Al Williamson, de Flash a Star Wars
Al Williamson, de Flash a Star Wars
Certa vez, me perguntaram qual era o meu desenhista predileto. Os presentes fizeram, então, suas apostas: Brian Bolland, Dave McKean, Bill Siekiewicz&qt;& Nenhum deles. Minha resposta foi Al Williamson. Todo mundo fez cara de interrogação.
Afinal, quem é Al Williamson&qt;&
Os poucos que sabem quem é esse extraordinário quadrinhista recordam-se dele como o arte-finalista de John Romita Jr. no Demolidor. Mal desconfiam, porém, que aquele nome perdido no meio dos créditos foi um dos desenhistas mais importantes e influentes dos comics americanos nos anos 50, 60 e 70.
Al Williamson nasceu em Nova Iorque, em 21 de março de 1931, mas logo sua família mudou-se para a Colômbia, onde ele permaneceu até 1943. Durante sua infância, Al leu gibis mexicanos que também continham material argentino. Estas histórias sulamericanas teriam sobre ele grande influência, embora sua maior inspiração tenha sido o desenhista americano Alex Raymond. Ainda criança, assistiu a um episódio do seriado Flash Gordon e ficou encantado. A partir de então, tornou-se fã inveterado do grande mestre.
Quando voltou aos EUA, o garoto estava decidido a se tornar quadrinhista. Assim sendo, matriculou-se na Escola de Artes Visuais de Burne Hogarth. O atrito, no entanto, foi inevitável. Hogarth insistia que seus alunos seguissem o seu estilo, e Al preferia o traço de Raymond. Mesmo assim, as desavenças não impediram que Hogarth lhe confiasse o lápis de três páginas dominicais. Foi assim que teve início uma das mais brilhantes carreiras da HQ americana.
Entre 1952 e 55, Williamson trabalhou para a EC Comics, então a Meca dos comics de qualidade nos EUA. Anos depois, ainda trabalhou para a editora Warren, também especializada em terror, que editava as revistas Eerie e Creepy, cujas histórias foram publicadas, no Brasil, na saudosa Kripta da RGE.
Em 1966, o garoto que adorava os seriados de Flash Gordon teve a oportunidade de desenhar o seu herói predileto. Williamson ilustrou três números da revista do herói, algumas delas editadas no Brasil pela Abril e pela RGE. Isso bastou para demonstrar que ele era o seguidor mais talentoso de Alex Raymond. Não tardou, então, para que o King Features Syndicate o contratasse para desenhar as tiras de Agente Secreto X-9, outra personagem criada por seu ídolo.
Os roteiros das aventuras ficaram por conta de Archie Goodwin. Goodwin, que faleceu em 1988, era um daqueles roteiristas que não trabalhavam bem com super-heróis, mas que se destacavam no gênero policial. Suas histórias para X-9 estão entre os melhores quadrinhos policiais de todos os tempos. Algumas superam até as que Dashiell Hammett escreveu para a personagem quando Alex Raymond ainda a desenhava (A maioria dos críticos acredita que Hammett só redigiu a primeira história de X-9, tendo o restante sido entregue a ghosts...).
Goodwin e Williamson reformularam completamente o herói, aproximando-o mais daquele X-9 de Alex Raymond. O nome da tira, inclusive, foi alterado para Agente Secreto Corrigan. A dupla esteve à frente da personagem de 1967 até 1980.
Uma das características interessantes no desenho de Williamson nessa época era a maneira como ele retratava as mulheres. Sua atuação em X-9 deu-se quando o feminismo estava em alta. Seus desenhos refletiam essas mudanças de comportamento. As moçoilas que contracenavam com o agente secreto Corrigan não eram apenas coadjuvantes, prontas a pedir socorro ao menor sinal de perigo. Ao contrário, eram mulheres, que embora continuassem extremamente femininas e sensuais, eram liberadas e valentes. Depois desse período, Williamson fez poucos trabalhos pessoais, entre os quais as tiras de Guerra nas Estrelas e algumas histórias do Hulk. Apesar de seu talento, as grandes editoras têm lhe reservado apenas a arte-final. Lamentavelmente, tudo indica que seu desenho é muito rebuscado e elegante para uma indústria que hoje venera gente como Rob Liefield...
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