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Crítica

Quadrinhos A2 | Crítica

Conheça a ótima produção independente de Cristina Eiko e Paulo Crumbim

Érico Assis
10.01.2013, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H51
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 14H51

Scott Pilgrim fez escola.

quadrinhos a2

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Ok, reduzir Quadrinhos A2 a uma comparação com Scott Pilgrim é bastante reducionista. As HQs do casal paulista Cristina Eiko / Paulo Crumbim bebem em milhares de outras referências. Algumas são citadas na página, outra ficam de wink wink para os leitores ligados. O que interessa é que, desta mistura, sai uma HQ única.

Eiko e Crumbim trabalham com animação e ilustração. Fazem os quadrinhos nas horas vagas. Às vezes passam a sensação de que a HQ é válvula de escape para a vida puxada de "frila" - mesmo que não falem de trabalho. Falam do resto da vida, incluindo as viagens pelo Brasil, a adoção de um daschshund (o Pino, na capa da edição 2) e de outras tensões inomináveis do cotidiano, como o compromisso ético de pular as sete ondas no reveillon.

É aí que entram as Scott Pilgrimices. Assim como nas HQs de Bryan Lee O'Malley, a vida real é invadida pela realidade-hiper dos games, dos mangás, dos animes. Uma viagem de táxi que demora demais pode ser a descida ao inferno. Um encontro com os amigos é como super-sentai formando robô gigante. Momentos de vergonha existencial fazem os personagens ganharem versões super-deformed.

O objetivo maior é humor. O casal tem um apurado senso de ridículo quanto aos mínimos probleminhas do cotidiano e sabem explorá-los com uma técnica igualmente apurada. O desenho varia da superestilização até um quase realismo e às vezes ainda descamba para o impressionismo, fiel ao que se quer de cada cena.

Neste mesmo sentido, é impossível não notar que a edição independente é, em termos gráficos, tão caprichada quanto se viesse de uma editora. A produção é toda do casal.

Quadrinhos A2 só peca, em alguns momentos, pelo excesso. Uma história cujo objetivo era contar a visita do casal ao FIQ 2011 dá mais espaço aos já citados problemas com taxistas e a uma viagem anterior do casal a Minas Gerais - misturando histórias dentro de histórias dentro de histórias - e parece que se perde a intenção.

Quase todas as HQs que saem nas edições impressas estiveram antes na internet. O site infelizmente não traz mais o que já foi publicado em papel, mas já começou a publicar HQs que devem ficar para o terceiro volume impresso. Para quem só está conhecendo agora, também valeria a pena uma reimpressão do primeiro volume, tão divertido quanto este segundo.

Compre aqui (180 páginas, 13,5 x 19 cm, p&b)

Nota do Crítico
Bom

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