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Em possível despedida, Ozzy faz show digno de adeus

Com Zakk Wylde ao lado, príncipe das trevas entrega todo seu carisma

Julia Sabbaga
14.05.2018
01h04
Atualizada em
29.06.2018
02h44
Atualizada em 29.06.2018 às 02h44

Quando as luzes do Allianz Park se apagaram, pontualmente às 21h30, o público de Ozzy Osbourne mostrou o que é ser fã de verdade; o telão nem havia ligado quando o estádio inteiro veio abaixo, com uma plateia ensandecida pronta para ver o príncipe das trevas em sua – pouco provável – turnê de despedida, simpaticamente batizada de “No More Tours 2”. E o madman fez jus ao amor que transbordou do povo, em um show de quase duas horas, entregando seu tradicional carisma em um belo setlist.

Instagram/Reprodução

“Vocês estão prontos para enlouquecer?”, é a frase entoada por Ozzy assim que sobe no palco. Antes mesmo de começar a apresentação com “Bark At The Moon”, o vocalista já fez todo mundo gritar, e os pulos da plateia só aumentaram na sequência, com a arrebatadora “Mr. Crowley”. Ozzy era só sorrisos enquanto batia palmas e dava seus discretos pulinhos, inegavelmente impressionantes para um rockstar de 69 anos. Se o físico não é mais o que era antes, ninguém se importa: quem vê, sabe que o ancião, um dos fundadores do metal, dá o melhor de si. No fim de Crowley, Osbourne até ficou de joelhos e reverenciou o povo, agradecendo a presença expressiva.

O show de Ozzy Osbourne é acelerado e bonito de ver, com uma iluminação simples mas mais do que suficiente. “Fairies Wear Boots”, clássico do Black Sabbath que sofreu um pouco de um som abafado, rendeu a apresentação mais psicodélica do telão, e ainda foi complementada com o frontman correndo lentamente de um lado para o outro, agitando o público durante os trechos instrumentais de uma banda impressionante, que contou com a volta do guitarrista Zakk Wylde ao lado de Ozzy, além de Tommy Clufetos na bateria e Blasko no baixo.

As vaciladas vocais durante o show são algumas, mas na sexta música, quando apresentou como raridade o hit “No More Tears”, foi quando mais ficou claro que Ozzy ainda tem voz. Mesmo sem precisar cantar o título, porque a plateia carregou muito bem sozinha, o príncipe das trevas segurou todos os versos muito bem. O longo trecho instrumental também rendeu um momento de graça, quando durante o solo de Wylde, Ozzy agarrou nos cabelos loiros do guitarrista e lhe deu um beijo na testa. “War Pigs”, uma das mais arrebatadoras do show, fez o público gritar e entoar um belo coro, que rendeu sorrisos em Ozzy e Wylde, juntos no meio do palco.  A sintonia entre os dois músicos, aliás, chama atenção durante toda a performance, quando Ozzy incentiva os solos ou bate cabeça sem parar enquanto o músico segura a apresentação sozinho. No meio do show, quando o vocalista chega a deixar o palco (provavelmente para tomar um ar nos bastidores), Wylde rouba os holofotes ao descer para a plateia fazendo piruetas com a guitarra e até solo com a boca. Clufetos, que também teve sua chance de brilhar em um extenso solo assombroso, também recebeu gritos do público.

Quando voltou para o palco, depois de apresentar “Flying High Again”, “Shot In The Dark” e “I Don’t Want To Change The World”, que contou com apoio de vocal de Wylde, Ozzy alertou o público que faria sua última música: “mas se vocês gritarem muito, podemos fazer mais duas ou três!”. Dito e feito: com uma enlouquecida “Crazy Train”, Ozzy saiu do palco e recebeu um pedido de bis mais que digno da plateia, coisa rara de se ver em shows de hoje. Mesmo com os cantos do povo, Ozzy abusou do seu charme de vovô e cantou no microfone um “Ole Ole Olá” para si mesmo. Emendando uma das mais emocionantes performances da noite, “Mama I’m Coming Home” iluminou o estádio de verdade, ainda mais comovente pelo embalo de dia das mães. Depois de mil agradecimentos do vocalista, e uma promessa doce de nunca esquecer aquela noite, Ozzy fechou seu show no auge com “Paranoid”, provando que, se quisesse, a apresentação poderia se estender por mais uma hora. Pode ser que não tenha sido a última vez que veremos o príncipe das trevas por aqui, mas se foi, que belo adeus. 

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