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Pacific Rim chega ao anime em clima de fim de mundo, com The Black

Círculo de Fogo se aproxima de Mad Max em série na Netflix

Marcelo Hessel
02.03.2021
17h33
Atualizada em
03.03.2021
14h14
Atualizada em 03.03.2021 às 14h14

A batalha contra os kaijus em Círculo de Fogo já foi perdida, e o que restou são os espólios de guerra. Pelo menos é o que sugere o recorte de Pacific Rim: The Black, o primeiro anime da franquia, que dá continuação aos dois longas-metragens. A série da Netflix elege dois jovens como protagonistas que tentam sobreviver à margem do grande palco geopolítico da guerra, e o ponto de vista dos irmãos heróis - que têm seu próprio jaeger mas ficam alienados do que acontece além das fronteiras da sua terra desolada - sugere uma nova realidade em Círculo de Fogo que é francamente pós-apocalíptica.

A “zona escura” do título é a área em torno da cidade de Meridian, bombardeada no primeiro episódio depois que a Pan Pacific Defense Corps declara que o continente australiano foi perdido para os monstros extradimensionais. Filhos de pilotos de jaeger, os protagonistas Hayley e Taylor são evacuados e vivem por cinco anos em um oásis no meio do deserto, até que descobrem um jaeger de treinamento numa base abandonada e decidem (depois de perdas significativas para um kaiju devastador) montar no jaeger e tentar alcançar Sydney, para entender o que aconteceu com seus pais - e com a guerra como um todo.

Se Círculo de Fogo no cinema já fazia uma releitura de hits japoneses mais palatável para os gostos ocidentais, essa impressão se reforça no desenho, que apresenta soluções visuais e personagens que parecem saídos (e simplificados) diretamente de Evangelion. The Black tem produção americana (Greg Johnson é um dos criadores de X-Men Evolution e Craig Kyle já trabalhou bastante com a Marvel em HQs e desenhos) mas toda a animação é feita pelo estúdio japonês Polygon, que investe pesado em renderização cel-shading para valorizar as cores e o “valor de produção”. As batalhas colossais são poucas, mas vistosas.

Quem espera um mergulho sci-fi na mitologia de Círculo de Fogo, porém, pode se decepcionar - pelo menos a julgar pelos três primeiros episódios (de um total de sete nesta primeira temporada), que o Omelete já viu. Os kaijus surgem em cena o tempo todo e inclusive há monstros carniceiros menores povoando essa terra devastada; a série não investiga a brecha interdimensional nem os Precursores, os criadores dos kaijus. Há pequenas sugestões de bioengenharia, como nos filmes, mas a escala é consideravelmente menor. Acima de tudo, é a ambientação na Austrália que parece influenciar os criadores: estamos num domínio mais próximo de Mad Max do que Guillermo Del Toro imaginava em 2013.

Então voltamos aos espólios: mercado negro de ovos de kaiju e de peças de jaeger,  personagens lidando com traumas passados, gangues unindo-se para sobreviver como dá num futuro sem esperança. O contexto da trama é modificado para se aproximar do gênero pós-apocalíptico e, de quebra, isso justifica uma história que é muito mais periférica e, como tal, não necessariamente influencia os rumos da franquia caso Círculo de Fogo retorne um dia para o cinema. A historinha de Hayley e Taylor demora para engrenar e não são personagens particularmente cativantes, mas a decisão de dar atenção a um canto esquecido do mundo de Pacific Rim numa pegada Mad Max não deixa de ser esperta. 

Uma segunda temporada de The Black já foi encomendada, então podemos esperar um desdobramento dessa narrativa, que tem seus pequenos mistérios envolvendo bioengenharia kaiju. A estreia da primeira temporada acontece nesta quinta-feira na Netflix.

 

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