Denzel Washington em cena de A Tragédia de Macbeth

Créditos da imagem: A24/Divulgação

Oscar

Notícia

Oscar 2022 marca evolução importante em busca por mais diversidade

Renovação da Academia segue surtindo efeitos, o que ajuda premiação manter relevância

11.02.2022, às 18H56.

Em 2015 e 2016, o Oscar atingiu um novo baixo ao conseguir, em dois anos consecutivos, não incluir um candidato não-branco sequer em suas categorias de atuação. Dando início, a partir daí, a um movimento de renovação e inclusão entre seus membros, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas conseguiu atingir avanços importantes nos últimos anos — o que ajudou a manter a cerimônia de premiação relevante e influente em um cenário onde o Globo de Ouro, por exemplo, segue literal e figurativamente cancelado enquanto evento físico.

Se os avanços na diversidade do Oscar não se mantiveram em constante evolução desde 2017 (em 2020, apenas uma atriz negra, Cynthia Erivo, foi indicada ao prêmio, na categoria de Melhor Atriz) a edição de 2022 marca uma evolução interessante em relação à cerimônia do ano passado. Em 2021, nove atores não-brancos figuraram entre os nomeados às principais categorias de atuação, configurando um recorde para a premiação. Se o número caiu para quatro neste ano, ele aumentou expressivamente em categorias pertinentes aos bastidores; desta vez, cineastas, produtores e mais profissionais da indústria, representantes de minorias, despontam com destaque.

A comunidade latina, por exemplo, começa a ser representada com pompa pelo cineasta duas vezes vencedor do Oscar Guillermo Del Toro, novamente lembrado pela Academia com indicação a Melhor Filme para seu nostálgico thriller O Beco do Pesadelo. Lin-Manuel Miranda, americano de ascendência porto-riquenha, pode atingir o cobiçado status EGOT (como vencedor de um Emmy, um Grammy, um Oscar e um Tony) caso sua composição “Dos Oruguitas”, de Encanto, leve a melhor na corrida por Melhor Canção Original. Aliás, o musical animado da Disney, sobre uma família mágica que vive na Colômbia, pode também dar destaque à produtora Yvett Merino, primeira mulher latina já indicada a Melhor Filme de Animação, e que é acompanhada na quebra de recordes pela compositora Germaine Franco — primeira latina indicada ao prêmio de Melhor Trilha Sonora Original. O diretor Carlos López Estrada fecha a lista, graças à indicação de Raya e o Último Dragão, também da Casa do Mickey, na mesma categoria que Encanto.

Um ano depois da cineasta chinesa Chloé Zhao se tornar a primeira mulher não-branca (e segunda mulher na história) a vencer o Oscar de Melhor Direção, por Nomadland (2020), Jane Campion desponta como favorita para se tornar a terceira por O Ataque dos Cães. Campion também conquistou marcas expressivas próprias só por ser indicada. A veterana neozelandesa fez história ao se tornar a primeira mulher a repetir uma indicação a Melhor Diretora (a primeira foi em 1993, pelo filme O Piano), em apenas uma das 12 indicações que seu filme, lançado pela Netflix, recebeu. Enquanto isso, o diretor japonês Ryûsuke Hamaguchi pode estender as honrarias concedidas pela Academia ao cinema de raiz asiática. Com a indicação ao cineasta de Drive My Car, realizadores asiáticos têm sido nomeados para a premiação há três anos seguidos (com o sul-coreano Bong Joon Ho figurando na lista, em 2020). Hamaguchi, entretanto, é o primeiro diretor japonês indicado desde Akira Kurosawa, em 1986.

A representatividade também foi destaque na categoria de Melhor Cabelo e Maquiagem, que pode emplacar vencedoras negras pelo segundo ano consecutivo, após as vitórias de Mia Neal e Jamika Wilson por A Voz Suprema do Blues (2020), em 2021. Isso porque a comédia abaixo da média Um Príncipe em Nova York 2 (2021) foi lembrada graças ao trabalho acima da média de Stacey Morris e Carla Farmer, nesse setor específico da produção.

E, então, chegamos às mais alardeadas categorias de atuação que, embora sejam menos inclusivas em número do que as do ano passado, permanecem ricas em marcas expressivas para as discussões de representatividade, diversidade e inclusão. Começando do começo, a indicação a Melhor Ator de Denzel Washington por A Tragédia de Macbeth o viu bater o próprio recorde como intérprete negro mais indicado ao Oscar, totalizando 10 nomeações e duas vitórias. Por seu trabalho em King Richard: Criando Campeãs, o já veterano Will Smith foi nomeado ao prêmio pela terceira vez como Melhor Ator, e pela primeira como produtor. O filme, sobre a infância das tenistas Venus e Serena Williams, também emplacou a nomeação da atriz Aunjanue Ellis ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, que ela disputa com a primeira atriz afro-latina já indicada à categoria, Ariana DeBose, de Amor, Sublime Amor. Abertamente queer, ela também contribui para uma maior representatividade LGBTQ+ na cerimônia, ao lado da indicada a Melhor Atriz por Spencer, Kristen Stewart.

E nem só de raça ou sexualidade é feita a conversa sobre diversidade: astro de No Ritmo do Coração, Troy Kotsur se tornou o primeiro ator surdo já indicado a um Oscar. Ele concorre à categoria de Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho ao lado da primeira atriz surda já indicada ao prêmio, Marlee Matlin, que venceu por Filhos do Silêncio (1986). No Ritmo do Coração também se torna um marco na diversidade da cerimônia por ser o primeiro filme de elenco predominantemente surdo já indicado na categoria mais cobiçada: Melhor Filme.

Enquanto ainda se posiciona como grande festa do cinema e da indústria cinematográfica americana, o Oscar tem conseguido — graças a uma agressiva renovação de seus membros que viu até a inclusão do astro brasileiro Wagner Moura entre os votantes — tornar-se cada vez mais global. O resultado, como as edições mais recentes vêm mostrando, é uma abertura da festa a mais mentes criativas internacionais, quer seus filmes sejam falados em inglês, como Nomadland, ou não, como Parasita (2019). Seja você um fã ou não dessas cerimônias frequentemente auto-aduladoras, é natural reclamar sobre a duração excessiva ou os momentos de desinteresse que se apresentam em quase três horas de cerimônia. Ainda assim, não é difícil concordar: há muitos anos o Oscar não era tão interessante quanto é hoje. Que fique ainda mais.

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