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Crítica

Marvel Legacy #1 | Crítica

Reapresentação dos maiores heróis da casa se destaca pela vitrine de desenhistas

Marcelo Hessel
02.10.2017
17h09
Atualizada em
29.06.2018
02h42
Atualizada em 29.06.2018 às 02h42

Edições especiais dedicadas a começar uma nova fase editorial não diferem muito na Marvel Comics e na DC Comics. A exemplo do que vimos com DC Universe Rebirth #1 em maio do ano passado, Marvel Legacy #1 amarra livremente subtramas distintas e aparentemente sem conexão, para reapresentar ao leitor o status quo dos principais personagens da casa. Essas revistas que servem como uma grande introdução de novas histórias nunca têm uma pretensão de serem autônomas, e no caso de Marvel Legacy #1 a edição funciona mais como vitrine de desenhistas do que como narrativa autocontida.

Na comparação, DC Universe Rebirth #1 era mais consistente no seu panorama que desembocou, no clímax, levando à sugestão da presença de Watchmen no Universo regular. Já Marvel Legacy #1 usa como justificativa de amarração a presença de um celestial na Terra como mote de uma trama que não deve afetar tanto assim suas séries; a HQ, sim, se organiza num crescendo de revelações que empolgam aos poucos - desde o começo da viagem do Capitão América pelas estradas dos EUA até a volta de Wolverine e do Quarteto Fantástico - e que se consumarão nos títulos individuais.

É curioso que a Marvel use para justificar suas franquias de personagens - "dá pra fazer agora uma equipe só de Thors e Hulks", comenta Johnny Storm - uma noção mística, ancestral, de que os mantos dos heróis são na verdade como recipientes de entidades que passam de geração a geração. Cada editora justifica suas decisões como pode, mas é difícil saber como essa premissa do "hospedeiro derradeiro" (expressão que o celestial repete na HQ) vai ser aproveitada de fato no Universo Marvel nesta nova fase, se é que vai mesmo. No momento parece mais uma desculpa: o "legado" transformado numa questão dentro das histórias para dar a ele uma importância insuspeita. De resto, essa edição especial não prima pelas sutilezas de metalinguagem (como quando Tocha Humana e Coisa reclamam que todos já se esqueceram do Quarteto).

O que se destaca mesmo - e nesse ponto a HQ da Marvel bate a do Renascimento da DC (editora que ironicamente hoje promete privilegiar o trabalho de desenhistas com seu novo selo "artístico") - é o trabalho dos desenhistas. Esad Ribic nunca decepciona (seus Vingadores da pré-história trazem à memória os grandes desenhos de Ribic em Guerras Secretas), podemos ver em Legacy #1 os primeiros quadros de Chris Samnee com o Capitão (fase capitaneada por Mark Waid em Captain America que promete bastante), e as páginas sempre muito bem colorizadas de Russell Dauterman com Thor ganha vida na arte, assim como a breve página em que Deadpool aparece no traço inspirado de Ed McGuinness.

No geral, Marvel Legacy #1 transcorre meio aos trancos com uma narrativa bem picada, emendada pela narração autoimportante nos recordatórios, mas se existe algo que realmente empolga nessa nova fase da editora não é necessariamente a volta de personagens queridos mas sim a expectativa de continuar vendo histórias muito bem desenhadas por alguns dos melhores artistas em atividade hoje na indústria.

Nota do Crítico
Bom