Tim, Jane e Barnabys em Os Irmãos Willoughby

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Os Irmãos Willoughby

Animação da Netflix conquista fácil com humor ácido e personagens simpáticos

Nicolaos Garófalo
30.04.2020
16h39
Atualizada em
30.04.2020
17h09
Atualizada em 30.04.2020 às 17h09

Embora tropece na produção de filmes live-action, que costumam a deixar a desejar, a Netflix sempre apresentou uma qualidade ímpar quando o assunto é animação. Entre seu catálogo de originais, a plataforma já lançou longas como Klaus, Next Gen e Caninos Brancos, todos elogiados por seu enredo bem construído e animação impressionante. Mais nova adição ao repertório de animações do streaming, Os Irmãos Willoghby não só mantém esse histórico positivo da Netflix, como também inova com sua atmosfera colorida e um humor ácido divertido.

Diferente das animações já citadas, Os Irmãos Willoughby é produto da união de animação 3D e stop-motion, que de cara criam uma identidade visual única para seu cenário divertido. A trama também foge um pouco do tradicional: quatro irmãos, cansados de serem ignorados e destratados pelos pais, bolam um plano para se tornarem órfãos e viver sem regras. Após convencer os progenitores a embarcar em uma perigosa viagem ao redor do mundo, Tim, Jane e os gêmeos Barnaby A e Barnaby B ficam aos cuidados de uma simpática babá, que lhes dá todo o afeto que não receberam dos pais.

Dublados por comediantes talentosos, como Will Forte, Maya Rudolph, Martin Short, Jane Krakowski e Terry Crews, os personagens principais do filme se beneficiam do carisma e da experiência de seu elenco, que acerta na entonação e entrega de cada piada e trocadilho do roteiro. Até mesmo o gato narrador interpretado por Ricky Gervais brilha com um timing cômico impecável.

Dirigido por Kris Pearn, Os Irmãos Willoughby conta com um ritmo dinâmico, extremamente beneficiado por seu cenário enfeitado com novelos e fios de lã, que dão uma textura charmosa ao filme. A explosão exagerada de cores ajuda na criação de uma experiência imersiva, ressaltando as situações absurdas em que os irmãos se metem durante o longa.

Carismático, o quarteto principal – que conta com vozes de Forte, Seán Cullen e Alessia Cara – encanta por suas personalidades atípicas e bizarras, realçadas pela chegada da Babá. Simpática e divertida, a personagem de Rudolph foge da caracterização padrão de figura materna, sem nunca deixar de mostrar cuidado ou carinho pelas crianças.

Por outro lado, o filme não encontra tempo para desenvolver completamente seus personagens entre uma situação absurda e outra. Por mais que a diversão seja o grande objetivo de Os Irmãos Willoughby, o crescimento dos personagens é extremamente prejudicado e apenas Tim e Jane mostram o mínimo de evolução entre o começo e o final do longa. Por causa disso, o final é extremamente anticlimático e a criatividade por trás dos diálogos e da animação não se traduz no encerramento batido trazido pelo longa.

Ainda que sua conclusão seja relativamente óbvia, seus problemas não afetam tanto a qualidade do filme como um todo. Graças às performances brilhantes de seus dubladores – sendo a interpretação peculiar de Cullen como os gêmeos o grande destaque, o longa cumpre a promessa feita em seus primeiros segundos de contar uma história diferente e interessante. A qualidade da animação, que imagina um mundo perfeito em meio ao caos que é a vida dos Willoughby, também ajuda o espectador a se distrair dos pequenos tropeços do filme e se divertir durante praticamente toda a sua exibição.

Bonito e engraçado, Os Irmãos Willoughby atesta a qualidade da Netflix em selecionar seus lançamentos animados. Absurdo na medida certa e ácido como poucas produções infantis, o trabalho de Pearn agradará crianças e adultos com seu retrato cômico de relações familiares e personagens carismáticos.

Nota do Crítico
Ótimo