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Biografia - Neil Gaiman [atualizada em 9/10]

Conheça o criador de Sandman e outros universos fantásticos

Marcelo Forlani
09.10.2007
17h00
Atualizada em
21.09.2014
13h11
Atualizada em 21.09.2014 às 13h11
Neil Gaiman nasceu em 1960, na cidade de Portchester, Inglaterra. Desde pequeno, demonstrou sua ligação com os quadrinhos. Como jornalista, foi crítico de HQs e, aos 20 anos, teve seu primeiro título publicado, Violent Cases, pela editora inglesa Titan.

Foi com este primeiro trabalho que teve início sua parceria com Dave McKean. O também britânico ilustrador ficou conhecido nos Estados Unidos ao desenhar o Asilo Arkham, mas foi o seu trabalho como capista de Sandman que o imortalizou entre os fãs de HQs.

Neil Gaiman

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Juntos, os dois foram trabalhar para a toda-poderosa DC Comics, ressuscitando a personagem Orquídea Negra e participando de histórias isoladas do Monstro do Pântano e, mais tarde, Hellblazer (reunidas na edição Dias da Meia-Noite). Na mesma época, Gaiman, a pedido da editora, começou a retraçar o destino de Sandman. De detetive da Sociedade da Justiça, o personagem foi transformado numa entidade divina.

Por 75 números, Gaiman e Sandman foram se tornando cada vez mais famosos. A série tornou-se o carro-chefe do selo Vertigo, destinado a um público geralmente adulto que não queria mais saber de super-heróis. O autor ganhou reconhecimento da crítica ao receber prêmios ao redor do mundo, entre eles o prestigiado World Fantasy Award, geralmente concedidos apenas a obras em prosa.

Aqui no Brasil, a revista Sandman nunca foi publicada com freqüência regular. A Editora Globo foi quem começou em 1989, chegando ao último número aos trancos e barrancos em 1998. Depois a Atitude tentou republicar a série, mas fechou suas portas depois de sete edições. A Editora Brainstore pegou o título e seguiu mais alguns anos, sem concluir. Um tratamento mais digno para a série deu-se com a Conrad Editora, que segue publicando luxuosos volumes com os arcos de histórias.

De volta a Gaiman... em 1989, além da série do senhor dos sonhos, a Globo publicou Orquídea Negra. A Abril, vendo a concorrência aumentar seu poder, lançou em 1991 a minissérie Livros da Magia, também de Gaiman. Morte - O Preço da Vida, também lançada pela Abril Jovem (e republicada pela Conrad), foi um grande sucesso, provando a alta aceitação dos produtos com a assinatura de Gaiman independente da sua editora no Brasil.

Mundo afora, Neil Gaiman continuou seu brilhante trabalho. Ele substituiu nada menos do que Alan Moore em Miracleman, escreveu o romance fantástico Belas Maldições (Good Omens) em parceria com Terry Pratchet e contos para a série Angels and Visitations, que, mais tarde, foi engrossada por outros ensaios e poemas, recebendo o nome de Fumaça e Espelhos - parcialmente adaptada aos quadrinhos em Criaturas da Noite. Estão ainda em seu currículo Signal to Noise, Mr. Punch e Stardust. Para a TV, Gaiman roteirizou Neverwhere, uma minissérie exibida pela BBC - lançada por aqui em romance com o título Lugar Nenhum. Multimídia, escreveu também A Última Tentação, cuja série baseada no roqueiro Alice Cooper, serviu de base para o álbum de mesmo nome.

No início dos anos 2000, Neil Gaiman adaptou ao inglês o animê Princesa Mononoke e voltou ao universo de Sandman com Os Caçadores de Sonhos. Ainda inédito no Brasil, o desenho japonês é o maior sucesso da história do cinema nipônico. Lá na terra do sol nascente, o filme só perde em bilheteria para Titanic. Sandman: Os Caçadores de Sonhos selou a parceria de Gaiman com a cultura oriental. Uma das exigências do escritor para fazer o livro era que o designer japonês Yoshitaka Amano ilustrasse o material. Conseguiu o que queria e o material está aí para comprovar que mais uma vez ele estava certo. A idéia de grandes ilustradores aliada a histórias inéditas daquele universo também gerou alguns anos mais tarde o belíssimo Sandman: Noites sem fim.

Nos últimos anos, Gaiman tem se dedicado também ao mundo dos romances, lançando livros infantis e adultos, como Coraline, Deuses Americanos e Os Filhos de Anansi. Nos quadrinhos, trabalhou em duas séries para a Marvel, ambas com sucesso bastante inferior ao obtido no passado: 1602 e Eternos.

Sua dedicação, porém, parece maior ao cinema. Roteirizou ao lado de Roger Avary o filme Beowulf, participou das adaptações de Stardust e Coraline e deu seu primeiro grande passo na sétima arte: escreveu o belíssimo Máscara da Ilusão, dirigido pelo velho colaborador Dave McKean. Prepara-se agora para sua estréia como diretor no filme de sua maior criação na série Sandman, Morte.

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