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Os lançamentos de HQs no Brasil

AC
11.01.2006, às 00H00.
Atualizada em 24.11.2016, ÀS 08H07
Níquel Náusea
A perereca da vizinha

Fernando Gonsales (Editora Devir)
5 ovos!
Minha vida
Robert Crumb (Conrad)
5 ovos!
Groo - Impostos!
Pague até para morrer

Sergio Aragonés e Mark Evanier
(Opera Graphica Editora)
3,5 ovos
Ás inimigo
Joe Kubert & Robert Kanigher
(Opera Graphica Editora)
3,5 ovos
Na coluna irmã da LÁ FORA, o Omelete mergulha nas bancas e livrarias para comentar os principais lançamentos recentes. Nesta edição: Níquel Náusea: A perereca da vizinha, Minha vida, Ás Inimigo e Groo - Impostos! Pague até morrer.

Omelete Recomenda

Níquel Náusea: A perereca da vizinha
Por Érico Borgo

O que dizer de Fernando Gonsales que as centenas de milhares de leitores de jornais diários no país já não saibam? Que ele é o mais engraçado cartunista brasileiro ao lado do Laerte? Que ele é o mais constante de todos os criadores de tirinhas do Brasil? Ele é todas essas coisas e muito mais! Mesmo seus dias menos inspirados são suficientemente interessantes a ponto de causar um sorriso no rosto de qualquer um. Já os mais inspirados... esses são de deixar cair o jornal de tanto rir.

Com A perereca da vizinha a editora Devir dá continuidade à sua série de álbuns do cartunista (iniciada por Nem Tudo que Balança Cai!, Com Mil Demônios, Botando os Bofes de Fora e Vá Pentear Macacos!), reunindo seus melhores trabalhos. Estão nessa nova edição todos os personagens antológicos de Gonsales, como o Rato Ruter, Fliti, o Sábio do Buraco e, é claro, o protagonista, Níquel Náusea. Sempre em situações divertidíssimas e - por que não? - esclarecedoras sobre o reino animal. Afinal, onde mais descobriríamos respostas para perguntas como "por que o galo pulou a cerca?" e "quando é que os piolhos fazem luta no gel?"...

Níquel Náusea: A perereca da vizinha. Roteiro e desenhos: Fernando Gonsales. Editora Devir. Formato álbum. 48 páginas coloridas.

Minha vida
Por Érico Borgo

Quinze anos atrás, no auge da explosão dos quadrinhos adultos, revistas focadas na chamada contracultura - como a Animal, Porrada e Abutre - inundavam as bancas, convivendo pacificamente com a tonelada de gibis e minisséries de heróis que marcaram o início dos anos 1990. Boa parte dessas publicações alternativas trazia histórias do Sr. Robert Crumb, verdadeira lenda dos quadrinhos e um dos artistas mais relevantes das últimas décadas.

De lá pra cá, Crumb deixou os guetos. Trocou o papel jornal safado cuja tinta saía nas mãos pelos álbuns de luxo, com capa dura e couchê brilhante. Mas a mudança de suporte não alterou o impacto de suas obras. Nos últimos três anos, a Conrad Editora colocou à disposição do leitor brasileiro álbuns como Fritz the Cat, Mister Natural, Zap Comix, América e Blues, cada um voltado a uma criação distinta de Crumb ou a um tema diferente, com o amor do artista pela música negra ou seus ataques ao governo e à sociedade estadunidense. Pois agora chega às livrarias outra obra dele e talvez a mais relevante de todas - sua autobiografia.

Em Minha vida, Crumb aparece mais rabugento do que nunca. Nessa jornada ao centro de sua cabeça pertubadoramente lúcida e mordaz, nos deparamos com temas recorrentes em sua obra, como o complexo de Édipo e o desprezo a "todos os governos, religiões organizadas, grandes corporações, cultos new age, mídia de massa, partidos políticos, qualquer tipo de hierarquia com líderes e seguidores...", como ele mesmo comenta na história "Você é capaz de ficar sozinho e encarar o Universo", ponto mais alto da publicação. Aliás, nessa mesma página ele chuta o Santo Traseiro, num quadrinho que colocaria sua cabeça à prêmio se o Vaticano ficasse no Oriente Médio.

Uma dúzia de ovos pra ele. De avestruz.

Minha vida. Roteiro e desenhos: Robert Crumb. Editora Conrad. Formato álbum. 136 páginas coloridas. 46 reais.

Groo - Impostos! Pague até para morrer
Por Marcelo Forlani

Ao lado de Asterix, Groo é uma das séries mais engraçacas dos quadrinhos. Mas assim como os poderes dos gauleses parece estar enfraquecendo, a força de Groo também vem diminuindo. Estaria o Errante menos burro? Não! Mas talvez a graça da sua estupidez sem fim esteja, na verdade, perto do seu limite. Afinal, uma boa piada continua sendo uma boa para sempre, principalmente quando ela é bem contada, porém, a gargalhada desenfreada da primeira audição tende a diminuir até virar apenas um sorriso depois da décima vez que ela é repetida.

É mais ou menos isso o que acontece em Groo - Impostos! Pague até morrer. Se este for o seu primeiro encontro com o bárbaro devorador de queijos, talvez você veja algo novo. Estúpido, mas novo. Para os velhos conhecidos do ser narigudo e seu cão Ruferto, porém, as novidades ali são poucas. Talvez a única seja a vontade de Groo em parar de matar.

Ao saber que as pessoas estão pagando um imposto para se verem livre de sua presença, Groo percebe que quase ninguém gosta dele (um certo agente funerário o venera) e que o principal motivo é porque ele as mata. Depois de muito morder sua língua e coçar a cachola, ele decide aposentar suas armas, o que deixa Ruferto desesperado. A chance parece perfeita para que seus inimigos o ataquem sem correr risco. Assim, em pouco tempo alguns dos mais temidos campeões decidem tentar matá-lo. Enquanto isso, o rei da Planície Leste declara guerra contra outras regiões, apenas para manter a sua economia aquecida.

A sede por vingança e a utilização de motivos econômicos para entrar em uma guerra acabam por causar mais mortes do que Groo, o que o faz pensar... e isso, todos sabemos, não é uma tarefa fácil, nem rápida. Só assim para justificar as 100 páginas deste álbum, que poderia ser bem menor. Sorte que a arte do criador do personagem, Sergio Aragonés, continua mais afiada que as espadas do maior pelejador de todos os tempos.

Groo - Impostos! Pague até morrer. Desenhos: Sergio Aragonés. Roteiro: Mark Evanier. Opera Graphica Editora. Formato álbum. 112 páginas coloridas. 46 reais.

Ás inimigo
Por Marcelo Forlani

Sei que estou correndo um sério risco de me tornar alvo de hate mails por criticar Ás inimigo, de Joe Kubert & Robert Kanigher, mas segue aqui a explicação:

Em 1965, quando Kubert começou a contar as histórias do Hans Von Hammer, tudo aquilo não poderia ser considerado menos do que genial. Passadas apenas duas décadas da Segunda Guerra Mundial, este polonês criado no Brooklyn nova-iorquino ousou colocar um alemão como personagem principal da sua revista. Tudo bem que ele era um anti-herói, afinal passava o tempo todo aniquilando seus adversários, mas mesmo assim.

Ainda hoje as histórias são ótimas, principalmente as cenas de batalha nos céus europeus com seus Fokker DR-1, Bristol, S.E.5, etc. O que não funciona, na verdade, é a repetição. Ao ler a terceira história, você já entendeu que o comandante alemão é uma máquina de matar que entra em simbiose com sua máquina, sofre da solidão de um assassino e que o único que o entende é um lobo que habita a floresta ao lado do seu quartel. Se talvez o álbum tivesse menos histórias, ou elas fossem menos repetitivas, esta compilação mereceria tantas medalhas e troféus quando Von Hammer.

Ás inimigo. Desenhos: Joe Kubert. Roteiro: Robert Kanigher. Opera Graphica Editora. Formato médio. 223 páginas preto e branco. 34 reais.

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