Invasão!

Créditos da imagem: DC/Panini/Divulgação

HQ/Livros

Crítica

Invasão!

HQ não resite ao teste do tempo e soa datada apesar de contar com um grande trabalho de arte

Gabriel Avila
31.08.2018
18h35

Na ficção, é comum que a Terra seja alvo de ameaças alienígenas, com diversos livros, filmes e séries dedicados a explorar o tema. Nos quadrinhos não poderia ser muito diferente, especialmente quando as grandes editoras têm uma vasta gama de heróis e vilões vindos de outros planetas. Em 1989, o Universo DC virou o foco de outro desses ataques, em uma saga com o sugestivo nome de Invasão!. A história, que em 2016 serviu de base para o crossover do “Arrowverso”, ganha republicação no Brasil pela Editora Panini.

Estudando as razões para o aparecimento de tantos meta-humanos na Terra, a raça alienígena Domínion decide que o planeta é uma ameaça e que sua eliminação vai garantir a paz no universo. Fazendo uma aliança com diversos outros povos, os Domínions formam um grande exército e partem para o ataque em escala global.

Mesmo com o clima de guerra galática, o arco de Invasão! não resiste ao teste do tempo e se mostra datado. Com esboços de Keith Giffen e roteiro de Bill Mantlo, a trama se torna confusa ao mexer diversas peças e desenvolver poucas delas. Em grandes sagas é comum o uso de “tie-ins”, que são histórias derivadas ligadas à história principal, e Invasão! teve repercussão em mais de 30 títulos, de Flash a Monstro do Pântano. Ao depender de outras revistas, a trama principal não se sustenta, deixando uma série de buracos. Não são raros os personagens que inicialmente têm grande importância e somem sem nenhum tipo de explicação, além de eventos importantes mencionados brevemente sem profundidade.

O roteiro de Mantlo, conhecido por seu trabalho na Marvel, não encontra uma dinâmica e se perde em um texto excessivamente expositivo. O quadrinho demonstra grande potencial em seu início, quando a aliança alienígena se forma e traça planos para neutralizar os heróis, mas a empolgação inicial é freada por diálogos cansativos. A partir daí o ritmo passa a intercalar reviravoltas interessantes e falatório massante.

O ponto alto do quadrinho está na arte. Com lápis do próprio Keith Giffen, Bart Sears e um então jovem Todd McFarlane, o quadrinho apresenta um traço que, embora traga marcas de sua época, não soa datado. Cheia de experimentação em sua narrativa, a Invasão! é visualmente impressionante, retratando prisões espaciais e lutas catastróficas com riquíssimos detalhes. Os desenhistas trabalham em unidade, mantendo o alto nível, com destaque para McFarlane, que anos depois estouraria na revista do Homem-Aranha.

Embora tenha servido como ponto de partida para histórias marcantes do cânone da DC, como a aclamada fase de Grant Morrison no comando da Patrulha do Destino, Invasão! foi mais um evento que marcou época do que um grande arco histórico. Sua força se perde em tramas paralelas, desperdiçando uma premissa interessante e a chance de chegar a uma nova geração.

Nota do Crítico
Regular