Battle Angel Alita

Créditos da imagem: Divulgação/Editora JBC

HQ/Livros

Crítica

Battle Angel Alita

Mangá é destaque na carreira de Yukito Kishiro

Gabriel Avila
12.02.2019, às 11H12

A onda de obras cyberpunk publicadas no Brasil ganhou um nome de peso com o relançamento de Battle Angel Alita. Com um ritmo frenético e arte magnífica, o mangá é considerado um clássico do gênero ao apresentar uma emocionante história repleta de ação. Lançado originalmente em 1990 no Japão sob o título de Gunnm, Alita volta ao país em boa hora, pois uma adaptação produzida por James Cameron com direção de Robert Rodriguez chega aos cinemas em fevereiro de 2019.

A trama gira em torno de Alita, uma misteriosa ciborgue sem memória que é resgatada de um ferro velho da Cidade da Sucata pelo Doutor Ido, que a remonta e passa a criá-la como uma filha. Sem se lembrar de sua vida até aquele momento, ela trás apenas instintos de combate, o que faz com que ela decida seguir a carreira de “Guerreira Caçadora”, uma espécie de caçador de recompensas. Além de combater o crime, a garota busca descobrir mais sobre si mesma, acreditando que as respostas podem estar em Zalem, a luxuosa cidade flutuante que paira acima de seu miserável lar.

O mangá é destaque na carreira de Yukito Kishiro, que desenvolve um enredo que não perde o fôlego ao longo de seus mais de 50 capítulos. A jornada de Alita passa pelos mais variados obstáculos, passeando entre intrigas políticas e leis da física. A história é dividida em arcos que se ligam de forma fluida, amarrados com naturalidade, o que garante a imersão e a curiosidade a cada dificuldade superada pela protagonista. Por vezes a repetição da estrutura dos acontecimentos chega a passar a sensação de previsibilidade, mas cada embate é importante para desenvolver um traço da protagonista, tornando Alita cativante.

O trabalho artístico é igualmente soberbo. Kishiro compõe cenários ricos em detalhes, dando identidade a cada paisagem, seja a utópica Zalem ou a podridão da Cidade da Sucata. O design de personagens também é feito com esmero e é nítido que o autor se divertiu ao dar vida a personagens tão ímpares e ao colocá-los em emocionantes sequências de ação. O melhor exemplo está no Motorball, esporte que une combates brutais a corridas em alta velocidade, um destaque que cabe perfeitamente na premissa da obra por trazer uma alta carga de adrenalina sem deixar o enredo principal de lado.

Com o status de clássico, o mangá se mostra pouco datado e convidativo a novos leitores mesmo quase 30 anos após sua publicação original. Ao lado de clássicos como Akira e Ghost in the Shell, Alita usa a liberdade criativa característica no gênero, misturando conceitos filosóficos ao imaginário tecnológico e apresenta um futuro visceral e fascinante.

Battle Angel Alita é um relançamento da Editora JBC já completo em quatro volumes.

Nota do Crítico
Ótimo

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