Ellie Kemper e Daniel Radcliffe em Kimmy vs. the Reverend

Créditos da imagem: Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo/Netflix/Reprodução

Netflix

Artigo

Depois de Bandersnatch, Netflix usa interatividade na comédia com Kimmy Schmidt

Além de mandar personagem em nova aventura contra o Reverendo, especial marca nova tentativa do streaming de explorar a tecnologia para contar histórias

Mariana Canhisares
05.08.2020
17h39
Atualizada em
06.08.2020
12h33
Atualizada em 06.08.2020 às 12h33

Enquanto as produtoras de videogames investem cada vez mais em promover experiências cinematográficas com seus jogos, a Netflix mira na direção oposta, isto é, gradualmente aplica a interatividade dos jogos nos seus conteúdos. A ideia desta “gamificação” é deixar na mão do espectador as decisões dos personagens das suas séries e filmes preferidos, uma espécie de exercício de empatia mais literal, que não se tem nas salas de cinema.

O resultado com Bandersnatch, sua primeira tentativa em aplicar essa mecânica no seu catálogo adulto, foi um um sucesso no mundo todo, trazendo o público para refletir sobre os difíceis conflitos éticos do universo de Black Mirror. Logo, não é de se estranhar que os esforços para contar novas histórias neste formato continuem. Neste ano, o serviço de streaming oferece uma nova experiência aos assinantes, mas que não poderia ser mais diferente da proposta por Charlie Brooker em 2018. Esqueça a tensão e a melancolia do primeiro especial. Aplicando a interatividade pela primeira vez em uma comédia, a Netflix coloca o espectador agora no universo otimista e colorido de Kimmy Schmidt em Kimmy x Reverendo.

Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo/Netflix/Reprodução

Depois de ver seu livro infantil virar um sucesso mundial, Kimmy (Ellie Kemper) está lidando com os preparativos finais do seu casamento com o príncipe Frederick (Daniel Radcliffe) quando descobre um livro escondido na sua mochila - um livro, veja só, em que o leitor decide os rumos da história. Mas o que parecia apenas uma distração agradável acaba se revelando uma descoberta preocupante: há na obra uma pista de que o Reverendo (Jon Hamm) montou mais de um bunker, ou seja, há mais mulheres toupeiras confinadas por aí, mesmo anos depois da prisão do seu sequestrador. E, claro, Kimmy não deixará essa revelação ficar por isso mesmo, partindo em uma aventura para resgatar as vítimas.

A premissa pode parecer um pouco trágica - e o especial sabe bem como brincar com isso -, mas a nova produção retoma aquele humor único de Unbreakable Kimmy Schmidt e, mais interessante ainda, o aplica nos pontos de decisão que se apresentam aos espectadores. Para Andy Weil, vice-presidente de Aquisição de Comédias da Netflix, que também trabalhou em Bandersnatch, esta foi a principal diferença com relação ao especial de Black Mirror.

"Foi um desafio incrível”, afirmou em entrevista ao Omelete. “Antes das filmagens, eles [os criadores Tina Fey e Robert Carlock] gravaram no escritório um ponto de escolha roteirizado com o ritmo tradicional da série. Não dava para ouvir as piadas e tomar as decisões". Por isso, a equipe decidiu que nestes momentos o especial daria uma desacelerada. “Há mais piadas visuais, como a Jacqueline tomando smoothie por muito tempo. E acho que eles se divertiram brincando com esses pontos de escolha”.

Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo/Netflix/Reprodução

Mas, além de representar uma nova maneira de pensar a comédia da série, as escolhas significam também mais cenas para planejar. Para Carla Engelbrecht, diretora de Inovação de Produtos do streaming, a pré-produção de um especial desses é realmente mais trabalhosa do que um filme tradicional. “Normalmente, você faz um storyboard linear do que está acontecendo. Agora, temos múltiplas paredes envolvidas para mapeá-la. Além disso, gastamos muito tempo no software com os times para descobrir o alicerce da história”, explicou. Porém, quando chega a hora de filmar, o processo é o mesmo - quer dizer, quase.

Primeiro, por ser evidentemente mais longo. Depois, porque os atores precisaram se ater mais ao roteiro. “Teve um pouco de improviso, mas tínhamos que ter certeza de que seguimos o roteiro, obviamente por causa dos pontos de escolha”, contou Weil sobre os bastidores. “Mas eles se divertiram. Existe um compilado de erros de gravação escondido em uma parte do filme... Sugiro que vocês continuem explorando”.

A Netflix, por sua vez, pretende continuar explorando essa interatividade nas suas produções. “Estamos trabalhando em mais especiais, principalmente dentro de gêneros. Estamos experimentando para entender o que significa usá-lo no terror, em um romance…”, contou Engelbrecht. Depois de Bandersnatch e Kimmy Schmidt, qual será a nova aposta do streaming?

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