Henry Cavill como Geralt de Rivia na série de The Witcher

Créditos da imagem: The Witcher/Netflix/Divulgação

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The Witcher | Entenda a origem e ambientação da série da Netflix

Seriado adaptará os livros de Andrzej Sapkowski ao invés dos jogos da CD Projekt RED

Arthur Eloi
01.07.2019
14h34
Atualizada em
04.07.2019
17h43
Atualizada em 04.07.2019 às 17h43

A Netflix finalmente divulgou a primeiras fotos da sua adaptação de The Witcher, apresentando o visual de Geralt (Henry Cavill), Yennefer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan). Considerando que muitos conheceram a franquia através de The Witcher 3: Wild Hunt, alguns detalhes do projeto podem causar um certo estranhamento - e é por isso que vale a pena entender mais sobre o material que será adaptado: os livros de Andrzej Sapkowski.

O bruxo caçador de monstros tornou-se um nome conhecido nos videogames ao protagonizar a trilogia de RPG da CD Projekt RED com Wild Hunt (2015), sendo considerado um dos melhores e mais populares jogos recentes - mas a história do Lobo Branco não começou aí. Na verdade, ela teve início no frio brutal do Leste Europeu, durante os anos 1980.

Raízes polonesas

Por mais que a vida não fosse fácil sob o comunismo, a Polônia - assim como a Rússia - tinha público para tramas de fantasia e ficção científica, tendo sido berço para clássicos como Solaris, obra de Stanislaw Lem de 1961. Com leitores interessados, surgiu em 1982 a revista Fantastyka, inteiramente dedicada à literatura de gênero. Como era publicada mensalmente, a equipe editorial costumava abrir diversos concursos de escrita para autores amadores - e foi ai que Geralt deu as caras pela primeira vez.

Publicado originalmente em 1986, o conto de Andrzej Sapkowski era batizado apenas de “Wiedźmin” (ou “O Bruxo” em tradução livre), e trazia uma ambientação um pouco mais cínica e pé-no-chão do que as jornadas épicas imortalizadas por J.R.R. Tolkien. Por exemplo: tratava-se de um mundo medieval como qualquer outro, mas repleto de humanos traiçoeiros e movidos em função de seus próprios interesses - e também infestado por criaturas, essas inspiradas pelo rico folclore eslavo. O autor não era tão chegado assim na ideia do homem comum enfrentando monstros: “Sapateiros pobres não matam monstros”, afirmou ao Eurogamer sobre outros contos populares da época. “Soldados e cavaleiros? Geralmente são idiotas. E padres só querem dinheiro e transar com adolescentes. Então quem mata monstros? Profissionais. Você não contrata um aprendiz de sapateiro para fazer seus sapatos, você contrata um profissional. E então eu inventei o profissional para matar monstros.

O conto publicado não venceu o concurso da revista, mas criou uma legião de fãs interessados na jornada deste profissional. Sapkowski então passou a escrever mais e mais histórias para Geralt ao longo da década de 1980, apresentando novas situações desafiadoras e personagens, com algumas dessas até mesmo sendo adaptadas para os quadrinhos. Mais tarde, essas tramas únicas - ambientadas sempre no mesmo universo - foram reunidas em duas coletâneas: O Último Desejo e A Espada do Destino. Esse é o ponto de partida para entender a série da Netflix.

A ambientação televisiva (e a diferença com os jogos)

A showrunner Lauren S. Hissrich (Os Defensores) já deixou claro que o projeto adaptará as origens da franquia, portanto a trama trará o bruxo vagando pelo mundo ao lado de sua égua Plotka e, seu melhor amigo, o bardo Jaskier. Parte da natureza do protagonista é como ele atende as várias camadas da sociedade, então isso o coloca tanto para realizar contratos para vilas atormentadas por monstros, ou até serviços para delicados para a realeza, como mostrado nos contos “O Bruxo” e “Uma Questão de Preço”. Além de personagens recorrentes, raramente há uma conexão maior entre essas pequenas histórias - mas o próprio Sapkowski mais tarde as contextualizou como parte do passado do bruxo, citando-as frequentemente enquanto a trama continuava de forma recorrente ao longo de cinco romances, todos publicados durante a década de 1990 no país europeu.

É certo que o programa pegará muito dessa trama contínua, inserindo as aventuras isoladas em meio à jornada de Geralt para cuidar de Ciri, unida a ele pelo destino após ajudar a rainha de Cintra em um contrato. Essa premissa já é mais familiar aos jogadores de Wild Hunt, que serve como uma continuação dos livros, mas é preciso entender que há grandes diferenças entre os games e o material-base - sendo a maior delas que os livros, especialmente os contos de O Último Desejo, se passam quase 30 anos antes do jogo de 2015.

Assim, muito do que é conhecimento básico para jogar a conclusão da trilogia serão grandes revelações para os espectadores da série, como a origem de Ciri, a relação entre Geralt e Yennefer, a presença da Caçada Selvagem e muito mais. Portanto, para quem já é experiente no jogo, o seriado (e, claro, os livros) serve como um bom complemento narrativo para conhecer melhor o bruxo, e também descobrir personagens apenas citados na outra mídia, como Cahir, Milva e muitos outros.

A série de TV de The Witcher terá oito episódios e é esperada ainda para 2019.