Asa Noturna Vol. 1 | Crítica

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Asa Noturna Vol. 1 | Crítica

Dick Grayson volta a ser o Asa Noturna em arco que mostra seu amadurecimento e a importância da "bat-família"

Fábio de Souza Gomes
06.10.2017
18h09
Atualizada em
06.10.2017
19h01
Atualizada em 06.10.2017 às 19h01

A Panini lançou recentemente no Brasil Asa Noturna Vol. 1, HQ que mostra Dick Grayson recuperando sua identidade secreta ao mesmo tempo que finge estar sob o domínio do Parlamento das Corujas para, assim, destruir a instituição de dentro. O quadrinho, que em sua versão nacional apresenta o primeiro arco completo, é um ótimo retorno do herói e, acima de tudo, é uma história de amadurecimento.

Desde que seus pais morreram, Grayson já foi o Robin, o Batman por um curto período e virou um superespião da agência Espiral. A importância de sua jornada fica clara desde o começo do quadrinho de Tim Seeley, Javier Fernández e Chris Sotomayor, mas mais importante que isso está a conexão com sua "bat-família" e com suas raízes do circo.

A história começa com o personagem retornando para Gotham City após abandonar a Espiral. De cara, vemos o herói tentando se conectar com Damian Wayne, a quem vê (e trata) como seu irmão mais novo. Ele leva o garoto para o fliperama, o ajuda a treinar contra o Batman e tentar dar pequenas dicas sobre como lidar com o Cavaleiro das Trevas – que surge como uma figura paterna não só para o novo Robin, mas também para Dick.

Esse Homem-Morcego aparece como um pai em uma encruzilhada: ele não sabe até que ponto deve ajudar o Asa Noturna e até onde deve deixá-lo livre para tomar as próprias decisões. Inicialmente, Bruce é contra o jovem voltar a assumir sua identidade secreta mas, assim que ele o faz, decide dar espaço para Dick tomar as próprias decisões (independentemente se elas estão certas ou erradas) sobre como derrubar o Parlamento das Corujas.

Essas relações familiares são o ponto forte da HQ. Acima de tudo, fica claro que os três sempre estarão ligados de alguma maneira e serve, inclusive, para mostrar um lado mais humano do Batman. O herói, normalmente seguro de suas ações, aparece com dúvidas sobre como lidar com o homem que considera como um filho mais velho.

O problema de Dick começa quando ele encontra Raptor, que logo se porta como um novo mentor. Ele desafia tudo o que o jovem aprendeu com o Batman sobre como lidar com criminosos e a proximidade com o ladrão (que foi posto pelo Parlamento em sua cola para ajuda-lo/vigia-lo) faz com que ele tome ações questionáveis, especialmente na visão da Batgirl, que pouco aparece e poderia ter seu relacionamento com o herói melhor explorado. Contudo, em suas poucas cenas, mostra muito bem o estado em que Dick se encontra.

O Raptor abala o elo do personagem com o Batman e reforça a conexão de Dick com o circo, mostrando suas ligações com a vida no picadeiro até os dias de hoje. Ao contrário do Homem-Morcego, o Asa Noturna sente-se confortável deixando Gotham para trás, prefere enxergar o lado bem humorado das suas aventuras e sempre precisa dar um “show”. Ao mesmo tempo que é interessante vermos a ligação do herói com sua antiga vida, é justamente isso que enfraquece o quadrinho em sua parte final. 

Quando o Raptor revela sua verdadeira identidade, que envolve justamente o passado do jovem na época que viajava com o circo, parece algo forçado e feito para simplesmente encerrar rapidamente o arco. Mesmo assim, o final deixa muito fã satisfeito pois há um momento muito simples e singelo entre o Asa Noturna e Bruce Wayne que mostra que, agora, Dick é um herói que não precisa de um tutor. Ele cresceu. 

Acima de tudo, a história é sobre o “primeiro emprego” de um jovem, como justamente comparou o roteirista Tim Seeley. Ser o Robin foi sua escola, se tornar um espião virou sua faculdade e, agora, ser o Asa Noturna por tempo integral é seu primeiro grande trabalho longe dos olhos do Homem-Morcego. Essa é uma bela forma de reintroduzir o personagem e a edição nacional é uma prova do que virá pela frente.

Nota do Crítico
Ótimo