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Pacific Rim | Guillermo Del Toro e elenco falam sobre o filme

Diretor diz que produção de monstros e robôs gigantes salvou-o da depressão

Érico Borgo
25.07.2012
21h22
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

Em conversa com a imprensa durante a Comic-Con 2012, o diretor Guillermo Del Toro e seu elenco principal apresentaram o filme de monstros e robôs gigantes Pacific Rim.

Pacific Rim

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Charlie Hunnan e Rinko Kikuchi

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Idris Elba

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As armaduras de controle

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Dentro da cabeça do robô

Del Toro explicou a premissa do filme, que ele garante tê-lo salvado de uma depressão depois do cancelamento de sua produção anterior. "Sofri muito com o colapso de Nas Montanhas da Loucura. Fiquei devastado. Tinha o filme todo desenhado, todos os sets pensados,todos os produtores no lugar e astros quase contratados, inclusive Tom Cruise. Foi muito, muito difícil aceitar que ele não seria feito. Fiquei à beira de uma depressão. Pacific Rim me salvou dela", contou. "Nesse filme, em 2013, uma brecha se abre no fundo do Oceano Pacífico, de onde saem monstros colossais que atacam a humanidade. A razão dessas criaturas estarem nos atacando é desconhecida e parte da trama. Elas sequer são baseadas em carbono, são baseadas em silicone. Quem são, de onde vêm, essas são as perguntas do filme".

"Pacific Rim é uma aventura em que todos nós lutamos juntos para salvar a Terra. Não é um filme de heróis solitários que salvam a terra sozinhos. É um filme de pessoas e suas imperfeições salvando o planeta coletivamente. As batalhas são intensas, viscerais, com momentos de tensão, aventura e terror se alternando. Há muitos tons no filme", disse.

Para o diretor, sua infância repleta de animações e programas japoneses na TV mexicana foi fundamental para seu amor por monstros gigantes. "Quando eu cresci no México eu tinha uma dieta diária de 'luchadores' e anime. Muitos dos filmes que passavam na TV eram animes, como Astro Boy, essas coisas antigas e fascinantes que eu cresci amando. Não é como a Rinko, que cresceu com Pokémon, ahaha", brinca, referindo-se à idade de sua atriz principal, a japonesa Rinko Kikuchi. "Mas eu gosto de monstros gigantes!", rapidamente corrigiu a protagonista. "Quando eu soube que ele estava fazendo um filme de kaiju, eu pedi para Iñarritu [Alejandro, diretor com quem ela trabalhou em Babel] o e-mail dele e escrevi implorando o papel!", contou.

"Com Pacific Rim eu pretendo fazer um ideal adulto das coisas que me atraíam quando eu era criança. Há algo de incrível nessa ideia de robôs gigantes que você veste e te dão a força que você precisa para enfrentar monstros colossais. Minha inovação para o gênero será a fusão de pilotos, que inventei. Nela, duas pessoas terão que trabalhar juntas para comandar cada metade do robô. Eles precisam agir como um só", seguiu Del Toro.

Um desses pilotos é vivido por Charlie Hunnan, que exaltou a qualidade do set. "Eu não tive que imaginar muito, já que Guillermo gosta de criar tudo de verdade ele mesmo, no set. Há pouca computação gráfica no nível dos humanos. O mundo é muito distante de tudo o que eu já fiz, mas o personagem é um humano comum, com sentimentos normais em uma situação extrema. E isso é amplificado pela necessidade da fusão, de se relacionar em um nível de enorme intimidade com o seu copiloto".

O ator, porém, garante que tal realismo envolve um desafio físico como poucos. "Em termos de fisicalidade, esse foi, sem a menor possibilidade de comparação, o filme mais difícil que eu já fiz. Há um aparato que usamos para controlar os robôs que, entra dia e sai dia, vai minando você fisicamente. É brutal".

"Você vê caras gigantes, feito Idris Elda e Charlie, sofrendo e reclamando lá, mas a única que nunca reclamou, que ficou firme o tempo todo, foi a Rinko! Eu queria que eles se sentissem controlando um robô gigante como se fosse de verdade - e funcionou. Eu adoro torturá-los", brincou Del Toro.

Hunnan, porém, foi só elogios a seu torturador. "A maioria dos filmes de hoje parecem criados especificamente com o objetivo de gerar o máximo de dinheiro, não é o caso aqui. Guillermo é apaixonado e esses filmes são frutos dessa paixão, saem de seu coração".

O cineasta também explicou seu estilo de filmes e de trabalho. "Eu só sei fazer filmes de uma única maneira: pegar ideias impessoais pelo tema e torná-las pessoais. Filmes como este costumam parecer vídeos de recrutamente militar. O que eu estou fazendo mostra um mundo difícil de viver, sem cor, cheio de drama. Eu nunca tinha feito um filme nessa escala, mas tomei isso como um desafio pessoal - e consegui terminá-lo antes do prazo e abaixo do orçamento, sem sacrificar nada da minha visão artística. E sempre me senti tendo a melhor experiência cinematográfica da minha vida! Me diverti muito em cada etapa do processo".

Del Toro, porém, parece ter preferência pelos monstros gigantes em detrimento dos robôs - mas para demonstrar seus "sentimentos" ele criou uma maneira de relacioná-los diretamente aos seus pilotos. "Eu não confio em tecnologia, mas sou fascinado por ela. Eu dirijo o mesmo carro há 10 anos, ele tem nome, "El Guapo", e eu o amo. Vivemos em um mundo em que a tecnologia é criada para ser obsoleta. Eu não amo esse tipo de tecnologia. Eu só amo a tecnologia que está nas minhas lembranças, a que eu posso batizar. Em Pacific Rim, o design, a forma e função de cada robô, representa um tipo de personalidade. Os pilotos os batizam como navios eram batizados. Eu quero que você sofra a dor do robô, pois quando ele é ferido seus pilotos são feridos".

Os presentes aproveitaram a imprensa para explicar alguns dos personagens secundários. Ron Perlman - colaborador recorrente de Del Toro - explicou que seu personagem é um traficante de partes de kaiju, os monstros gigantes, para aplicações "medicinais e recreativas". Ele não tem escrúpulos e é amoral, um sujeito que vive e lucra com a guerra. "Eu conheço esse cara e escrevi o papel especialmente para ele. Eu sei do que ele gosta!", riu Del Toro.

Outro personagem, o cientista interpretado por Charlie Day, "vê a beleza nesses monstros e dedicou sua vida a estudar essas criaturas. Ele tem algumas ideias bizarras sobre os motivos dos ataques deles e sai em uma busca para tentar provar essa teoria".

Del Toro encerrou a conversa dizendo que a adaptação de Pinóquio ainda está procurando financiamento. "Mas estamos na fase de redesign. Só que não sei o que vou fazer a seguir. Pode ser que seja ele, pode ser que não. Aprendi que todas as vezes que falo extamente qual será meu próximo filme será eu não consigo fazê-lo", comentou, referindo-se ao período de anos que passou sem filmar depois que sua versão de O Hobbit e o filme Nas Montanhas da Loucura não deram certo.

A estreia de Pacific Rim está marcada para 10 de maio de 2013.