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Netflix aposta em animes para expandir audiência e catálogo de séries originais

Liberdade criativa aliada a tecnologia é o trunfo da empresa para vencer também nesse nicho

Thiago Romariz
02.08.2017
09h26
Atualizada em
04.07.2019
17h43
Atualizada em 04.07.2019 às 17h43

A Netflix mobilizou boa parte da imprensa internacional para realizar um evento em Tóquio, onde anunciou algumas novidades relacionadas ao seu catálogo de animes. Entre os inéditos Godzilla, Devilman Crybaby e uma nova série de Os Cavaleiros do Zodíaco, a empresa deixou claro que pretende expandir a audiência neste setor, que tem no Brasil um de seus principais focos. “Queremos levar a experiência de assistir a um anime para outro nível, ao mesmo tempo que aumentamos o número de pessoas que terão acesso ao nosso serviço”, disse o chefe da Netflix no Japão, Greg Peters.

O executivo abriu o evento com uma apresentação que mostrou as melhorias do serviço ao longo dos anos. “Hoje temos o que há de melhor na experiência de vídeo com streaming em 4K e sim com Dolby Atmos. O consumidor da Netflix pode ter uma experiência tão boa quanto em qualquer outro espaço de entretenimento. Nossa ideia é que daqui um tempo nós consigamos evoluir a tecnologia a ponto de nos tornarmos o melhor lugar, ultrapassando qualquer plataforma”, opinou Peters, que reforçou também a melhoria do serviço em lugares com internet precária. “Uma pessoa com uma internet de 150kbps hoje consegue ter uma boa experiência”, disse, ao mostrar na tela uma nova tecnologia que deixa os vídeos da Netflix ainda melhores em conexões ruins.

Todo o discurso baseado em tecnologia e acessibilidade é o pano de fundo para o verdadeira objetivo da empresa: personalizar o consumo de cada assinante. Atualmente, a Netflix possui mais de 215 milhões de perfis espalhados pela rede, que permitem uma identificação precisa do que a audiência gosta e quer ver. “Deixamos o serviço do jeito que o consumidor quer. A partir do que ele assiste conseguimos identificar o que será melhor aceito e, consequentemente, podemos levar novas histórias para uma nova audiência”, completou Peters.

Com isso em mente, a Netflix pretende aumentar a audiência de seu já grande catálogo de animes. A ideia, segundo Peters, é não só agradar aos fãs ardorosos de animes classicos, como agregar mais pessoas a esse nicho. “Apesar do Japão ser o maior consumidor de animes do mundo, a audiência deles é grande em vários outros lugares do mundo. América do Sul, por exemplo”, disse, mostrando um mapa que coloca o Brasil como um dos maiores consumidores deste tipo de produto no serviço. “Temos parcerias com mais de 50 estúdios no Japão na intenção de licenciar séries clássicas e criar animes originais. O intuito é que sejamos o melhor lugar para os criativos, onde eles terão a condição perfeita para contar a melhor história possível”, finalizou Peters.

A segunda parte da apresentação veio para corroborar o discurso de liberdade criativa aliada à tecnologia tão alardeado por Peters. Adi Shankar, produtor da série animada de Castlevania, subiu no palco para fazer declarações de amor à empresa. “Tentei por 10 anos fazer essa série, mas não consegui nos EUA, pois lá eles acham que animações é coisa de criança. A Netflix respeitou os fãs e deixou fazermos a série que queriamos. Foi a melhor experiência que tive em Hollywood”, elogiou o produtor, que já está desenvolvendo os oito episódios da segunda temporada. “Prometo mais ação com chicote e novos personagens. E que Trevor morrerá logo nos primeiros episódios”, brincou. “Mentira, isso é uma piada”, continuou.

A iniciativa da Netflix é um avanço significativo para as audiências fora do Japão. Líder no segmento, o serviço pode trazer ao Brasil, por exemplo, séries que dificilmente chegariam oficialmente ou teriam um atraso considerável. A magnitude da companhia pode popularizar ainda mais animes que hoje são um sucesso estrondoso dentro do nicho. Em relação à produções originais, a situação é mais favorável que a do cinema, onde existe uma discussão sem fim sobre o verdadeiro valor da tela grande. No caso dos animes, a empresa aparece como uma opção de expansão para essa parte da indústria, que se mostra cada vez mais relevante e tem uma base de fãs extremamente fiel. Nos próximos meses, quando os lançamentos anunciados chegarem à plataforma é que veremos quão certeira é essa nova e promissora aposta da Netflix.

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