Foto promocional da série de TV de The Purge

Créditos da imagem: The Purge/USA Network/Divulgação

Séries e TV

Artigo

The Purge | Série de TV mostra potencial com visões diferentes do massacre

Adaptação dos filmes de terror tem bastante potencial nas mãos

Arthur Eloi
11.09.2018
18h51

Após dominar os cinemas com terror de baixo orçamento, a Blumhouse Productions (Sobrenatural, Fragmentado) começa a criar seu legado como uma produtora de televisão. Depois de Sharp Objects, minissérie da HBO produzida pelo próprio fundador Jason Blum, a próxima da fila é The Purge, adaptação televisiva da franquia Uma Noite de Crime (ou 12 Horas para Sobreviver).

O projeto da USA Network (Mr. Robot) traz a mesma premissa que consagrou os filmes: em um futuro não-tão-distante, o governo dos Estados Unidos aprova e incentiva um evento anual chamado Expurgo, em que todo crime imaginável é permitido por um período de 12 horas. De relance parece um conceito limitado para ser trabalhado na televisão, mas a verdade é que a saga combina perfeitamente com os benefícios de contar uma história ao longo de dez horas ao invés de duas.

O criador James DeMonaco nunca escondeu os temas políticos e sociais por trás de The Purge, mas também nunca conseguiu debatê-los com propriedade nos longas. O resultado são quatro filmes - com A Primeira Noite de Crime (2018) prestes a estrear nos cinemas brasileiros - que ficam entre exaltar violência explícita e ter algo a dizer. Fica claro que o cineasta usará a nova oportunidade para se consagrar.

O piloto, chamado de "What is America?", apresenta todos os núcleos que serão desenvolvidos: o ex-fuzileiro Miguel (Gabriel Chavarria) em busca de sua irmã Penélope, agora parte de um culto de suicidas; a mulher de negócios Jane (Amanda Warren) que é forçada a trabalhar durante a noite do Expurgo, rodeada de pessoas tentando tomar seu lugar; e o casal Joe (Lee Tergesen) e Jenna (Hannah Emily Anderson), que tentam fechar um importante acordo com endinheirados entusiastas do massacre.

As três tramas cobrem diferentes perspectivas do evento: a visão de quem está na rua durante o banho de sangue; dos integrantes de grupos que surgem em meio ao caos; de quem precisa desconfiar de seus conhecidos; e, claro, da elite que vê a matança como uma oportunidade de enriquecer ainda mais. Ainda que apenas tenha sido introduzida, essa pluralidade recorta os destaques de cada um dos filmes os coloca em contraste para investigar o que realmente se passa numa sociedade onde algo terrível assim é parte do cotidiano.

Os núcleos de Miguel e Jane seguem a lógica já estabelecida por Uma Noite de Crime (2013) e Anarquia (2014), com buscas heróicas e terror psicológico, respectivamente. Já a subtrama do casal é a mais interessante, pois utiliza sua realidade paralela para discutir lobby, diferenças sócio-econômicase a relação entre os ricos e o governo - ao mesmo tempo que indica que os protagonistas, abertamente contra o Expurgo, podem ser facilmente levados ao ator de matar por meros problemas do dia a dia, como um vizinho irritante. Não que as demais tramas deixem a desejar, mas é aqui que a intenção original de DeMonaco dá mais as caras.

The Purge tem bastante potencial. Essa afirmação é algo que se repete a cada novo filme lançado na franquia, mas agora parece que as coisas vão para frente. Tudo indica que a produção tem uma narrativa forte nas mãos e uma noção de onde quer chegar. Resta ver se o visual barato ou a tentativa de deixar ganchos de continuidade não vão novamente resultar em algo que só fica na expectativa.

The Purge é transmitida no Brasil pelo Amazon Prime Video, porém o seriado não terá dublagem brasileira ou sequer legendas em português até o mês de novembro - entenda.