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O Senhor dos Anéis | Os desafios de adaptar a obra de Tolkien para a TV

Amazon confirmou vários projetos que mostrarão os eventos antes de Frodo e cia.

Camila Sousa
17.11.2017, às 16H26
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H43
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H43

Remakes são comuns em Hollywood. Isso acontece o tempo todo com super-heróis, grandes franquias e adaptações de livros, que eventualmente voltam às telas de formas diferentes. Logo, não é tão surpreendente o anúncio da Amazon de investir em séries do universo de Tolkien, mostrando os acontecimentos antes de A Sociedade do Anel.

Mas existe - ou existia - algo diferente em O Senhor dos Anéis: Christopher Tolkien, terceiro filho do autor. Christopher editou e publicou vários livros do universo da Terra-média, sempre utilizando como base as anotações e informações deixadas pelo pai, que morreu em 1973. Mas ele sempre teve uma postura considerada “protecionista” em relação ao legado deixado pelo autor. Muitas vezes negou adaptações e produtos relacionados com O Senhor dos Anéis e é abertamente crítico às duas trilogias comandadas por Peter Jackson

Inclusive, os filmes só foram realizados por conta do produtor Saul Zaentz. Em 1969, Tolkien vendeu os direitos de adaptações cinematográficas de O HobbitO Senhor dos Anéis para a United Artists. Posteriormente, Zaentz comprou esses direitos e os cedeu à New Line em 1997. O filho de Tolkien não poderia fazer nada para impedir.

Porém, em agosto deste ano, Christopher deixou o comando do patrimônio do pai. A família Tolkien ainda está presente nos negócios através dos netos e de Priscilla Tolkien, outra filha do autor, mas todos eles são mais abertos para adaptações. O caminho da Amazon está livre e as possibilidades são imensas, mas tudo isso também chega com grandes desafios.

Alinhamento de planetas

A trilogia de O Senhor dos Anéis foi feita de uma forma que foge dos padrões de Hollywood até hoje. A produção começou em 1999, na Nova Zelândia, e os três filmes foram rodados de uma vez. Essa característica foi importante para o resultado nas telas, que mostrou consistência, um grande entrosamento de elenco e, de um modo geral, transmitiu aos fãs a magia que J.R.R. Tolkien colocou em mais de mil páginas de livro.

Peter Jackson e o elenco de O Senhor dos Anéis

Para uma série de TV ambientada na Terra-média funcionar, é preciso que a equipe tenha a paciência necessária para colocar os detalhes desse universo, uma das características que tornou a primeira trilogia tão rica.

Peter Jackson tinha o apoio necessário da New Line para fazer seu trabalho e adaptou o roteiro de forma interessante - a sequência da aranha gigante Laracna, por exemplo, acontece no segundo livro, mas aumentou com sucesso o clímax de O Retorno do Rei. Tudo convergiu para a trilogia dar certo e ela deu. O primeiro filme arrecadou US$ 871 milhões, o segundo, US$ 926 milhões e o terceiro teve bilheteria de US$ 1,1 bilhão. Os longas também foram premiados no Oscar, sendo que o encerramento da trilogia levou 11 estatuetas. É uma trajetória de sucesso que precisa de muito trabalho para ser repetida nas séries de TV.

Dinheiro e estúdios

Uma das grandes questões para a Amazon é o orçamento. Para conseguir efeitos que são pouco datados até hoje e um design de produção primoroso, O Senhor dos Anéis teve a participação ativa da Weta Workshop.

Comandada por Richard Taylor, a empresa fez desde efeitos visuais, até armaduras, cotas de malha, espadas, etc., tudo o que tornou a criação da Terra-média possível.

Claro que ela não é a única empresa de efeitos do mundo, e existem muitos especialistas em armaduras para filmes, mas havia uma paixão a mais em levar o mundo de Tolkien para as telas pela primeira vez. Se a Weta estiver envolvida novamente, é um alívio para os fãs.

Por enquanto, a Amazon parece disposta a desembolsar o que for necessário. Segundo o Hollywood Reporter, o projeto inteiro de cinco temporadas pode custar US$ 1 bilhão, valor inédito para a TV. Para comparação, a sexta temporada de Game of Thrones, que teve o episódio da Batalha dos Bastardos, custou US$ 100 milhões ao todo.

Em relação às histórias, há muito material que pode ser aproveitado - saiba mais. Como foi dito que as produções serão situadas antes dos eventos de A Sociedade do Anel, há O Silmarillion, que conta as origens da Terra-média, dos anéis de poder e a ascensão de Melkor, o senhor da escuridão antes de Sauron.

Há também a história de amor de Beren e Lúthien, o mortal e a elfa que se apaixonaram e viveram as mesmas dificuldades de Arwen e Aragorn. Existem ainda várias histórias sobre o passado dos elfos, homens, anões e hobbits da Terra-média. Todas as possibilidades pedem produções grandiosas.

J.R.R. Tolkien

Sobre a volta da equipe dos filmes, é improvável que isso aconteça e também não deve ser um medidor de qualidade. Sean Astin (Sam) e John Rhys-Davies (Gimli) já indicaram que não pensam em reprisar seus papéis na Terra-média. Peter Jackson tem em mãos atualmente um novo projeto, a produção de Mortal Engines.

Porém, de todas as coisas que tornaram os filmes de O Senhor dos Anéis sucesso, a maior delas é o amor pela obra de Tolkien. Jackson e Weta voltaram para a trilogia de O Hobbit e, apesar de seus pontos positivos, ela passou longe do grande sucesso dos primeiros longas. Havia interesse demais do estúdio em aumentar a história, fazer mais filmes e conseguir reviver algo sem ter suas próprias qualidades. A alma da Terra-média ficou em segundo plano.

John Ronald Reuel Tolkien participou da Primeira Guerra Mundial e vivenciou a Segunda ao ver seus filhos lutarem nela. Ele presenciou os maiores horrores causados pelo homem, mas conseguiu tirar disso um mundo incrível de fantasia, onde amizade, honra, amor e lealdade são mais importantes do que poder. Para a Amazon, que tem agora a oportunidade de mostrar tudo isso para um público novo e vasto, resta a responsabilidade de honrar tudo o que esse homem representa para a cultura pop e para o mundo.

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