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Conheça a história da animação de O Senhor dos Anéis lançada em 1978

Com nomes como John Hurt e Anthony Daniels no elenco de voz, produção usou a rotoscopia para levar a história de Tolkien para as telas pela primeira vez

Camila Sousa
15.11.2019
11h00
Atualizada em
15.11.2019
08h47
Atualizada em 15.11.2019 às 08h47

Engana-se quem pensa que a trilogia de Peter Jackson foi a primeira adaptação de O Senhor dos Anéis ao cinema. Antes disso, a história de Frodo ganhou uma animação lançada em 1978, que completa 41 anos de lançamento nesta sexta-feira (15). Ainda que a opinião dos fãs sobre o projeto não seja unânime - alguns gostam e outros detestam - o filme tem seus méritos por capturar o espírito lúdico da obra de Tolkien, especialmente sobre os hobbits.

O diretor Ralph Bakshi já era conhecido da área de animação por projetos como a série do Homem-Aranha (1968-1970). Grande fã da obra de Tolkien, ele tinha o sonho de fazer uma adaptação animada da história desde a década de 50, mas só conseguiu em 1978, depois que os direitos foram para a United Artists. Na época, Bakshi também já tinha feito sucesso nos cinemas com o longa O Gato Fritz (1972) e por isso ganhou confiança para realizar seu sonho. O projeto ganhou sinal verde após a United Artists descartar a ideia do roteirista John Boorman, que queria adaptar os três livros em um filme.

Ralph Bakshi propôs uma nova versão, contando os eventos de A Sociedade do Anel e o começo de As Duas Torres. Assim como a trilogia de Jackson, o longa animado tem algumas alterações na história. Por exemplo, não há a famosa passagem dos hobbits pela Casa de Tom Bombadil no caminho para Bree. Nos livros, o quarteto formado por Frodo, Sam, Merry e Pippin encontra um morador da floresta chamado Tom Bombadil, que gosta de cantar e conhece os poderes do Anel. Eles passam um bom tempo em sua casa, imaginando que poderão fugir do destino de destruir o objeto, mas eventualmente retomam sua jornada para encontrar Gandalf no Pônei Saltitante.

O cineasta se reuniu com Priscilla Tolkien, filha do autor, para discutir detalhes sobre a produção e garantir a ela que o projeto seria fiel aos livros de seu pai. Depois disso, ele começou a pensar nos detalhes da produção e, ao invés de usar desenhos mais comuns para a época, optou pela técnica de rotoscopia. Considerada como a precursora da captura de movimentos usada atualmente no cinema, a técnica permite desenhar em cima de quadros filmados na vida real. 

Com isso, a produção do filme economizou no orçamento - já que o departamento de animação já tinha uma base do que fazer - e permitiu que Bakshi fizesse grandes sequências de ação animadas, algo inédito para a década de 70. As gravações em live-action foram feitas na Espanha, com Billy Barty fazendo os papéis de Bilbo e Sam, Sharon Baird como Frodo, Felix Silla como Gollum, John A. Neris como Gandalf, entre vários outros profissionais. Já o elenco de voz conta com nomes como John Hurt como Aragorn e Anthony Daniels, o eterno C-3PO de Star Wars, como Legolas. O resultado foi uma animação com traços mais realistas do que o que era conhecido na época. 

A recepção nos cinemas foi dividida. Enquanto a produção teve um bom lucro de bilheteria, a crítica elogiou e criticou a produção, definindo-a como uma “boa tentativa” de fazer algo inédito. No Rotten Tomatoes, o filme tem 52% de aprovação da crítica de 64% do público, mostrando como não houve unanimidade. A ideia de Ralph Bakshi era lançar a produção de com o nome de O Senhor dos Anéis Parte I, para produzir a sequência depois, mas um novo filme nunca aconteceu. 

Homenagem de Peter Jackson ao filme animado

Foto de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel; Foto de O Senhor dos Anéis
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel/New Line/Divulgação; Foto de O Senhor dos Anéis/Fantasy Films/Divulgação

Atualmente muitos consideram a animação de O Senhor dos Anéis um cult. Nos comentários de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, o diretor Peter Jackson admitiu que viu a produção de Bakshi e ainda a homenageou na cena em que Odo Proudfood grita “Proudfeet!” durante o discurso de Bilbo em seu aniversário. 41 anos depois, a Terra Média está prestes a voltar em uma série feita pelo Amazon Prime Video, mostrando que a obra de Tolkien é eterna continuará ganhando versões - seja com os hobbits animados de Bakshi, ou com uma superprodução cheia de efeitos visuais.