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As 10 maiores criações de Jack Kirby, o Rei dos Quadrinhos

Da fundação do Universo Marvel ao Quarto Mundo da DC, um legado irretocável

Marcelo Hessel
10.08.2017
17h04
Atualizada em
10.08.2017
17h59
Atualizada em 10.08.2017 às 17h59

Se estivesse vivo, Jack Kirby completaria 100 anos no próximo dia 28, e ao longo de meio século de carreira o desenhista ajudou a criar alguns dos personagens mais famosos dos quadrinhos de super-herói americanos. Kirby não apenas deu vida a fisionomias e uniformes que se tornariam icônicos, com seu traço dinâmico que influenciou gerações depois da chamada Era de Prata, como tinha uma imaginação sem limites que ajudou a moldar o universo cósmico tanto da Marvel quanto da DC. Na galeria abaixo, listamos as 10 maiores criações do Rei dos Quadrinhos.

Capitão América

Antes de trabalhar com Stan Lee, Kirby fez com o roteirista Joe Simon uma das parcerias mais bem sucedidas da Era de Ouro das HQs. Os dois trabalharam na Fox Feature Syndicate (onde Kirby fez sua primeira tira de super-heróis, do Besouro Azul) e em 1940 se mudaram juntos para a editora Timely - que se tornaria depois a Marvel. Simon se tornou editor da Timely; Kirby, o diretor de arte. O sucesso foi instantâneo porque a criação do Capitão em 1941 falou alto com o público interessado nas repercussões da Segunda Guerra Mundial. 

Lord of Light

Depois de deixar a Marvel pela segunda vez, Kirby se aventurou nos desenhos animados e no cinema. As artes conceituais que ele fez para o filme de ficção científica Lord of Light em 1979 não são exatamente influentes - já que o longa nunca foi realizado - mas ajudaram a salvar vidas. A CIA usou as artes para enganar as autoridade iranianas na agora famosa crise de reféns da embaixada americana de Teerã, história contada no filme Argo.

Quarteto Fantástico

Meses depois de a DC Comics criar a Liga da Justiça, a Marvel fez também uma superequipe. O Quarteto Fantástico tinha personagens inéditos, um perfil de família, e um processo de criação inusitado: Stan Lee criava uma sinopse, Jack Kirby desenhava a edição inteira, e depois Lee voltava para escrever recordatórios e balões, em cima do desenho pronto. Deu tão certo que a dupla passou a usar o mesmo processo em outras HQs - isso ficaria famoso como o Método Marvel. Além de conceber os designs do Quarteto, Kirby daria forma também a personagens como Doutor Destino e Galactus.

Celestiais

Ao criar a série The Eternals quando voltou para a Marvel em 1975, Kirby aproveitou alguns conceitos de fantasia e ficção científica espacial que não pôde utilizar com o Quarto Mundo da DC, e assim deu vida aos Celestiais. O conceito dessa raça de robô humanoides gigantes não apenas ajudou a dar vazão às formas geométricas mais loucas de Kirby como acabou se tornando uma das bases cósmicas da mitologia de toda a Marvel.

Hulk

A ideia de Stan Lee era misturar Frankenstein e O Médico e o Monstro, e assim conceber o monstro do título de The Incredible Hulk. Jack Kirby concebeu a cabeça quadrada de Hulk de uma forma que se aproximava bastante do monstro de Frankenstein do ator Boris Karloff. A definição da cor é lendária: o Hulk seria cinza, porque Lee não queria evocar nenhuma etnia específica, mas na impressão final a cor saía com cinzas inconstantes, frequentemente esverdeados. Depois da primeira edição, a Marvel decidiu adotar o verde.

Darkseid e o Quarto Mundo

Kirby deixou a Marvel insatisfeito com o reconhecimento que recebia e com o desgaste da sua parceria com Stan Lee. Ao chegar na DC Comics no fim de 1970, como roteirista e desenhista, criou Darkseid e em seguida o ambicioso projeto de séries conectadas sob o nome Quarto Mundo. Ali Kirby concebeu os conceitos dos Novos Deuses, do qual Darkseid faria parte, e criou Orion e o Senhor Milagre. Sem o misto de religiosidade e ficção científica com que Kirby impregnou essa mitologia, dificilmente os quadrinhos teriam hoje nomes como Grant Morrison.

Homem de Ferro e os Vingadores

Como Jack Kirby desenhava as capas das suas HQs na Marvel, e a capa era a primeira coisa a ser feita no processo de uma edição, ele ficou responsável pelo design do Homem de Ferro - que estampou a capa de Tales of Suspense #39 em 1963. (As fisionomias de Tony Stark e Pepper Potts ficaram a cargo do desenhista Don Heck, segundo o próprio.) Meses depois, quando os Vingadores foram criados, Stan Lee e Kirby resgataram o Capitão América - e o supergrupo acabou se tornando um best-of das criações de Kirby.

X-Men

É atribuído a Stan Lee o gênio pela criação dos mutantes, pela sintonia dos X-Men com o movimentos de direitos civis nos EUA nos anos 1960, mas dentro do Método Marvel de criação, Jack Kirby ficava responsável por dar forma a vários detalhes na concepção de novas HQs. O desenhista criou o Professor X para tutelar os novos personagens e fez dos X-Men humanos normais, e não uma raça diferente. Designs originais de Kirby, como as cores e a roupa de Magneto ou a máscara com o visor de Ciclope, raramente mudaram ao longo das décadas.

Thor

Embora o Deus do Trovão criado em 1962 seja, a exemplo de outros heróis da Marvel concebidos por Stan Lee, um personagem com falhas mundanas (o doutor Donald Blake era um médico frágil e fraco quando não se transformava em Thor), a HQ Journey into Mystery, que depois seria renomeada em favor de seu personagem mais famoso, era o canal perfeito para Kirby extravasar seus delírios geométricos e de concepção de mundos, que tinham pouco a ver com o dia a dia da Terra. A Asgard de Kirby foi um dos primeiros passos do desenhista em direção aos temas cósmicos que se tornariam uma de suas marcas.

Surfista Prateado

A história de 1966 que apresentou na HQ do Quarteto Fantástico a ameaça de Galactus, trazida à Terra pelo arauto Surfista Prateado, é uma das maiores criações de Stan Lee e Jack Kirby. Curiosamente, Lee não criou o Surfista, que foi incluído nos desenhos por Kirby, por conta própria. Ambos pareciam sentir que a criação foi especial, tanto que a última colaboração da dupla, em 1978, foi The Silver Surfer: The Ultimate Cosmic Experience, considerada a primeira graphic novel da Marvel. O Surfista de Kirby é lembrado até no cinema, numa clássica discussão em Maré Vermelha.