Tudo Bem no Natal que Vem

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Tudo Bem no Natal que Vem

Leandro Hassum carrega um saco cheio de referências na primeira produção brasileira de Natal da Netflix

Henrique Haddefinir
03.12.2020
11h42

 

Chega ao catálogo da Netflix o primeiro filme de Natal produzido inteiramente em solo brasileiro e que é parte do grande investimento da plataforma em títulos do gênero. Tudo Bem no Natal que Vem chega como um produto natalino padrão, que promete diversão e boas mensagens sem ousar demais, e ao mesmo tempo é uma comédia de erros típica da produção popular nacional - nessa mistura, os responsáveis pelo longa entregam um filme nervoso, que atira para todos os lados.

Tudo Bem no Natal que Vem tem um argumento promissor e que, apesar das semelhanças com outros filmes, reserva uma abordagem inusitada: Jorge (Leandro Hassum) é um Grinch, odeia o Natal e tudo que ele representa. Na celebração do ano de 2010, ele cai do telhado e sua consciência daquele dia só acorda de novo na véspera do Natal de 2011. Ou seja, ele vive o ano inteiro normalmente, mas para seu cérebro - e seu azar - o único dia em que ele está desperto de verdade é a véspera de Natal, ano após ano.

O roteiro surpreende estabelecendo as regras desse Dia da Marmota natalino. Quando Jorge desperta no dia 24, ele passa o dia inteiro tentando resolver as porcarias que fez no resto do ano, já que quando acorda no dia 25 não se lembra mais do dia 24. A dinâmica mantém as duas personalidades de Jorge bem separadas. O roteiro de Paulo Cursino enche a vida do personagem de parentes exagerados, e o filme trabalha em torno desse grande terreno de possibilidades de situações novas. A cada ano, quando o “Jorge do Bem” acorda, são as relações mudadas com os familiares que tonalizam o filme. É o bom e velho feitiço do tempo a serviço de um conto moral, em que o protagonista encara a consequência direta das decisões que toma na vida.

Farofa Natalina

Hassum e companhia não mudam muito sua fórmula, nessa migração para a Netflix. Diretor de sucessos como De Pernas Pro Ar, Roberto Santucci traz sua linguagem direta, quase televisiva, que depende essencialmente do trabalho dos atores e do texto, e sua parceria com Paulo Cursino é afinada. Com Hassum, os dois já fizeram O Candidato Honesto (2014) e a franquia Até Que a Sorte Nos Separe (2012), e até a presença de Danielle Winits em cena com Hassum deixa o novo filme com cara de déjà vu.

A familiaridade é central aqui. Desde a premissa (marido estressado às vias da separação com a mulher) até o enredo que explora diferentes versões das mesmas personas, Tudo Bem no Natal que Vem parece não apenas reciclar ideias como partir mesmo para a autorreferência. Em determinados pontos, o filme vai buscar nos signos do subgênero natalino outras várias formas de conexão com o que já está estabelecido no mercado. Ao final, a sensação é de que o espectador viu vários filmes em um, todos eles em reprise.

A presença de Hassum é central nessa reunião eficaz de elementos. A exemplo de Adam Sandler e The Rock, quando usam suas personas conhecidas em filmes-família, Hassum é a garantia do conforto. Lá está o ator de comédias que todos conhecem, parte Grinch, parte Nicolas Cage em Homem de Família (2000) e parte Natasha Lyone em Boneca Russa (2019). Todas as reviravoltas de Tudo Bem no Natal Que Vem e seus vários saltos de encontros e desencontros só servem para levar ao mesmo resultado que todos conhecem - e esperam.

Tudo Bem no Natal que Vem
Tudo Bem no Natal que Vem

Ano: 2020

País: Brasil

Duração: 100 min min

Direção: Roberto Santucci

Roteiro: Paulo Cursino

Elenco: Louise Cardoso, Danielle Winits, Leandro Hassum

Nota do Crítico
Bom

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