Perdidos no Espaço - 2ª temporada

Créditos da imagem: Netflix/Reprodução

Netflix

Crítica

Perdidos no Espaço – 2ª temporada

Com efeitos visuais de alto nível, série retorna com narrativa dinâmica e aventuras ainda mais empolgantes

André Zuliani
17.01.2020
12h57
Atualizada em
17.01.2020
15h03
Atualizada em 17.01.2020 às 15h03

Produzir um reboot de uma série de sucesso mundial não é uma tarefa fácil. Quando a Netflix anunciou que Perdidos no Espaço, uma das mais icônicas do século XX, ganharia uma nova versão no serviço de streaming, era natural que alguns fãs da franquia ficassem temerosos. A primeira temporada estreou em 2018 e apresentou uma leitura atualizada da família Robinson, mas que manteve a qualidade e o espírito que fez da série uma das mais aclamadas da TV estadunidense.

Encarregada de continuar com a narrativa envolvente do ano inicial, a segunda temporada não decepciona. O primeiro episódio mostra John e sua família sete meses após a Júpiter 2 desaparecer em um buraco negro e dar de cara com um planeta desconhecido. No início, a narrativa não difere muito do que foi visto antes. Os integrantes da família Robinson se esforçam para encontrar uma maneira de retornar à nave Resolute e finalmente chegar a Alpha Centauri, futuro destino dos habitantes da Terra. Passados os obstáculos iniciais, novos conflitos se iniciam, passando para uma sucessão de aventuras eletrizantes que tiram o fôlego dos espectadores – e dos personagens.

Com o perfil de cada protagonista já bem estabelecido, o novo ano se permite explorar ainda mais a relação de cumplicidade entre o elenco principal. A química entre todos melhora a cada episódio e é nítido como cada um deles está confortável em seu papel. Do pequeno e corajoso Will (Maxwell Jenkins) à inteligente e traiçoeira Dr. Smith (Parker Posey), todos têm o seu momento de brilhar e não desapontam. Parte importantíssima da série original, o Robô também ganha mais profundidade e mais detalhes da sua origem são revelados. É prazeroso ver o seu amadurecimento aos olhos de Will, mantendo a dinâmica da dupla como um dos grandes acertos da produção.

Diferente da primeira temporada, quando alguns episódios tinham em torno de 60 minutos de duração, os showrunners Matt Sazama e Burk Sharpeless optaram por roteiros mais enxutos no novo ano, o que resultou em uma narrativa mais dinâmica e sem espaço para diálogos lentos e tramas arrastadas. Ainda assim, a série não escapa de algumas obviedades na hora de encontrar soluções para os problemas de seus personagens. Chega a ser um pouco cômico como todas as resoluções giram em torno apenas de seus protagonistas, deixando alguns (bons) coadjuvantes subaproveitados.

Os efeitos, que já eram ótimos no primeiro ano, continuam impressionantes e mantém a série como uma das obras originais mais visualmente bonitas da Netflix. As novas criaturas que cruzam o caminho dos Robinson, que se destacam pelo design impecável, chegam a lembrar outros seres da cultura pop, como em Jurassic Park e até Pokémon.

Mesmo sendo uma obra de ficção científica, com robôs, alienígenas e planetas distantes, Perdidos no Espaço ainda é uma série sobre família e como as relações humanas se desenvolvem quando nos encontramos em situações de isolamento. Todos querem sobreviver, mas os meios para tal nem sempre são os mesmos – o que pode despertar o lado mais obscuro do homem.

Apesar de um terceiro ano ainda não ter sido confirmado, a série termina com possibilidades a serem exploradas e com fôlego para conquistar ainda mais os velhos e novos fãs.

Nota do Crítico
Ótimo