HQ/Livros

Crítica

Belas Maldições

Publicação é um dos melhores trabalhos do autor (e também um dos mais engraçados)

Fábio de Souza Gomes
25.09.2017
17h51
Atualizada em
04.10.2018
15h55
Atualizada em 04.10.2018 às 15h55

Depois do sucesso de Deuses Americanos, a Amazon logo confirmou a adaptação de um outro livro clássico de Neil Gaiman: Belas Maldições, publicação que o autor escreveu ao lado do amigo Terry Pratchett. Recheado de humor, críticas sociais e metáforas, o livro é um prato cheio para fãs de ficção, fantasia e de comédia. 

A história é muito “simples” e envolve o fim do mundo. Na trama, Aziraphale, emissário do Céu, e seu colega, o demônio Crowley, vivem na terra desde a época de Adão e Eva. Um dia, o inferno envia para Crowley o anticristo – um bebê que, assim que completar 11 anos, deverá iniciar a guerra final entre o Paraíso e o Inferno. Após uma confusão na maternidade de freiras satanistas, ele acaba perdendo a criança e deve encontrá-la antes que o mundo (que segundo eles não é um lugar tão ruim de se viver) acabe. A única salvação pode ser o livro As Belas e Precisas Profecias da bruxa Agnes Nutter, que previu tudo isso.

O livro é extremamente imagético. Apesar de não escreverem esmiuçando detalhes, os autores conseguem passar imagens muito vivas em seu texto recheado de humor que, apesar de ter sido escrito no início dos anos 90, segue muito atual. Um dos exemplos está logo no começo da publicação, quando Crowley se encontra com dois demônios mais velhos que passam anos tentando corromper uma alma, enquanto ele corrompeu várias ao travar o serviço de celular por uma hora.

Um dos grandes detalhes do livro são as notinhas, colocadas no final de algumas páginas que dão ainda mais cor para história. São detalhes sobre o passado ou o futuro e são um artificio fantástico da publicação que dificilmente será transposto com tanta agilidade para série – em um deles, por exemplo, o texto revela que Aziraphale é o único com uma versão da Bíblia sem edição onde revela como ele acabou “perdendo” sua espada de fogo.

Os autores ainda brincam com os quatro cavaleiros do apocalipse, que viram versões modernas das previsões do passado. Fome vira um guru da dieta e tem livros aclamados ao redor do mundo; Guerra vira uma vendedora de armas e, mais tarde, uma jornalista de sucesso; Poluição (que substituiu o aposentado Peste) é um homem que passa despercebido em cada desastre recente; e Morte é aquele que está em todos os lugares ao mesmo tempo. Ao invés de cavalos eles usam motos e estão totalmente conectados e atualizados com o mundo moderno, ressaltamos como os humanos admiram e vivem tranquilamente com o que há de pior. 

A série tem tudo para ser uma das melhores adaptações do trabalho de Neil Gaiman – que será roteirista e showrunner do programa. O autor divulgou recentemente o visual de David Tennant como Crowley e Michael Sheen como Aziraphale e ambos estão perfeitos nos papéis principais. O elenco ainda contará com Jack Whitehall como o caçador de bruxas Newton Pulsifer, Michael McKean como o sargento Shadwell (líder do exército de caçador de bruxas) e Miranda Richardson como madame Tracy, uma médium que é fundamental na ajuda do anjo e do demônio para salvar o mundo.

Acima de tudo, o livro – que no Brasil foi relançado recentemente pela Bertrand Brasil - fala sobre como ser bom, mal e as dificuldades de ser humano (que são muito mais complexos que anjos e demônios). É um livro essencial e que vai deixar quem é fã de Gaiman e Pratchett ainda mais ansioso pela série, além de ser um dos trabalhos mais bem humorados dos dois. Simplesmente imperdível.  

Nota do Crítico
Excelente!