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Oscar 2020 | Tudo sobre Coringa

Concorrendo a 11 prêmios, história de origem do clássico vilão da DC é o líder de indicações

Mariana Canhisares
20.01.2020
14h00
Atualizada em
20.01.2020
14h43
Atualizada em 20.01.2020 às 14h43

Coringa foi um dos grandes marcos de 2019 no cinema. Ora aclamada, ora acusada de incitar atos violentos, a história de origem do icônico vilão da DC trouxe ingredientes diferentes ao que se convencionou nos filmes baseados em quadrinhos. Afinal, o filme abandonou as grandes sequências de ação e os efeitos especiais e, no seu lugar, mergulhou nos dilemas internos do seu protagonista.

Bem recebido nos importantes festivais de cinema pelos quais passou, parecia inevitável que o longa fosse lembrado ao menos em uma categoria pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. No anúncio de indicados, porém, ficou claro o impacto do longa em Hollywood. No total, foram 11 indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para Todd Phillips e Melhor Ator para Joaquin Phoenix.

Para que você entenda por que o filme foi o líder de indicações neste ano, confira tudo sobre Coringa:

SINOPSE

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros./Divulgação

Embora se proponha a fazer um estudo de personagem do icônico vilão da DC Comics, a trama Coringa tem pouca relação com qualquer uma das várias origens que o arqui-inimigo do Batman teve nas HQs e nas telas.

Segundo a descrição oficial, o longa “mostra um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Trabalhando como palhaço durante o dia, ele tenta a sorte como comediante de stand-up à noite... mas descobre que a piada é sempre ele mesmo. Preso em uma existência cíclica, oscilando entre a realidade e a loucura, Arthur toma uma decisão equivocada que causa uma reação em cadeia, com consequências cada vez mais graves e letais, nesta exploração ousada do personagem”.

TRAILER

ELENCO PRINCIPAL

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

JOAQUIN PHOENIX é Arthur Fleck | O protagonista é um aspirante a comediante que, durante o dia, trabalha como palhaço nas ruas de Gotham para ajudar sustentar a si mesmo e sua mãe, Penny. Diagnosticado com uma doença rara, Arthur ri involuntariamente e, por isso, carrega consigo um cartão para informar as pessoas que se sentirem incomodadas com o inconveniente. Em essência, ele é um homem solitário que sofre constantes abusos.

ROBERT DE NIRO é Murray Franklin | Ídolo de Arthur Fleck, Murray Franklin comanda um relevante talk show e é referência entre os comediantes de Gotham. É por causa do programa dele que uma apresentação ruim do protagonista viraliza e vira motivo de chacota, contribuindo para o aumento da insatisfação e tensão na vida de Fleck.

BRETT CULLEN é Thomas Wayne | Grande empresário de Gotham, o bilionário quer concorrer ao cargo de prefeito, mas tem seus planos atrapalhados após dar uma declaração infeliz sobre as manifestações populares que tomam conta da cidade. Nome conhecido dos fãs dos quadrinhos, Thomas Wayne é também aqui pai de Bruce. Porém, no filme, seu filho é apenas uma criança, ainda distante da figura do Batman. Ainda assim, Thomas é uma figura importante para a origem do Coringa, tendo ligações com a família de Arthur.

FRANCES CONROY é Penny Fleck | Penny Fleck é a mãe de Arthur. Na juventude, ela trabalhou para Thomas Wayne e sua família, por quem seguiu tendo muito carinho mesmo anos depois de sua demissão. Confiante de que o sentimento era recíproco, ela tentou contatá-los para pedir ajuda financeira quando a situação apertou, mas nunca obteve resposta. Por isso, entre seu expediente como palhaço e suas apresentações, Arthur precisa encontrar tempo para cuidar da sua mãe, que necessita de atenção especial.

ZAZIE BEETZ é Sophie Dumond | Mãe solteira, Dumont mora ao lado de Arthur e sua mãe. Após um encontro trivial no elevador, o aspirante a comediante se apaixona pela mulher.

DIREÇÃO E ROTEIRO

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Todd Phillips é o responsável pela direção do longa. O cineasta é mais conhecido pela trilogia Se Beber Não Case e a comédia Um Parto de Viagem. Em 2016, teve algum destaque com Cães de Guerra, produção estrelada por Jonah Hill e Miles Teller. Porém, Coringa é certamente seu grande trunfo.

Ele também assina o roteiro ao lado de Scott Silver, cujo currículo inclui 8 Mile: Rua das Ilusões, O Vencedor e Horas Decisivas. A dupla não se baseou em nenhuma HQ específica da DC para formular a história de origem do vilão. Mas, por terem usado o personagem criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, considera-se assim um roteiro adaptado.

REFERÊNCIAS

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Todd Phillips até faz menções a momentos do Coringa nos quadrinhos, mas as inspirações mais marcantes para a produção são certamente os filmes do diretor Martin Scorsese. Fã declarado do cineasta veterano - que chegou a ser convidado a produzir o longa, mas recusou a proposta -, Phillips incluiu cenas inteiras homenageando O Rei da Comédia e Táxi Driver. Há ainda easter eggs de Charles Chaplin e do filme O Operário.

ONDE VER?

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Coringa segue em cartaz em alguns cinemas, mas ele já está disponível nos serviços on demand para compra e aluguel no iTunes, Looke e Google Play. O filme será lançado em Blu-ray e DVD em 4 de fevereiro, no Brasil.

BILHETERIA

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Com orçamento estimado em US$ 55 milhões, Coringa já somou mais de US$ 1 bilhão no mundo inteiro desde sua estreia em outubro. Com esse resultado, o filme se tornou a produção baseada em quadrinhos mais lucrativa da história, segundo a Forbes. Somente nos Estados Unidos, foram arrecadados US$ 334,1 milhões; no Brasil, estima-se que tenham sido US$ 38,3 milhões.

PRÊMIOS QUE JÁ RECEBEU

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Além do Oscar, Coringa foi indicado a outras premiações. No Globo de Ouro, ele concorreu em quatro categorias e levou prêmio em duas: Melhor Ator de Drama (Joaquin Phoenix) e Melhor Trilha Sonora. No Critics' Choice Awards, ele disputou em sete categorias, mas foi reconhecido nas mesmas duas.

O longa também foi lembrado nas premiações dos Sindicatos. No PGA (Prêmio do Sindicato de Produtores), concorreu a um prêmio, mas perdeu para 1917. No SAG (Prêmio do Sindicato de Atores) disputou outros dois e saiu vitorioso na categoria Melhor Ator (Joaquin Phoenix). No entanto, a vitória mais importante até agora foi no Festival de Veneza, onde foi ovacionado e eleito o Melhor Filme da competição.

Até a cerimônia, que acontece em 9 de fevereiro, o filme pode ser premiado em outros eventos. No BAFTA, popularmente conhecido como o Oscar britânico, ele está indicado a 11 prêmios; e WGA (Prêmio do Sindicato de Roteiristas) a um.

INDICAÇÕES AO OSCAR

Joaquin Phoenix em Coringa
Warner Bros/Divulgação

Líder de indicações, Coringa disputa prêmios em 11 categorias do Oscar 2020. São elas:

MELHOR FILME | O filme concorre com outros 8 indicados: Ford vs Ferrari, O Irlandês, JoJo Rabbit, Adoráveis Mulheres, História de um Casamento, 1917, Era Uma Vez Em... Hollywood e Parasita.

MELHOR DIREÇÃO: Todd Phillips | O diretor concorre com Martin Scorsese (O Irlandês), Sam Mendes (1917), Quentin Tarantino (Era Uma Vez Em... Hollywood) e Bong Joon Ho (Parasita).

MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix | Propondo-se a ser um estudo de personagem, era essencial que Coringa encontrasse um ator que desse conta de se aprofundar na psique do vilão. Phoenix certamente foi a escolha perfeita, abordando a loucura do personagem-título com sensibilidade e uma fisicalidade única. Vale lembrar, porém, que o ator não é novato de indicações pela Academia. Na realidade, ele já concorreu outras três vezes: em 2001 como Melhor Ator Coadjuvante por Gladiador; e em 2006 e 2013 como Melhor Ator por Johnny & June e O Mestre, respectivamente. Ainda assim, seria injusto resumi-lo apenas a estes papéis com um currículo tão impressionante.

Phoenix concorre com Antonio Banderas (Dor e Glória), Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez Em... Hollywood), Adam Driver (História de um Casamento) e Jonathan Price (Dois Papas).

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Todd Phillips e Scott Silver | O trabalho da dupla concorre com O Irlandês, JoJo Rabbit, Adoráveis Mulheres e Dois Papas.

MELHOR FOTOGRAFIA | Coringa rendeu a Lawrence Sher sua primeira indicação ao Oscar. Além de trabalhar com Phillips nos filmes mais relevantes do cineasta, como Se Beber Não Case, o diretor de fotografia tem um longo currículo de comédias, como Eu Te Amo, Cara e O Ditador. Recentemente, ele trabalhou no blockbuster Godzilla II: Rei dos Monstros e já está confirmado em outra produção inspirada na DC Comics, Adão Negro. O filme disputa o prêmio com O Irlandês, O Farol, 1917 e Era Uma Vez Em... Hollywood.

MELHOR EDIÇÃO | O longa também marca a primeira indicação da carreira do editor Jeff Groth. Tendo trabalhado com Phillips em Se Beber, Não Case! Parte III e Cães de Guerra, ele também é responsável pela edição de Projeto X: Uma Festa Fora de Controle e A Última Ressaca do Ano. Coringa disputa com Ford vs Ferrari, O Irlandês, JoJo Rabbit e Parasita.

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM | Nicki Ledermann e Kay Georgiou são novatas de indicação ao Oscar. Chefe do departamento de maquiagem, Ledermann trabalhou nos longas O Irlandês e O Rei do Show. Já Georgiou, responsável pelos cabelos, esteve em Cadê Você, Bernadette? e Thor: Ragnarok. Suas carreiras se encontraram não apenas no Coringa, mas também em Rainhas do Crime. A dupla concorre com O Escândalo, Judy, Malévola: Dona do Mal e 1917.

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL | A compositora responsável pela trilha de Coringa é Hildur Gudnadottir, nome por trás de projetos como Sicário: Dia do Soldado e a série Chernobyl. Seu trabalho disputa o prêmio Adoráveis Mulheres, História de um Casamento, 1917 e Star Wars: A Ascensão Skywalker.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM | Vencedor de dois Oscars, um em 2007 por Cartas de Iwo Jima e outro em 2015 por Sniper Americano, Alan Robert Murray concorre por uma estatueta em Edição de Som pela 10ª vez. Seu currículo inclui produções como Sully: O Herói do Rio Hudson e Nasce Uma EstrelaCoringa concorre com Ford vs Ferrari, 1917, Era Uma Vez em... Hollywood e Star Wars: A Ascensão Skywalker.

MELHOR MIXAGEM DE SOM | Indicado duas vezes ao Oscar, Tom Ozanich é conhecido por seus trabalho em Nasce Uma Estrela, Sicario: Terra de Ninguém e Sniper Americano. Dean Zupancic, por sua vez, também tem uma boa coleção de indicações. Mais especificamente, três: As Crônicas de Nárnia, Nasce Uma Estrela e, agora, Coringa.

Tod Maitland é o mais indicado do grupo. Além de Coringa, foram três indicações pelos filmes Nascido em 4 de Julho, JFK: A Pergunta que Não Quer Calar e Seabiscuit: Alma de HeróiCoringa disputa o prêmio de Mixagem de Som com Ad Astra, Ford vs Ferrari, 1917 e Era Uma Vez em... Hollywood.