HQ/Livros

Crítica

Guardiões do Louvre | Crítica

Mangá homenageia o museu com uma trama simples e arte soberba

Gabriel Avila
22.05.2018
18h35
Atualizada em
24.05.2018
03h04
Atualizada em 24.05.2018 às 03h04

O museu do Louvre é um dos maiores do mundo e, além de abrigar obras como a Mona Lisa, conta com uma editora própria que publica livros didáticos e também obras de ficção sobre a instituição. Dentre elas está Guardiões do Louvre, um mangá que homenageia o museu com uma trama simples e arte soberba.

A história acompanha um estudante de artes que aproveita uma folga para visitar o Louvre. Ao chegar em Paris, o rapaz começa a ter febres e até mesmo delirar, mas decide realizar a visita mesmo assim. Lá ele encontra os Guardiões do Louvre, espíritos de obras e autores que habitam o local. O mangá é escrito e desenhado por Jiro Taniguchi, e é clara sua inspiração em quadrinhos europeus. Geralmente com um tamanho de página maior do que HQs comuns, os chamados “europeus” utilizam esse formato amplo para investir na arte, tendo mais espaço para trabalhar grandiosas paisagens ou mínimos detalhes. E, por ser pensado para o público do museu, Guardiões do Louvre trás em seu formato maior um trabalho artístico fora do comum.

Quando se fala em mangás é comum pensar primeiro em lutas grandiosas ou sequências de ação, mas Guardiões do Louvre não segue essa linha. A narrativa é contemplativa, apresentando o espaço e alguns episódios ligados a sua história, como a transferência dos objetos do museu durante a Segunda Guerra Mundial para que as obras não caíssem nas mãos do exército alemão. Taniguchi trabalha cada página com esmero, utilizando essa premissa a seu favor. A trama presta reverência à arte, tratando as obras com respeito e admiração, e o passeio pelo ambiente impressiona pela riqueza de detalhes e pelo olhar apaixonado que o autor transmite em cada página. Perspectivas onde a bela arquitetura do lugar é retratada são intercaladas com a recriação de quadros e estátuas presentes. Indo além do museu, o protagonista encontra os artistas e conhece os locais que serviram de inspiração para os quadros.

Por se tratar de uma história curta, centrada apenas ao museu, Taniguchi coloca seu protagonista de lado. É clara a intenção do autor de focar na importância do espaço e seus pertences, porém, a falta de características marcantes ou contexto fazem com que o protagonista seja um mero espectador nessa viagem por episódios relevantes na história da arte.

Com um visual deslumbrante, Guardiões do Louvre é uma fábula que celebra uma das maiores casas de arte do mundo. O mangá de 136 páginas chegou ao Brasil no fim de abril, lançado pela editora Pipoca & Nanquim em seu formato original, sendo assim o maior já publicado no país.

Nota do Crítico
Ótimo