Cartaz oficial de The Umbrella Academy

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

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The Umbrella Academy | Elenco fala sobre mudanças feitas pela série da Netflix

Em entrevista ao Omelete, atores comentaram sobre química que têm em cena e os elementos do quadrinho original que influenciaram suas atuações

Nicolaos Garófalo
31.07.2020
19h22
Atualizada em
31.07.2020
21h55
Atualizada em 31.07.2020 às 21h55

Uma das principais inspirações para grandes produções de Hollywood há mais de 20 anos, a indústria dos quadrinhos é um poço praticamente infinito de personagens e histórias envolventes. Cada vez mais HQs de diferentes editoras são levadas à TV e ao cinema, quase sempre caindo nas graças do público, sejam traduções literais ou adaptações livres de materiais menos conhecidos por leitores casuais. The Umbrella Academy, série da Netflix inspirada na HQ de Gerard Way e Gabriel Bá, transformou o título “obscuro” da Dark Horse em um sucesso televisivo que chega à sua segunda temporada em 2020.

Embora preserve o tom único da HQ, a adaptação procura uma narrativa mais linear que a obra e, embora essa escolha possa incomodar fãs mais conservadores dos livros, ela abre portas para um público mais amplo, inclusive quem nunca teve contato com o quadrinho. “Sabemos que existe uma graphic novel e um programa de TV e que eles não serão exatamente iguais”, disse Steve Blackman, cocriador e showrunner de The Umbrella Academy, em entrevista ao Omelete. Sobre a mudança na maneira de contar a história dos irmãos Hargreeves, o produtor disse que vê cada temporada “como um filme de 10 horas, então eu quero que as pessoas que maratonam possam acompanhar tudo”.

Assim como ele, o elenco também olha de maneira mais livre para a obra de Way e Bá. David Castañeda, por exemplo, diz que a maneira como seu personagem, Diego, se movimenta na HQ foi um dos elementos mais importantes em sua atuação. “Eu olhava para sua silhueta nos quadrinhos, sua postura e maneira de andar. Os ombros dele parecem dobrados para a frente”. Em relação à personalidade do “Número 2”, o ator disse que seu jeito seco foi “melhor acessado” pelos roteiristas no segundo ano. Já Aidan Gallagher, que vive Cinco na adaptação, diz que os livros o ajudaram a se inserir no universo da série. “Quando você está atuando, fora da visão do público, é uma câmera e um monte de gente da equipe e, como ator, você precisa bloquear tudo isso e focar naquele momento”.

Não olhamos para o quadrinho como uma bíblia”, afirmou Tom Hopper, intérprete de Luther. “São histórias muito diferentes”. O ator, no entanto, confessa que levou diversos elementos das graphic novels para a sua atuação como o líder da Umbrella Academy, pois “era muito importante para mim captar muitas coisas da HQ que levou os fãs a amarem [os quadrinhos] e transferir isso para a tela. [Os leitores] são a base fundamental do público e, se não usássemos esses elementos, sinto que seria um erro”.

O modo como a história se desenrola não é, obviamente, a única diferença entre a série e os livros. Na segunda temporada, por exemplo, The Umbrella Academy tem uma trama importante sobre o movimento por direitos civis da comunidade negra norte-americana. Por mais que os novos episódios se passem nos anos 1960, eventos atuais de brutalidade policial mostram a importância que esses acontecimentos têm hoje em dia, mais de meio século depois. “Nós queremos imaginar que esses problemas não existem mais, mas ainda lidamos com racismo e homofobia”, disse Blackman. “É importante para mim que a gente não fingisse que essas coisas não existem e mostrar que isso é o mundo real. Eu não queria me esconder disso e a Netflix apoiou muito [essa decisão]”.

“[Com o 2ª ano] se passando nos anos 1960, o movimento pelos direitos civis são parte importante da temporada, assim como o romance entre Vanya e Sissy”, refletiu Ellen Page, que interpreta a “Número 7”. “Essas tramas que foram incluídas claramente ainda são relevantes, por causa do movimento Black Lives Matter [que protesta contra a violência policial contra cidadãos negros], a quantidade de discursos e leis anti-LGBTQI+ e eu espero que, por causa do amor que as pessoas têm pela série, que [o público] se conecte com a história. Saber que essa representatividade se espalhará é algo muito positivo”. Responsável por dar vida a Ben, Justin H. Min disse que uma das coisas que mais adora em The Umbrella Academy é como a série discute problemas reais sem necessariamente mostrá-los de maneira explícita. “Não é como se o arco de Klaus na temporada fosse sobre lidar com homofobia ou sua sexualidade, mas isso faz parte de quem ele é, está em seu DNA. Acho que só de mostrar isso de uma maneira realista, damos voz e visibilidade a pessoas que não conhecemos ou não vimos antes. A beleza da série é que ela não é exatamente sobre [preconceito], mas traz uma representação realista de quem essas pessoas são”.

Boa química dentro e fora do set

Ainda que altere diversos elementos da HQ, a adaptação mantém uma das características cruciais da série: a química entre os sete personagens principais. Apesar do elenco relativamente numeroso, os atores têm uma ótima relação pessoal e essa amizade se reflete de maneira palpável na frente das câmeras. “Nunca parece trabalho quando estamos todos juntos no set”, disse Emmy Raver-Lampman, a Alisson de The Umbrella Academy. “O tempo parece que voa, porque nós rimos, fazemos piadas, brincamos. Eu amo ver a construção da cena ao longo do dia, porque vamos nos acostumando com nossos respectivos lugares e isso é muito divertido”.

Existe algo fantástico na nossa química, porque chegamos a um ponto [durante as gravações] em que estamos apenas aproveitando a companhia um do outro no set e têm muitos momentos da segunda temporada em que podemos ver isso”, acrescentou Hopper. “É muito bom estar entre atores que se entendem e que entendem seus personagens. Parece natural, é brilhante”.

Eu diria que toda a química sexual está lá, mas brigamos menos [na vida real]”, brincou Robert Sheehan, que dá vida a Klaus. “Especialmente quando [Min] está me levantando antes das tomadas pra acelerar sua circulação”. “Fica quente e pesado”, concordou Min.

Mantendo o tom divertido e traduzindo com maestria a relação entre os personagens, não se pode dizer que The Umbrella Academy é uma adaptação ruim da HQ de Way e Bá. Mesmo que não leve quadro a quadro das páginas para a TV, a série entende a atmosfera da graphic novel e remonta sua narrativa de uma maneira agradável tanto para novos fãs, quanto para leitores que acompanham as histórias dos irmãos Hargreeves desde 2007.