Sharkboy e Lavagirl em Pequenos Grandes Heróis (We Can Be Heroes), filme de Robert Rodriguez na Netflix

Créditos da imagem: Pequenos Grandes Heróis/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Pequenos Grandes Heróis

Robert Rodriguez retorna aos filmes infantis com uma obra divertida, boba e deliciosamente estranha

Arthur Eloi
25.12.2020
10h00

É comum que cineastas desenvolvam uma voz única ao longo de suas carreiras, mas alguns deles sabem mantê-la consistente até nas mais variadas temáticas, o que sempre causa uma divertida confusão. Há certa ironia em pensar, por exemplo, que títulos como Babe - O Porquinho Atrapalhado (1995) e Happy Feet (2006) saíram da mente de George Miller, o mesmo de Mad Max: Estrada da Fúria (2015). Mas nenhum outro exemplo é tão eficiente como Robert Rodriguez, conhecido tanto pelos sangrentos Um Drink no Inferno (1996), Sin City (2005) e Machete (2010), quanto por Pequenos Espiões (2001).

Mesmo já próximo de Quentin Tarantino e com fama de diretor cult pelos seus trabalhos nos anos 1990, Rodriguez emplacou seu nome com uma nova geração ao comandar exageradas aventuras infantojuvenis no começo dos anos 2000. Agora, 15 anos após seu último projeto do tipo, ele retorna sua atenção às crianças em Pequenos Grandes Heróis.

Pegando carona no impacto cultural dos filmes da Marvel e da DC Comics, o filme da Netflix acompanha um grupo de crianças super-poderosas que precisam resgatar seus pais - uma equipe de heróis ao estilo Vingadores - de uma ameaça alienígena. O problema é que nenhum dos garotos sabe exatamente como controlar seus dons, e isso é ainda mais válido para Missy (Yaya Gosselin) que, apesar de ser filha do líder Marcus (Pedro Pascal), ainda não deu sinal algum de ter poderes.

Mesmo com um elenco impressionante com Pedro Pascal, Christian Slater (Mr. Robot), Boyd Holbrook (Narcos) e Priyanka Chopra (Quantico), os adultos ficam de escanteio aqui. O filme ganha força na dinâmica entre as crianças, que ainda não sabem exatamente como lidar com suas diferenças ou com suas próprias identidades. Assim como Pequenos Espiões fez há quase 20 anos, o objetivo é que eles cresçam e encontrem força interior numa jornada tão arriscada.

Não é uma premissa original, mas a produção é altamente consciente de seus defeitos, limitações e, claro, de seu público-alvo. É visível que a intenção não é dialogar com os pais, então se abre mão de qualquer sutileza e duplo sentido. É um filme com humor bastante bobo? Com certeza, e até irritante em alguns momentos, mas um com um coração enorme, movido pelo desejo de empatia e conexão, e protagonizado por atores mirins terrivelmente fofos (com destaque para Vivien Blair, que vive a adorável Guppy, filha de Sharkboy e Lavagirl).

A experiência de Robert Rodriguez no gênero dá as caras aqui. Mesmo numa obra sem truques na manga e de baixo orçamento, o diretor entrega algo redondo, muito bem construído, que enfatiza que a simplicidade é escolha, e não limitação. Enquanto economiza na complexidade da trama e dos temas, investe em divertidas e caricatas cenas de ação e até mesmo em ambientes e criaturas de ficção científica que adicionam um delicioso gostinho de bizarrice a tudo.

Para os saudosistas de Pequenos Espiões, Pequenos Grandes Heróis talvez não chegue ao mesmo patamar de excelência, mas com certeza toca uma nova melodia com as mesmas notas. No fim das contas, o objetivo de Rodriguez não é relembrar glórias passadas ou tentar conquistar fãs na fase adulta, mas sim apontar que uma nova geração de crianças precisa crescer com seus próprios heróis, filmes do coração e entender o seu potencial, sem viver na sombra dos pais.

Pequenos Grandes Heróis
We Can Be Heroes
Pequenos Grandes Heróis
We Can Be Heroes

Ano: 2020

País: Estados Unidos

Classificação: 10 anos

Duração: 100 min

Direção: Robert Rodriguez

Roteiro: Robert Rodriguez

Elenco: Pedro Pascal, Boyd Holbrook, Priyanka Chopra, Christian Slater

Nota do Crítico
Ótimo

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