Natalia Tena e Quim Gutierrez em Te Quiero, Imbecil/Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Te Quiero, Imbécil

Comédia romântica espanhola conquista pela sátira ao significado da expressão “homem moderno”, embora não escape de alguns clichês

Nicolaos Garófalo
26.05.2020
20h55

35 anos. Desempregado. Moro com meus pais. Mulheres me ignoram. Minha namorada me deixou”. É assim que Marcos (Quim Gutiérrez) se descreve no começo de Te Quiero, Imbécil, nova comédia romântica da Netflix. Desamparado ao perder um trabalho aparentemente estável e tomar um fora depois de oito anos de namoro com Ana (Alba Tibas), o rapaz decide retornar à vida de solteiro, com a qual nunca teve muita prática. Estrelada também por Natalia Tena (Harry Potter; Game of Thrones), a produção mostra os altos e baixos da vida pós-término e a dificuldade para reencontrar uma identidade própria.

Seguindo os conselhos de um perturbado coach de internet (Ernesto Alterio), Marcos se reinventa aos poucos como jornalista esportivo, emprego arranjado pelo descolado amigo de infância, Diego (Alfonso Bassave). Embora pareça uma típica comédia sobre transformação estética, como Ela É Demais (1999), Te Quiero, Imbécil usa a trama para ironizar “homens modernos” que disfarçam suas personalidades apenas para conquistar mulheres.

Ao mesmo tempo, o longa enaltece a liberdade sexual feminina encontrada no século XXI, sem apelar para objetificação. Graças ao olhar da diretora Laura Mañá, Raquel (Tena), outra colega de infância de Marcos, tem desenvolvimento muito além da típica “amiga com uma queda” e encanta por sua personalidade espontânea e carisma de sobra. A partir da personagem, a cineasta vira de cabeça para baixo o lugar-comum da mulher puritana que se apaixona pelo garanhão e dá muito mais naturalidade a Te Quiero, Imbécil.

Por outro lado, os roteiristas Abraham Satre e Iván Bouso não conseguem fugir de alguns clichês do gênero. Seja a obrigatória briga causada por um mal-entendido no fim do segundo ato ou os atos inspirados de amor, a dupla carrega o filme com histórias requentadas de Hollywood. Essa grande sensação de repetição, presente desde o término entre Marcos e Ana, torna o longa previsível e incomoda especialmente no terceiro ato.

Te Quiero, Imbécil, por sorte, conta com um trabalho divertido de seu elenco. Enquanto as quebras da quarta parede feitas por Marcos podem ter sido concebidas para capitalizar no sucesso de Fleabag, Gutiérrez traz personalidade e graça a essas cenas, usadas com moderação. Já Alterio não se censura ao viver o coach de YouTube Sebastián Vennet e, assim como o espectador, se diverte com os conselhos absurdos que dá para a câmera.

Charmoso, Te Quiero, Imbécil não traz nada realmente inovador para o gênero de comédia romântica. Ainda assim, é um filme fofo, divertido e com diferenciais o bastante para se destacar entre outras escolhas do gênero disponíveis na Netflix.

Nota do Crítico
Bom