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Re: Zero | Crítica

Franquia de sucesso, Re:Zero chega ao Brasil como um mangá divertido e empolgante

Gabriel Avila
04.06.2018
18h45
Atualizada em
05.06.2018
18h03
Atualizada em 05.06.2018 às 18h03

Em 2016 estreava o anime Re:Zero, uma grata surpresa que figurou em muitas listas de melhores animações daquele ano. Personagens carismáticos e cenários fantásticos, combinados a um texto que zomba dos clichês do gênero fantasia, construíam uma trama que conquistou fãs pelo mundo todo. O anime, disponível pelo Crunchyroll, é uma adaptação de uma série de Light Novels, romances ilustrados voltados ao público jovem, publicados no Brasil pela New Pop. A franquia também ganhou uma versão em mangás, que chega agora ao país pela Editora Panini.

Re:Zero acompanha Subaru Natsuki, um adolescente comum que subitamente se vê transportado para um outro mundo. Indiferente a esse incidente incomum, o garoto acaba acidentalmente cruzando o caminho de uma meia-elfa que teve um importante pertence roubado. Com a missão de fazer um ato de bondade por dia, o garoto decide ajudá-la a recuperar esse misterioso objeto. No meio do caminho ele morre, mas volta ao início do dia, com a oportunidade de fazer direito dessa vez.

Misturando humor e metalinguagem, a obra acerta em cheio seu público-alvo. Ao se ver em um mundo de fantasia, Subaru reúne todos os seus conhecimentos sobre histórias com esse mesmo tema, e passa a agir com a consciência que de fato é o personagem em uma história fantástica. Apontando clichês da ficção e brincando com convenções de tramas semelhantes, o personagem fala diretamente com um público que tem a mesma bagagem cultural.

Apesar de pensado para um público infanto-juvenil, o mangá peca em não confiar em seus leitores. É comum que informações sejam repetidas a exaustão, tornando-se redundantes. A dinâmica de Subaru com a nova realidade é simples, porém levam-se capítulos inteiros para reforçar como as coisas funcionam. Essa repetição excessiva irrita por duvidar de que os leitores serão capazes de chegar a conclusões sozinhos.

A arte do mangá fica por conta de Daichi Matsuse, que entende a proposta e dá um ritmo dinâmico a história. O cenário fantástico é bem construído, remetendo a outros universos fantásticos, que entre suas tendas e vielas se junta ao tipo de clichê de que o protagonista tanto caçoa. Apesar do design dos personagens ficar por conta de Shinichirou Otsuka, artista da Light Novel, Daichi retrata os visuais com riqueza e trás cenas fluidas, que mesmo sendo carregadas de ação, não confundem o leitor.

Os dois primeiros volumes de Re:Zero fecham o primeiro arco, chamado “Um dia na capital”, mas a jornada de Subaru continua nos próximos números, que serão publicados bimestralmente.

Nota do Crítico
Ótimo