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Créditos da imagem: La Casa de Papel/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

La Casa de Papel - Parte 4

Série começa lenta, mas acerta ao mostrar que ninguém está a salvo

Fábio de Souza Gomes
06.04.2020
15h08
Atualizada em
09.04.2020
11h16
Atualizada em 09.04.2020 às 11h16

La Casa de Papel volta após um terceiro ano agitado. O Professor (Álvaro Morte) precisa lidar com o desaparecimento de Raquel/Lisboa (Itziar Ituño) e o grupo precisa salvar Nairóbi (Alba Flores), que levou um tiro no final do último ano, ao mesmo tempo em que aprende a lidar com a disputa de poder dentro da equipe. A quarta temporada começa cheia de expectativas, mas seu início é mais lento do que esperado.

Os dois primeiros episódios poderiam ser resumidos em apenas um, uma vez que todos esses problemas citados são resolvidos de uma maneira bem rápida. A série enrola para mostrar coisas que já estão resolvidas e a história parece ficar travada de início. A única parte positiva desse período fica por conta da relação do Professor com Marsella (Luka Peros). Até então, o comandante do roubo sempre era mostrado sozinho ou ao lado de Lisboa, uma pessoa tão genial quanto ele. Ver como o Professor lida com um homem mais brucutu e simples (o discurso da cadela é sensacional) foi um acerto e a química entre os dois atores já se provou como uma das mais interessantes do seriado.

A temporada começa a crescer mesmo no terceiro episódio, quando Gandía (José Manuel Poga) ganha destaque. O personagem, que havia sido apenas um refém que deu um pouco mais de trabalho na terceira temporada, virou uma espécie de caçador do bando de ladrões e se tornou o vilão necessário nesta temporada. Como é mais experiente e melhor treinado, suas cenas de ação e tiroteios estão entre os melhores do seriado. Ele, inclusive, é o motivo de uma das mortes mais chocantes da temporada.

Tirar de cena uma personagem tão carismática e querida pelo público (não falaremos qual para não dar spoiler) é um ato arriscado que pode irritar (e irritou) diversos espectadores. Porém, ao fazer isso, o seriado prova que ninguém está a salvo e mostra que não tem medo de arriscar. O problema é que, agora, a protagonista Tóquio (Úrsula Corberó) terá de lidar com o peso da série sozinha e isso pode ser um problema.

A narradora parece ser a única personagem incapaz de evoluir na história. Por exemplo: Estocolmo (Esther Acebo) começa como uma refém submissa aos desejos de Arturo (Enrique Arce), vira uma ladra e, nesta temporada, passa a ter um papel de liderança. Denver (Jaime Lorente) começa como um homem violento e impulsivo e, apesar dessa característica ainda aparecer em alguns momentos, ele fica mais responsável e estratégico.

Tóquio, por sua vez, começa a série como uma pessoa inconsequente, que faz o que quer e passa a maior parte do tempo pensando em si mesma. Nessa temporada, ela prova que ainda é essa mesma pessoa. A personagem segue achando que somente ela é capaz de liderar, acredita que ninguém a entende e toma diversas decisões que prejudicam o grupo. Para o futuro, os roteiristas terão de dar algum desenvolvimento diferente para a personagem - uma vez que sua principal coadjuvante não estará ao seu lado. Contudo, se a protagonista é um problema, a principal vilã segue como um dos destaques.

A Inspetora Sierra está ainda melhor nesta temporada e a atriz Najwa Nimri mostra um lado mais humano da personagem, ao mesmo tempo em que reforça toda a sua falta de escrúpulos para vencer o Professor. Ela é a única que consegue fazer com que o rival precise recalcular seus planos e provou ser capaz de tudo para continuar esse jogo de xadrez.

No fim das contas, La Casa de Papel não entregou o final que os fãs queriam, mas termina com um bom gancho para o próximo ano - algo natural, uma vez que a Netflix não pretende deixar sua galinha dos ovos de ouro acabar tão cedo. O mais importante é que a quarta temporada provou que ninguém está a salvo neste assalto e isso promete deixar a quinta temporada ainda mais tensa.

Nota do Crítico
Bom