Lana Condor e Noah Centineo em Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Créditos da imagem: Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você/Netflix/Reprodução

Netflix

Crítica

Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Apesar de mais engraçada, sequência perde a doçura e mergulha de vez nos clichês das comédias adolescentes

Mariana Canhisares
11.02.2020
16h31

Contrariando as expectativas, o “felizes para sempre” não chegou para Lara Jean (Lana Condor) e Peter Kavinsky (Noah Centineo) ao final de Para Todos os Garotos que Amei. Quer dizer, não completamente. Embora o agora casal comece a ter suas primeiras vezes de verdade - ao menos, o primeiro encontro e o primeiro Dia dos Namorados -, seu romance fofo é ameaçado pela última resposta que faltava às cartas apaixonadas da protagonista. O misterioso John Ambrose reaparece na vida da jovem em Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você, reacendendo seu romantismo inveterado e, claro, criando o tradicional triângulo amoroso das comédias adolescentes.

Esse novo conflito na vida de Lara Jean foi sugerido logo ao final do primeiro filme, mas a sequência toma a liberdade de ignorar o loiro almofadinha que surgiu na porta da menina para propor um novo reencontro com seu amigo de infância. Em vez de vê-la frente a frente, o John Ambrose do ator Jordan Fisher responde à carta com um divertido texto redigido de próprio punho. Quer maneira mais perfeita de mexer com o coração de Lara Jean? Aliás, o jovem parece saído dos sonhos da protagonista: o amor pela literatura, o carisma e o jeito bom moço de ser. Ele facilmente poderia ser um dos príncipes encantados dos livros de cabeceira da jovem.

Com um espelho de Lara Jean como pretendente inesperado e descobertas sobre o passado recente de Kavinsky, o novo filme recorre mais uma vez a clichês do gênero para construir a trama até seu clímax. Mas, enquanto o primeiro capítulo dessa história envolve os elementos corriqueiros das comédias românticas com uma doçura e sensibilidade muito próprias - ainda que a influência de John Hughes seja inegável -, P.S. Ainda Amo Você só abraça o que foi por muito tempo consagrado e abre mão do seu diferencial.

Sob a direção de Michael Fimognari, responsável pela fotografia do primeiro longa, a vida amorosa de Lara Jean de repente fica muito óbvia. Logo no seu reencontro com John Ambrose, por exemplo, a menina cai no chão e faz papel de boba - um momento “gente como a gente” pelo qual todas as protagonistas de filmes adolescentes aparentemente precisam passar. Sua própria insegurança sobre como ser “a namorada perfeita” parece inocente demais até mesmo para Lara Jean.

Por uma decisão de privilegiar o humor ao sensível, a jornada da protagonista acaba perdendo parte do seu encanto. É verdade que determinar de vez a função de alívio cômico para Kitty (Anna Cathcart) cria bons momentos, assim como colocar Holland Taylor como uma mentora que estimula Lara Jean a tomar decisões mais ousadas. No entanto, as risadas, ainda que muitas, não dão conta de mascarar o desequilíbrio do filme. Enquanto Fimognari toma tempo para construir as situações cômicas, ele apressa todo o desenvolvimento do triângulo amoroso, sobretudo a briga com Peter e a decisão definitiva de por quem Lara Jean está apaixonada. Uma pena, porque Fisher entrega uma performance encantadora e Centineo, novamente sem fazer muito, mantém seu posto de queridinho da vez das adolescentes.

Apesar de tudo, a sororidade das irmãs Covey, assim como uma surpreendente reconciliação garantem momentos de calorzinho no coração em P.S. Ainda Amo Você. A alma da franquia ainda está lá, em algum lugar. Mas, por ora, é triste notar como a sequência se aproxima mais da produção massificada de comédias românticas sem graça da Netflix, como Date Perfeito, do que com o universo apaixonante e colorido do primeiro filme.

Nota do Crítico
Regular