Grama

Créditos da imagem: Pipoca & Nanquim/Divulgação

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HQ sul-coreana mostra uma das atrocidades dos japoneses na 2ª Guerra Mundial: escravas sexuais

Marcelo Forlani
06.10.2020
09h20

Há uns dois anos tive a chance de visitar o Japão com a minha família. Foi uma das melhores viagens que já fiz na vida. O país te passa o tempo todo um sentimento bom, de que tudo vai dar certo. As visitas aos templos emanam uma paz de espírito, as pessoas são solícitas, não há aquele sentimento constante em qualquer outra viagem de que alguém está tentando passar a perna em você, seja na hora de trocar dinheiro, pedir uma informação ou comprar alguma lembrancinha com “imposto de turista”.

O Japão se apresenta ao visitante como a sociedade que deu certo. Há uma boa distribuição de renda, transporte público para todos e inúmeros casos (só eu vi um e ouvi outros dois) de bens perdidos e devolvidos aos seus donos (incluindo carteiras com dinheiro e malas com passaportes).

Mas se você perguntar a um cidadão de algum país vizinho ao Japão, as chances de ouvir palavras mais duras são bem grandes. Principalmente se estivermos falando com alguém mais velho. É o caso de Ok-sun Lee, uma sul-coreana que foi vendida como escrava sexual durante a Segunda Guerra Mundial e viveu na China servindo aos soldados japoneses em “casas de conforto”, eufemismo para prostíbulos.

Quem conta a história de Ok-sun Lee é a quadrinista Keum Suk Gendry-Kim. Ela viajava horas até uma casa de repouso onde residiam várias “vovozinhas”. E assim, visita após visita, ela ia descobrindo mais sobre a história desta menina que vivia no campo durante os anos 1930 e cujo único sonho naquele momento era poder ir à escola, como seu irmão. Por não ter nascido com pênis, porém, não podia. Ficava restrita a cuidar do irmão caçula.

As mais de 500 páginas do livro, lançado aqui pela editora Pipoca & Nanquim, poupam os leitores do realismo gráfico do que aconteceu com as meninas, mas deixa bem claro que o sofrimento não tinha fim. Não é à toa que Ok-sun Lee, que ficou conhecida pelo seu ativismo, aparece em diversos trechos da obra cobrando do governo japonês medidas de retratação histórica e financeira pelos danos causado a ela e milhares de outras pessoas que sofreram nas mãos dos nipônicos durante a Guerra do Pacífico.

Os quadrinhos, que já retrataram o sofrimento do Holocausto em Maus, de Art Spiegelman, e da Bomba Atômica de Hiroshima em Gen - Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, mostram agora mais um triste retrato do que a humanidade produziu durante a Segunda Guerra Mundial.

Voltando agora à minha viagem ao Japão. Passei por Hiroshima e por lá visitei o Museu da Paz erguido na cidade, onde li um depoimentos mais ou menos assim: não guardamos mágoas dos EUA. Isso levaria a mais guerras e mortes. Queremos a paz.

Nota do Crítico
Ótimo

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