O Limite da Traição Netflix

Créditos da imagem: Netflix/divulgação

Netflix

Crítica

O Limite da Traição

Preguiçoso, novo filme de Tyler Perry para Netflix decepciona com suspense desinteressante e personagens sem carisma

André Zuliani
24.01.2020
11h06

Uma das maiores falhas estratégicas na indústria cinematográfica são os trailers cheios de informações sobre os filmes. Algumas prévias enviadas pelos grandes estúdios entregam as histórias bem mastigadas para o público que tem pouco interesse em ser surpreendido ao comprar um ingresso às escuras. Por essa estratégia, encontram-se também filmes que não passam de trailers estendidos, como no caso do novo filme de Tyler Perry para a Netflix. Se alguém assistiu ao trailer de O Limite da Traição, não encontrará muitas novidades ao clicar “play” no serviço de streaming. 

Na trama, a inexperiente advogada Jasmine Bryant (Bresha Webb) se torna a encarregada de um caso que está em evidência na mídia: Grace Waters (Crystal Fox), uma mulher mais velha que aparentava não ter defeitos, é acusada de assassinar brutalmente o marido (Mehcad Brooks) e sumir com o corpo. A resolução parece ser simples, principalmente quando Grace assume a autoria do crime e aceita que um acordo seja feito para que ela fique encarcerada perto da família. É aí que Jasmine, mesmo contra a vontade do chefe, resolve investigar um pouco mais e, bem, nem tudo é o que parece.

Escrito, dirigido e coestrelado por Perry, mais conhecido em Hollywood por ser um empresário bem sucedido, o longa entrega poucas ambições narrativas. Conhecemos a história de Grace narrada por suas memórias e aprendemos que Shannon, o falecido, é tão charmoso quanto pilantra. Em poucos minutos, vamos do golpe dado pelo amante nem-tão-bonzinho-assim à jovem que quer se provar como profissional e salvar a sua cliente. Diversos clichês são jogados em tela e, apesar do esforço de Crystal e Phylicia Rashad (que vive a melhor amiga de Grace, Sarah) para trazer alguma dramaticidade à trama, fica clara a falta de qualidade do roteiro.

O esforço das atrizes veteranas merece ser destacado muito por conta do péssimo trabalho de Webb. Encarregada de ser o ponto de equilíbrio da trama, a atriz é incapaz de fazer com que se torça por sua personagem. Sua Jasmine sofre com uma discrepante falta de carisma, talvez por conta da agilidade com que foi gravada a produção – Perry levou apenas cinco dias para finalizar as filmagens. Com o tempo curto, a atriz não teve tempo de construir uma personalidade mais bem definida para a protagonista. 

Previsível, a trama também sofre com a tentativa de Tyler de criar expectativas. Toda a construção do julgamento de Grace, que deveria ser parte importante de sua história, parece preguiçosa. O relógio avança e as cenas parecem perder o seu propósito, como se o resultado estivesse definido desde o primeiro momento. Tivesse o diretor um pouco mais de clareza para conduzir sua própria criação, o resultado poderia ser menos decepcionante. 

Com tantos erros em seu desenvolvimento, nem as reviravoltas do terceiro ato salvam O Limite da Traição de ser mais um filme na categoria de suspense que poderia estar ao lado de algumas das (piores) comédias do serviço de streaming.

Nota do Crítico
Ruim