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Coringa | Como o filme poderá usar de base HQs icônicas e clássicos de Martin Scorsese

Produtores querem usar Taxi Driver e Touro Indomável como inspiração para o longa solo do vilão

Fábio Gomes e Arthur Braga
23.08.2017, às 19:32
Atualizada em 18.07.2018, às 20:54
Atualizada em 18.07.2018, às 20:54

Um filme solo do Coringa parece arriscado. Recentemente, surgiu a notícia de que a Warner pretende realizar um longa focado somente no vilão e ele deve contar com a produção de Martin Scorsese e direção de Todd Phillips. Ainda não sabemos se o projeto contará com a participação do Batman – que tem papel fundamental nas diversas origens do personagem - e é difícil encontrar uma história onde o Homem-Morcego pouco apareça. Segundo informações do Deadline, um dos principais objetivos do filme situado no início dos anos 80 é mostrar um mundo mais realista e dois clássicos de Scorsese servirão como base para a produção, Táxi Driver e Touro Indomável. Pensando nisso, a melhor solução seria a mistura de duas HQs que contam com o Coringa como foco principal: A Piada Mortal, de Alan Moore, e Coringa, de Brian Azzarello.

O conceito principal de A Piada Mortal foi utilizado por Christopher Nolan em O Cavaleiro das Trevas, pois o cineasta explora a ideia do vilão instaurar o caos para provar que todos podem ser tão loucos quanto ele, “basta apenas um empurrão” (no filme, ele usa Harvey Dent como experimento ao invés do Comissário Gordon na HQ). Por isso, uma adaptação literal do clássico de não teria o mesmo impacto nas telonas.

Contudo, os flashbacks utilizados por Moore para mostrar o passado do vilão como um humorista fracassado podem ser muito bem explorados. Ao mesmo tempo que poderia mostrar uma história atual sobre o submundo de Gotham comandado pelo Palhaço do Crime, o longa pode trabalhar com os momentos em que ele era apenas um comediante falido com uma mulher grávida e sem perspectivas de vida. Isso daria ainda mais humanidade a um personagem complexo e tornaria sua jornada mais interessante.

A ideia reflete direto no trabalho de Scorsese em Touro Indomável. Assim como Jake LaMotta, que sente-se muito mais confortável levando socos no ringue do que levando golpes da vida – onde tem dificuldades de se relacionar e acaba perdendo a esposa, o irmão e todo o dinheiro que ganhou com o boxe – o Coringa é um personagem que sente-se mais à vontade nas ruas, perto de criminosos do que tentando viver no mundo “normal”.

Por outro lado, para mostrar essa “sujeira” de Gotham a melhor ideia seria usar como base Coringa, obra criada por Brian Azzarello. Na Graphic Novel de 2008 – onde os desenhos de Lee Bermejo lembram muito o Coringa de Heath Ledger – a história é contada por Johnny Frost, um dos capangas do vilão que vai busca-lo após ele ser misteriosamente solto do Asilo de Arkham.

Vemos o Coringa atuar pelo lado obscuro das ruas para recuperar o seu poder e entendemos como é a cidade pelos olhos do vilão, assim como Scorsese mostra o mundo de Travis Bickle em Taxi Driver. A Nova York do personagem interpretado por Robert De Niro é suja, deturpada, cheio de pessoas perigosas e procurando problema - tudo sob a perspectiva de um homem pronto para explodir a qualquer momento.

O vilão é ainda mais instável que Bickle e o personagem de Frost serveria como um guia para o público entender como é o mundo desse homem que, a qualquer momento, pode causar uma carnificina. 

O filme solo do Coringa ainda é um ponto de interrogação. Contudo, a produção de Scorsese e a direção de Phillips podem ajudar o longa a surpreender o público e usar clássicos do cineasta como base é um bom começo para a futura produção. 

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