O Menino e o Mundo

Créditos da imagem: Divulgação

Filmes

Lista

Brasil no Oscar: relembre as indicações do país à premiação

Embora nunca tenha ganhado uma estatueta, o país tem um interessante histórico no maior prêmio do cinema

Mariana Canhisares
14.01.2020
12h36
Atualizada em
17.01.2020
19h36
Atualizada em 17.01.2020 às 19h36

O Brasil será representado no Oscar 2020 com o documentário Democracia em Vertigem. Mas, embora nunca tenha saído vencedor, desde 1945 o país tem um histórico interessante de indicações na premiação. Relembre-o a seguir:

1945: BRASIL

Pôster de Brasil
Divulgação

O compositor Ary Barroso foi o responsável pela primeira indicação do Brasil ao Oscar. Em 1945, sua música “Rio de Janeiro” disputou como Melhor Canção pelo filme Brasil, mas acabou perdendo para "Swinging On A Star", do longa O Bom Pastor.

1963: O PAGADOR DE PROMESSAS

Pôster de O Pagador de Promessas
Divulgação

Baseado na peça de Dias Gomes, O Pagador de Promessas rendeu ao Brasil sua primeira indicação a Melhor Filme Estrangeiro. Embora tivesse levado a Palma de Ouro em Cannes no ano anterior, o filme do diretor Anselmo Duarte não saiu vitorioso. A Academia preferiu premiar o longa francês Sempre aos Domingos.

1996: O QUATRILHO

Pôster de O Quatrilho
Divulgação

Demorou 30 anos para que o Brasil voltasse a ser indicado à categoria Melhor Filme Estrangeiro. O longa em questão foi O Quatrilho, do diretor Fábio Barreto. Mas quem saiu premiado foi A Excêntrica Família de Antonia, da Holanda.

1998: O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

Pôster de O Que é Isso, Companheiro?
Divulgação

Em 1998 o Brasil voltou a ser lembrado pela Academia pelo longa O Que é Isso, Companheiro?. Baseada no livro do jornalista Fernando Gabeira, a produção foi dirigida por Bruno Barreto, irmão do cineasta por trás de O Quatrilho. Mais uma vez, o Brasil perdeu para a Holanda na premiação, que levou a estatueta por Caráter.

1999: CENTRAL DO BRASIL

Pôster de Central do Brasil
Divulgação

Pelo segundo ano consecutivo o Brasil foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro. Embora Central do Brasil seja uma coprodução Brasil e França, o longa foi registrado na Academia como o representante brasileiro na competição. Dirigido por Walter Salles, o filme ainda rendeu uma indicação a Fernanda Montenegro. A atriz perdeu para Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado. Já o longa foi preterido por A Vida é Bela.

2001: UMA HISTÓRIA DO FUTEBOL

Pôster de Uma História do Futebol
Divulgação

O Brasil recebeu sua primeira indicação a Melhor Curta-metragem em 2001 com Uma História do Futebol, de Paulo Machline. A produção, baseada no livro de José Roberto Torero, acabou perdendo para Quiero ser (I want to be...), do México e da Alemanha.

2004: CIDADE DE DEUS

Pôster de Cidade de Deus
Divulgação

Estranho pensar que Cidade de Deus, um dos grandes filmes do cinema brasileiro, foi completamente ignorado pela Academia em 2003, quando foi indicado como representante do país. A organização, porém, voltou atrás no ano seguinte, colocando-o como candidato a Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Roteiro Adaptado. Infelizmente, o filme saiu da competição sem estatuetas.

2012: RIO

Pôster de Rio
Divulgação

"Real In Rio", a música original da animação do diretor Carlos Saldanha, tinha apenas um concorrente: "Man Or Muppet". Porém, a obra da a dupla de brasileiros Sergio Mendes e Carlinhos Brown perdeu para a composição do neozelandês Bret McKenzie.

2015: O SAL DA TERRA

Pôster de O Sal da Terra
Divulgação

O Brasil voltou a ser indicado ao Oscar graças ao documentário O Sal da Terra, que explora a vida e a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Juliano Ribeiro Salgado codirigiu a produção e levaria uma estatueta, em caso de vitória. Porém, Cidadãoquatro foi eleito o Melhor Documentário naquele ano.

2016: O MENINO E O MUNDO

Pôster de O Menino e o Mundo
Divulgação

A animação O Menino e o Mundo, do diretor Alê Abreu, foi indicada ao Oscar em 2016. A aventura do protagonista atrás do seu pai, embora tenha rendido um Annie Award ao país, não teve chance contra Divertida Mente, da Pixar.

2020: DEMOCRACIA EM VERTIGEM

Pôster de Democracia em Vertigem
Divulgação

Em 2020, o Brasil está representado no Oscar com o documentário Democracia em Vertigem, da diretora Petra Costa. A produção aborda o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a ascensão dos discursos de extrema-direita que levaram à eleição do presidente Jair Bolsonaro. O longa disputa a estatueta com American Factory, The Cave, For Sama e Honeyland.

OUTROS CASOS

Pôster de O Beijo da Mulher Aranha
Divulgação

1960: ORFEU NEGRO | Também conhecido como Orfeu do Carnaval, o longa do diretor Marcel Camus que adapta uma peça de Vinícius de Moraes venceu como Melhor Filme Estrangeiro, em 1960. Embora seja uma coprodução brasileira, na Academia o longa foi registrado apenas como um longa francês. Assim, a estatueta não passou nem perto do Brasil.

1979: RAONI | O documentário sobre o cacique Raoni e as tribos indígenas do norte do Brasil foi indicado ao Oscar em 1979. O longa é uma coprodução França, Bélgica e Brasil, com direção e roteiro do belga Jean-Pierre Dutilleux e do brasileiro Luiz Carlos Saldanha. Se premiado, porém, as estatuetas iriam para o trio de produtores Dutilleux, Barry Williams e Michel Gast, ou seja, nada de prêmio para o nosso país. A produção acabou perdendo para Scared Straight!.

1986: O BEIJO DA MULHER ARANHA | O Beijo da Mulher Aranha não é propriamente um filme brasileiro. Embora seu elenco esteja repleto de atores e atrizes daqui, esta coprodução Brasil e Estados Unidos é toda falada em inglês e é dirigida por um cineasta argentino naturalizado brasileiro, isto é, Héctor Babenco. O filme foi indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado. O ator William Hurt foi o único a levar a estatueta.

Pôster de Lixo Extraordinário
Divulgação

2004: AVENTURA PERDIDA DE SCRAT | Apesar de ser dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, o curta-metragem foi registrado na Academia como uma produção norte-americana. Ainda assim, se tivesse saído vencedora da categoria - o que não aconteceu -, Saldanha levaria para casa uma estatueta.

2005: DIÁRIOS DE MOTOCICLETA | Embora seja dirigido pelo brasileiro Walter Salles, Diários de Motocicleta envolveu muitos países (Argentina, Chile, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França) para ser considerado um longa propriamente brasileiro. Não bastasse isso, as indicações que recebeu ao Oscar foram todas a profissionais de outras nacionalidades. O portorriquenho José Rivera concorreu na categoria Melhor Roteiro Adaptado, enquanto o uruguaio Jorge Drexler disputou e venceu como compositor da Melhor Canção Original, "Al otro lado del río".

2011: LIXO EXTRAORDINÁRIO | Codirigido pelo brasileiro João Jardim, o documentário, ambientado em um lixão no Rio de Janeiro, trata do trabalho do artista também brasileiro Vik Muniz. Porém, na indicação da Academia, só foram listados a diretora Lucy Walker e o produtor Angus Aynsley, ambos britânicos. Então, mais uma vez, se a produção fosse eleita a melhor, o Brasil não sairia vencedor.

Pôster de Me Chame Pelo Seu Nome
Divulgação

2018: ME CHAME PELO SEU NOME | Indicado em quatro categorias, incluindo Melhor Filme, Me Chame Pelo Seu Nome contou com a produção do brasileiro Rodrigo Teixeira e sua produtora, a RT Features. Ainda assim, não se pode apontá-lo como um longa nacional. Trata-se de uma coprodução Itália, França e Brasil, dirigida pelo italiano Luca Guadagnino e falada em inglês e francês. Em 2018, o filme venceu apenas em uma categoria: Melhor Roteiro Adaptado.