Callum e Zym em O Príncipe Dragão/Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

O Príncipe Dragão – 3ª temporada

Animação continua brilhante construção de mundo com mitologia rica e personagens cativantes

Nicolaos Garófalo
26.11.2019
20h30
Atualizada em
27.11.2019
10h50
Atualizada em 27.11.2019 às 10h50

Mesmo que seu método de animação tenha causado certo estranhamento em alguns espectadores em sua primeira temporada, O Príncipe Dragão rapidamente se tornou uma das animações mais queridas da Netflix por sua rica história, personagens diversos e divertidos e um bonito mundo de fantasia poucas vezes visto nos desenhos voltados ao público infantil da plataforma. A segunda temporada, lançada em fevereiro deste ano, conquistou ainda mais o público, aprofundando-se nas relações entre os protagonistas e na vasta mitologia construída por Aaron Ehasz, showrunner de Avatar: A Lenda de Aang, e Justin Richmond, diretor do jogo Uncharted 3: Drake’s Deception. O terceiro ano, disponível desde o dia 22 de novembro na plataforma, ampliou o já enorme mundo da produção, ao mesmo tempo em que recriou tudo o que deu certo nos anos anteriores.

Mais uma vez, o principal pilar de O Príncipe Dragão é o rico e diverso elenco de personagens. Apesar do trio de protagonistas – Callum, Ezran e Rayla – ter grande carisma, os coadjuvantes merecem cada segundo que aparecem em tela, especialmente os irmãos Soren e Claudia, cujas construções iniciadas nos primeiros episódios atingem seu ápice nesse terceiro ano. O pai de ambos, o carismático vilão Viren, segue a mesma trajetória e, não fosse sua perseguição ao adorável filhote de dragão Zym, seria difícil não simpatizar com as difíceis decisões que toma pelo reino de Katolis.

Não que o trio principal seja deixado de lado. Enquanto Callum e Rayla seguem juntos sua aventura para entregar Zym à Rainha dos Dragões, ampliando a boa dinâmica entre os personagens construída nas últimas temporadas, Ezran se vê no trono do pai, pela primeira vez sem o apoio do irmão. A separação entre os príncipes faz com que eles cresçam de forma independente um do outro, permitindo um avanço mais ágil e natural no arco de ambos.

Centrada na iminente guerra entre o reino dos humanos contra Xadia, reino dos elfos, a trama da terceira temporada aborda de maneira simples as dificuldades da diplomacia e as diferenças entre conflitos por questões políticas e, no caso de Viren, por ganância. Mesmo com momentos brilhantes de comédia, especialmente para fãs de trocadilhos, o roteiro do novo ano não poupa críticas a sistemas corruptos e à militarização exagerada por parte de governos gananciosos.

A animação também está impecável. Os episódios de O Príncipe Dragão criam uma Xadia belíssima, com fauna e flora únicas e brilhantes. As cenas de ação, envolvendo humanos, cavalos, elfos, dragões, águias e diversos tipos de magia são animadas com maestria e as ações de cada personagem podem ser vistas de maneira nítida, lembrando as melhores batalhas de A Lenda de Aang.

As criaturas únicas de Xadia, que variam de pequenas cobras mortais a enormes quadrupedes usados para transporte, são deslumbrantes o bastante para terem saído de um conto de J.R.R. Tolkien – que claramente inspirou a história de Ehasz e Richmond - e rivalizam visualmente com qualquer ser criado para a franquia Animais Fantásticos, apesar de o mundo criado por J.K. Rowling não ter bichos tão adoráveis ou importantes quanto o dragão Zym ou o sapo brilhante Isca.

Mais uma vez, O Príncipe Dragão entrega uma temporada brilhante em todos os quesitos. Com história, humor e animação de qualidade, a série da Netflix tem como único grande defeito o número pequeno de episódios (nove de 30 minutos) que, com a ajuda de um belo gancho, deixa o espectador com um irresistível gosto de quero mais. Se a equipe de Ehasz e Richmond seguir com o bom trabalho, Xadia tem uma longa e próspera história pela frente.

Nota do Crítico
Excelente!