As mulheres no Oscar: conheça as indicadas aos prêmios técnicos

Créditos da imagem: Amy Sussman/Valerie Macon/Getty Images/AFP

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As mulheres no Oscar: conheça as indicadas aos prêmios técnicos

Grandes nomes ficaram de fora da categoria de Melhor Direção, mas diversas mulheres marcaram a lista geral

Julia Sabbaga
31.01.2020
15h43

Quando os indicados ao Oscar foram anunciados, uma das grandes discussões que se seguiu foi a ausência de mulheres na categoria de direção, apesar de grandes produções - como Adoráveis Mulheres, The Farewell ou Harriet - terem sido comandados por mulheres. 

Mesmo assim, o avanço vai aos poucos, e este ano a Academia bateu o recorde de mulheres indicadas na história, com 31% dos nomes, formando 62 nomeadas no total. Confira abaixo cada categoria e onde estão as discretas indicadas dos prêmios técnicos de 2020.

A 92ª cerimônia do Oscar acontecerá em 9 de fevereiro e, novamente, não terá um apresentador principal. Confira a cobertura completa do Omelete no site e as redes sociais.

Na categoria de Melhor Filme

A categoria de Melhor Filme geralmente é associada ao diretor do longa, mas os verdadeiros indicados ao Oscar são os produtores. Em 2020, a maioria dos filmes indicados trazem mulheres em sua produção, as exceções sendo Ford Vs. Ferrari, Parasita e História de um Casamento

Um dos destaques este ano entre as produtoras é Emma Tillinger Koskoff, frequente colaboradora de Martin Scorsese, indicada duas vezes, pela produção de Coringa e O Irlandês. Amy Pascal, conhecida pela produção de Homem-Aranha: De Volta ao Lar e indicada ao Oscar por The Post: A Guerra Secreta, está indicada por Adoráveis Mulheres

Outras mulheres na categoria são Jane Rosenthal por O IrlandêsChelsea Winstanley, tradicional produtora dos filmes de Taika Waititi, por Jojo RabbitPippa Harris e Jayne-Ann Tenggren por 1917, e Shannon McIntosh, produtora dos longas de Quentin Tarantino desde 2007, por Era Uma Vez em... Hollywood

Na categoria de Melhor Roteiro Original

Há apenas uma mulher indicada na categoria de Roteiro Original e, apesar de relativamente nova, ela parece ser um nome promissor. Krysty Wilson-Cairns, indicada pelo roteiro de 1917 ao lado de Sam Mendes, trabalhou apenas em curtas antes de se tornar uma das roteiristas da série Penny Dreadful. Seu primeiro trabalho no roteiro de um longa foi em 1917, que rendeu sua indicação ao Oscar, e este ano ela também trabalhou ao lado de Edgar Wright em seu próximo filme, Last Night In Soho. 

Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado

Em Roteiro Adaptado, também há apenas um nome, Greta Gerwig, por seu trabalho em Adoráveis Mulheres. Esta é a segunda indicação de Gerwig como roteirista, com o seu primeiro trabalho como diretora solo, Lady Bird: A Hora de Voar, tendo sido indicado a Melhor Filme e Melhor Roteiro em 2018.

Na categoria de Melhor Animação

Na categoria de Melhor Animação, existem duas produtoras indicadas, ambas em sua segunda indicação ao Oscar. Como Treinar O Seu Dragão 3: O Mundo Escondido traz Bonnie Arnold na produção, já indicada pelo segundo filme da franquia da Dreamworks, e Link Perdido, animação da Laika, traz Arianne Sutner, indicada em 2017 por Kubo e as Cordas Mágicas.

Na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira

Ao contrário da categoria de Melhor Filme, que leva ao palco do Oscar os produtores, a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira premia a realização do país recipiente e chama ao palco da cerimônia os diretores envolvidos. 

Este ano, a categoria foi uma das que mais chamou atenção em termos de mulheres indicadas, já que Honeyland, um filme da Macedônia dirigido por Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, se tornou o primeiro indicado tanto por Melhor Filme em Língua Estrangeira quanto por Melhor Documentário. 

Na categoria de Melhor Documentário

A categoria de Melhor Documentário traz mulheres envolvidas em cada um de seus nomeados. 

Como dito acima, Tamara Kotevska fez história no Oscar de 2020 ao lado de Ljubomir Stefanov pela direção de Honeyland, filme indicado tanto na categoria de Língua Estrangeira quanto em Documentário. 

Ainda, um dos fatores que mais chamou atenção aqui no Brasil foi a indicação do documentário Democracia em Vertigemlonga cobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que rendeu indicação à diretora brasileira Petra Costa. Ao seu lado, pelo mesmo longa, também está Joanna Natasegara, produtora britânica. 

O americano American Factory também traz indicação para a diretora Julia Reichert, o sírio-dinamarquês The Cave indicou duas produtoras, Sigrid DyekjærKirstine Barfod e o árabe For Sama indicou sua diretora, Waad Al-Kateab.

Na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem

Na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem, diversas mulheres também foram indicadas. 

O britânico Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl) rendeu indicações à diretora Carol Dysinger e à produtora Elena Andreicheva; o sueco Life Overtakes Me indicou a diretora Kristine Samuelson, que trabalhou ao lado de John Haptas; o americano St. Louis Superman indicou a diretora Smriti Mundhra ao lado de Sami Khan; e Walk Run Cha-Cha, também americano, rendeu indicações à diretora Laura Nix e a produtora Colette Sandstedt.

Na categoria de Melhor Curta Live-Action

Os indicados a Melhor Curta Live-Action nomearam três mulheres no total. O longa Brotherhood, uma colaboração do Canadá, Tunísia, Qatar e Suécia, indicou a diretora Meryam Joobeur e a produtora Maria Gracia Turgeon. O belga A Sister, por sua vez, rendeu indicação à diretora Delphine Girard

Na categoria de Melhor Curta em Animação

Entre os curta-metragens animados estão também alguns nomes femininos. 

Daughter, o curta tcheco, indicou sua diretora Daria Kashcheeva; o americano Hair Love nomeou sua produtora Karen Rupert Toliver; o curta americano da Pixar, Kitbull, indicou sua diretora Rosana Sullivan e a produtora Kathryn Hendrickson; e Sister, também americano, rendeu indicação à diretora Siqi Song.

Na categoria de Melhor Trilha Sonora

Amy Sussman/Getty Images/AFP

Na história, apenas sete mulheres já foram indicadas na categoria de Melhor Trilha Sonora, e em 202, a compositora de Coringa, Hildur Guðnadóttir, entrou para a curta lista. 

Guönadóttir não é exatamente nova na indústria, e já foi aclamada por seu trabalho em longas como Sicario: Dia do Soldado e A Chegada, além de ter recebido um Emmy e um Grammy por seu trabalho na trilha sonora da série Chernobyl. A trilha sonora de Coringa também já levou o Critics' Choice Awards e o Golden Globe.

Na categoria de Melhor Canção Original

A categoria de Melhor Canção Original inclui nomes estreantes e algumas veteranas da Academia. 

Pela música do filme Superação: O Milagre da Fé, "I'm Standing With You", a compositora Diane Warren recebe sua 11ª indicação; e por "Into The Unknown", faixa de Frozen II, Kristen Anderson-Lopez recebe sua 3ª. Ao lado do marido Robert Lopez, a compositora já ganhou o Oscar por outros dois trabalhos na Disney, a música "Let It Go", de Frozen, e "Remember Me", de Viva: A Vida é uma Festa.

Ainda, a atriz, cantora e compositora Cynthia Erivo, protagonista de Harriet, também foi indicada pela canção "Stand Up", ao lado de Joshuah Brian Campbell.

Na categoria de Edição de Som

Entre os indicados nas categorias de som, há apenas uma mulher, Rachel Tate, indicada pela Edição de Som de 1917. Tate serviu como supervisora de som no filme de Sam Mendes e tem créditos em produções como Jurassic World: Reino Ameaçado, Alien: CovenantPerdido em Marte e mais. 

Na categoria de Design de Produção

Quatro mulheres foram nomeadas na categoria de Design de Produção, com destaque para às indicações de Era Uma Vez em... Hollywood, que traz duas mulheres: Barbara Ling, que trabalhou também em Tomates Verdes FritosBatman & Robin, e a decoradora de set Nancy Haigh, que acumula oito indicações em sua carreira e já ganhou o Oscar por Bugsy.

Outras indicadas são Regina Graves, por O IrlandêsNora Sopková, por Jojo Rabbit

Na categoria de Maquiagem e Cabelo

Todas as mulheres que aparecem entre os indicados a Melhor Maquiagem e Cabelo marcam sua primeira menção na história da Academia. Os longas citados, 1917, Coringa e O Escândalo trazem duas mulheres indicadas. 

Por 1917 estão Naomi Donne e Rebecca Cole, por Coringa estão Nicki Ledermann e Kay Georgiou, e por O Escândalo estão Anne Morgan e Vivian Baker.

Na categoria de Edição

Na categoria de Melhor Edição, apenas uma mulher aparece, pela Edição de O IrlandêsThelma Schoonmaker é a editora colaboradora de Martin Scorsese, e trabalhou com o diretor em todos os seus filmes desde a sua estreia no cinema, em Quem Bate à Minha Porta? (1967).

Schoonmaker já recebeu oito indicações ao Oscar e venceu três, por seu trabalho em Touro Indomável, O Aviador e Os Infiltrados.