Elric - O Trono de Rubi | Crítica

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Elric - O Trono de Rubi | Crítica

Com páginas que parecem terem sido tiradas de um filme, HQ é fundamental aos fãs de fantasia e é uma das melhores adaptações da obra de Michael Moorcock

Fábio de Souza Gomes
09.01.2018
23h40
Atualizada em
10.01.2018
17h09
Atualizada em 10.01.2018 às 17h09

O trabalho de Michael Moorcock já ganhou diversas adaptações para os quadrinhos, mas nenhuma é tão épica quanto o trabalho do roteirista Julien Blondel junto a um grupo de desenhistas em Elric – O Trono de Rubi, adaptação que foi recentemente lançada no Brasil pela Mythos Editora em uma edição especial com os dois primeiros volumes, O Trono de Rubi Stormbringer.

A história se passa no reino de Melniboné, com grande parte da ação na cidade de Immryr. Lá encontramos Elric, o Rei Albino que tem seu trono desafiado por seu primo Yrkoon por conta de sua passividade em relação as guerras. Além de todos os perigos e armadilhas, ambos terão de lidar com as manipulações de Arioch, Senhor do Caos e o Duque dos Infernos Abissais.

Blondel criou uma obra que parece contemporânea ao mesmo tempo que respeita as histórias de Moorcock, que criou os personagens no início da década de 60. Para conseguir tal feito, o novo roteirista adaptou alguns detalhes da história com a benção do autor original – que chegou a afirmar que gostaria de ter pensado em algumas ideias apresentadas pelo francês. Contudo, o verdadeiro mérito da obra foi manter a essência dos personagens principais, desde a personalidade dominadora de Yrkoon, passando pelo poder de sedução de Cymoril, a fidelidade de Dyvim Tvar e especialmente o fato de Elric ser um anti-herói.  

Em nenhum momento o Rei Albino tenta ser algo que não é. Ele faz acordo com Deuses para recuperar a vida de sua amada, destrói monstros para encontrá-la e queima uma vila pois duas crianças não sabiam quem ele era. Ele é um ser cruel, egoísta e que não vai parar até encontrar o que deseja. A cada página vemos a queda do monarca em desenhos que ficam cada vez mais fantásticos.

Não é nenhum absurdo dizer que esse é um dos quadrinhos mais belos de todos os tempos. Os desenhos, que contam com um grupo formado por Didier PoliRobin RechtJean Batisde Julien Telo, deixaram Melniboné literalmente gigantesca. O senso de profundidade desta HQ pode ser vista a cada página, seja no palácio onde está o Trono de Rubi até os mares onde Elric precisa navegar para encontrar Yrkoon. Acima de tudo, o grupo deixa um lugar apavorante como é Melniboné extremamente fascinante. A HQ é repleta de sangue, sexo e destruição e os desenhos são tão precisos que tudo isso não fica banalizado e soma à história, reforçando as características dos personagens principais.

O formato publicado pela Mythos em sua Gold Edition, que imprimiu o quadrinho em formato europeu de 24 x 32 cm (uma HQ nos padrões atuais conta com normalmente 17x26 cm), ajuda na imersão da história. As páginas grandes permitem ao leitor perceber cada detalhe do desenho sem perder nada e torna a experiência ainda mais impressionante. 

A adaptação é perfeita tanto para quem conhece os livros de Michael Moorcock e também para qualquer pessoa que nunca ouviu falar na história. Elric – O Trono de Rubi é uma ótima forma de ser apresentado a este mundo e o tratamento das páginas, que parecem terem sido tiradas de um filme, torna essa HQ fundamental para qualquer fã de fantasia. 

Nota do Crítico
Excelente!