolhas de T'Challa de defender o mundo como um Vingador ao invés de ser apenas o protetor de Wakanda, escolhas essas que estão na raiz dos conflitos que ele encarou na série solo, nas mãos de Coates.

Embora Narcisse leve os louros pela minissérie, a HQ transpira o estilo de recordatórios volumosos e os temas que são caros a Coates. Autor que ficou famoso por um livro em que escreve uma carta para seu filho, ele valoriza acima de tudo a noção de narrativa passada de geração para geração, e isso é central à série mensal. No caso de Rise..., então, faz todo o sentido que a minissérie sobre a origem do Pantera Negra comece não com T'Challa mas com uma breve história de seu avô, primeiro, e depois com o encontro dos seus pais. O fardo do herdeiro órfão, o peso da coroa, começa a se desenhar aí.

Embora a HQ ofereça um conteúdo de substância - acompanhamos um momento de transição, da Wakanda que guerreava para a nação que unificou suas tribos e iniciou um período de paz e prosperidade, e isso tem bastante potencial dramático - a ação não é particularmente notável. Ela ocorre de forma mecânica para cumprir viradas de roteiro (como o obrigatório enfrentamento com o Garra Sônica que definiu o destino de T'Challa) e os desenhos de Paul Renaud não são bem resolvidos espacialmente.

De qualquer forma, Rise of the Black Panther começa interessante, e funciona como um apêndice da série principal, com a qual dialoga não só em estilo, mas também nas participação de personagens importantes do arco de Coates na série principal, como Changamire. Para os leitores novos, esta primeira edição se oferece mais como introdução ao universo de Wakanda (e seu tema central, o protecionismo) do que como uma apresentação dos Panteras Negras (o que deve ocorrer nos números seguintes) - afinal, não há Pantera Negra sem o contexto dos costumes e da história de Wakanda.

Nota do Crítico
Bom