O Diário de Anne Frank em quadrinhos | Crítica

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O Diário de Anne Frank em quadrinhos | Crítica

HQ é um ótimo complemento para o livro e pode ser porta de entrada para história

Fábio de Souza Gomes
18.10.2017
17h54
Atualizada em
18.10.2017
21h03
Atualizada em 18.10.2017 às 21h03

O Diário de Anne Frank é um dos livros mais importantes da história. A transposição de uma obra dessa importância para os quadrinhos precisava ser feito com muito cuidado e o trabalho de Ari Folman e David Polonsky não poderia ter sido feito de melhor maneira. Os autores buscaram criar imagens que representam os medos, angústias e a visão poética da garota sobre o mundo, criando uma HQ que funciona como um complemento para história.

Assim como o livro, a HQ mostra Anne e sua família, que permaneceram escondidos durante a Segunda Guerra Mundial por dois anos (de junho de 1942 até agosto de 1944) até o dia que foram denunciados e deportados. No local, a jovem escreveu seu famoso diário, uma das obras mais lidas no mundo, traduzido para 67 idiomas e com 30 milhões de exemplares vendidos. Anne Frank morreu de tifo no início de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, poucos dias depois de sua irmã.

Por conta do tamanho da publicação original, a história precisou ser condensada e os autores explicam que cada trinta páginas da obra foram transformadas em dez. Porém, muitas delas funcionam tão bem quanto o livro, como por exemplo o momento onde ela descreve onde fica o anexo secreto - que conta com um pequeno mapa detalhando cada cômodo do local. As constantes comparações com sua irmã “perfeita” viraram uma única página sem diálogos, onde Anne aparece brigando, chorando e reclamando enquanto sua irmã sorri, ajuda na casa e recebe afeto dos outros.

As diferenças entre a vida no anexo em comparação com o mundo exterior ficam ainda mais claras na HQ. O mundo de Anne é colorido, imagético e, apesar de todos os percalços, cheio de vida; enquanto o mundo dominado pelos nazistas é tratado com cores escuras, frias e sombrias. Um contraste honesto, que deixa a narrativa ainda mais pesada.

A força dos desenhos fica ainda mais clara em alguns momentos. Dois que merecem ser lembrados envolvem as fantasias da garota: a primeira é sobre o livro que Anne sonhava em escrever, o Madame van Daan. Esse é um dos poucos momento em que os autores tentam imaginar como ela desenharia, criando traços mais infantis e em preto e branco. Além dele, o momento onde Anne fala sobre suas atrizes favoritas Polonsky deu um toque especial e colocou o rosto de Anne em Bette Davis, Katharine Hepburn e Ingrid Bergman. O desenhista teve liberdade para criar e, por isso, utilizou pinturas clássicas como referência em diversas páginas e conseguiu transpor muito bem as fantasias da garota. 

Como são muitas páginas para serem adaptadas, algumas delas acabam virando texto corrido – como se fosse o próprio livro. Para novos fãs, essas partes podem causar estranheza e, em alguns momentos, ficam cansativas em relação ao tom dinâmico da publicação.  

O Diário de Anne Frank em Quadrinhos, que no Brasil foi publicado pela Record, é tão importante quanto o livro. A adaptação foi feita com o cuidado necessário para atingir um novo público e consegue conquistar jovens leitores com facilidade. Porém, para fãs antigos, ele é um complemento necessário que deixa a história ainda mais viva e nos lembra o quanto o livro é apaixonante. 

Nota do Crítico
Ótimo