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Pânico, a Série de TV | Primeiras Impressões

MTV resgata a franquia de Wes Craven com mais metalinguagem e adolescentes desesperados

Thiago Romariz
05.07.2015
21h28
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

Pânico marcou época por usar metalinguagem em um filme de serial killer para adolescentes. Anos depois, a criação de Wes Craven volta aos holofotes em uma série de TV que tenta repetir essa receita focando os seriados de investigação. A diferença está na época, nas referências e como o projeto explora a relação entre os personagens. E até aqui, a empreitada da MTV, dona do projeto, ainda tem muito o que provar, caso queira ter uma parcela da relevância que sua fonte de inspiração teve.

A trama não muda. Na verdade, as homenagens se confundem com o próprio roteiro, que é bem mastigado e não se furta de roubar frases e estereótipos do filme. Até aí, não há muito do que reclamar. A série cumpre bem o papel de apresentar personagens facilmente reconhecíveis e que têm a mesma força e estranheza dos vividos por Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette - mesmo que as profissões não sejam as mesmas.

Um assassinato ocorre na casa de uma das patricinhas da escola de ensino médio de Lakewood. O grupo de amigos dela fica assustado com o fato, mas ao mesmo tempo procura entender o ocorrido - sem esquecer de ressuscitar mistérios do passado, envolvendo família e outros membros da comunidade da cidade.

Há casos suficientes para uma temporada cheia de reviravoltas e a série deve entregar tudo isso, como a própria diz em um certo momento. "Precisamos nos preocupar com outras coisas, além do culpado pelo crime (...) uma série de TV precisa esticar as coisas para não se parecer com um filme", diz um personagem, o responsável pela metalinguagem do episódio piloto.

Não existe nada de novo na série. As inúmeras citações a produtos recentes ou o uso de redes sociais como forma de procurar fama também não são novidades - não é de hoje que a cultura pop tenta se proclamar influente; e não precisa, na verdade, pois ela já é. Pânico não leva isso em conta e faz questão de lembrar o espectador a cada minuto. Ao lado disso, os personagens caricatos não conseguem evoluir para se tornar uma paródia de si mesmos, muitas vezes se levando a sério.

É cedo, porém, para dizer que o seriado não deu certo. A receita está ali, as boas ideias também. Ainda assim, usar a metalinguagem não é simples, e se a MTV quiser fazer com que a série se diferencie dos seus demais programas para adolescente terá que explorar isso de uma maneira menos óbvia e mais inteligente.

Scream estreou em 30 de junho nos EUA. Ainda não há previsão de chegada da série ao Brasil.

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