Protestos na Bienal do Rio

Créditos da imagem: Cláudio Gabriel

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Notícia

Público protesta recolhimento de obras LGBTQ na Bienal do Rio

Aos gritos de "Não vai ter censura", manifestantes carregavam obras que seriam coletadas por ordem do Tribunal do Rio

Arthur Eloi e Cláudio Gabriel
07.09.2019
21h32
Atualizada em
08.09.2019
14h00
Atualizada em 08.09.2019 às 14h00

Após o Tribunal de Justiça do Rio decidir pelo recolhimento de obras LGBTQ, a Bienal do Livro foi tomada por protestos na tarde do sábado (7). Os manifestantes, carregando livros distribuídos gratuitamente por ações de editoras e do Youtuber Felipe Neto, se oposuram contra os fiscais do governo e levantaram gritos de “Não vai ter censura” - veja abaixo:

Já em outro vídeo, publicado por Neto - que comprou e distribuiu 14 mil obras LGBTQ no evento - mostra os protestantes caminhando entre os estandes.

O colaborador Cláudio Gabriel, presente no evento, descreve como surgiu o protesto: "A manifestação iniciou durante a mesa 'Literatura Arco-Irís'. Alguns dos palestrantes já haviam falado sobre a entrada dos fiscais da prefeitura, porém foi quando entrou o autor Michel Uchiha que tudo tomou forma. Ele pediu a palavra e disse haver 'fiscais rodando o evento e olhando os estandes'. Com uma decisão conjunta dos presentes, houve o cancelamento da mesa e sessão de autógrafos que ocorreria na sequência para realizar o protesto na entrada da Bienal.

Não é sabido se realmente a fiscalização ocorreu, porém agentes da prefeitura estiveram presentes com sacos para recolherem livros de temática LGBT segundo decisão do presidente do TJ-RJ. Quando chegaram, houve uma reunião entre eles e a direção da Bienal do Livro para evitar o acesso. Segundo informações da assessoria do evento, os fiscalizadores entrariam à paisana, porém não é certo se houve recolhimento de algum livro."

[Atualização 08/9] Em comunicado, foi esclarecido que não houve recolhimento de nenhuma obra: "A Procuradoria-Geral do Município e a Secretaria Municipal de Ordem Pública realizaram, neste sábado, dia 7, vistoria  nos estandes da Bienal do Livro após decisão do Tribunal de Justica do Estado autorizar a Prefeitura a recolher material com temática LGBT sem os devidos lacre e advertência de classificação indicativa  de conteúdo. A ação ocorreu com agentes à paisana para evitar transtornos por conta do grande movimento registrado no dia. Não foram encontradas obras em desacordo às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente, incluindo exemplares da publicação 'Vingadores: A Cruzada das Crianças', objeto de denúncias de frequentadores da mostra. Na quinta, dia 5, a Seop notificou a organização do evento a adequar as obras expostas na feira aos artigos 74 a 80 do ECA, que preveem lacre e advertência de classificação indicativa em publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes. Uma vistoria havia sido realizada na sexta, dia 6, sem encontrar irregularidades."

Desde quarta-feira, a Bienal tem sido alvo de ataques políticos por conta da venda da HQ Vingadores: Cruzada das Crianças, que exibe um quadro com um beijo entre os personagens Wiccano e Hulkling. A revista teve sua venda proibida pela prefeitura, mas esgotou em menos de uma hora, impedindo os fiscais responsáveis de efetuarem o recolhimento ordenado.