Não Fale com Estranhos

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Não Fale com Estranhos

Novo suspense da Netflix convence com segredos, mentiras e... mais segredos

André Zuliani
11.02.2020
15h36

Há certo fetiche nos suspenses que quebram o status quo da família de classe média comum. No início, todos estão felizes, vivendo suas vidas normalmente, até que um acontecimento vira tudo de cabeça para baixo. Um assassinato, um segredo revelado, um desaparecimento: tudo já serviu como estopim para iniciar uma grande investigação que prenderá o público. Pois bem, Não Fale Com Estranhos, nova série da Netflix baseada no best-seller homônimo de Harlan Coben, reúne todos esses ingredientes.

Apesar de pouco reconhecido no Brasil, Corben é um escritor renomado nos EUA e países europeus. The Safe, outra produção baseada em uma de suas obras, também ganhou adaptação no serviço de streaming e se destaca pela fidelidade ao material original. Não Fale Com Estranhos não fica para trás e se aproveita da escolha acertada de ser adaptada como uma minissérie. O autor, produtor-executivo e supervisor do roteiro, encaixou os oito episódios como um quebra-cabeça.

Como dito, essa é uma história em que no começo tudo são flores. Adam Price (Richard Armitage, o Thorin da trilogia O Hobbit) é, veja você, o pai de uma família da classe média britânica que tem uma vida perfeita: casado com uma esposa que o ama, bem-sucedido no trabalho e tem um excelente relacionamento com os filhos. Tudo estava bem até que uma bela mulher desconhecida (Hannah John-Kamen) aparece e revela a ele um segredo capaz de acabar com o seu casamento. Paralelo a isso, também conhecemos a detetive Johanna Griffin (Siobhan Finneran), uma mulher recém-divorciada e em vias de se aposentar. Sem saber o que fazer com a sua vida, ela programa uma viagem há muito tempo desejada com sua melhor amiga. O problema é que, dias após decidirem partir, a amiga é encontrada assassinada dentro de seu próprio restaurante. Soma-se uma alpaca decapitada e um adolescente encontrado nu e inconsciente no meio da floresta. Pronto - a curiosidade foi atiçada.

A partir daí, novos segredos, mentiras e mais segredos são revelados como uma chuva de plot twists. Além do próprio Adam, quase todos do elenco secundário, que tem bons nomes como Paul Kaye (o Thoros de Myr de Game of Thrones) e Stephen Rea (V de Vingança), possuem algo a esconder. 

O fato de que muitos dos personagens parecem interligados dentro de uma conspiração maior, apesar de interessante, também pode confundir um pouco quem está assistindo. São muitas as perguntas que buscam respostas, o que acaba afetando a experiência de quando surge uma resolução. A própria Estranha, responsável por começar toda a reviravolta, se torna desinteressante em certo momento.

Além disso, pela trama se situar em uma pequena cidade da Inglaterra, todo mundo conhece todo mundo; além da Estranha, nenhum dos personagens precisa ser apresentado. Para uma comunidade tão cheia de segredos, todos falam muito. E são intrometidos. Nessas circunstâncias, a ideia de que alguém manter um segredo começa a parecer improvável, ou melhor,  impossível.

Com tantos mistérios a serem resolvidos, o final pode parecer um pouco acelerado, mas convence por ser fiel à proposta que envolve toda a trama de Não Fale Com Estranhos: alguns segredos devem ser levados para o túmulo.

Nota do Crítico
Ótimo