Klaus

Créditos da imagem: Klaus/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Klaus

Primeiro longa de animação original da Netflix é um deleite que pode conquistar o coração de toda a família

André Zuliani
30.11.2019
14h06

Em 2017, a Netflix adquiriu os direitos de Klaus, animação de Sergio Pablos, cocriador de Meu Malvado Favorito, que reconta a história de origem do Papai Noel como nós conhecemos. Com tantas produções natalinas já produzidas, o espectador poderia pensar: “será que precisamos de mais um filme sobre o Natal”? Acredite: a gigante do streaming provou que ainda há espaço para que mais um longa com este tema ganhe o coração do público.

A trama é bem simples: Jesper (Jason Schwartzman no original e Rodrigo Santoro em português) é um aprendiz de carteiro mimado e preguiçoso que se recusa a sair de sua zona de conforto. Seu pai, o presidente dos correios, dá-lhe um ultimato: ou ele vai para Smeeresnburg, cidade nórdica praticamente esquecida do mundo e faz o envio de seis mil cartas no prazo de um ano, ou perderá seu direito na herança. Ao chegar ao local, o jovem toma conhecimento de que o lugar vive em um eterno conflito. Os clãs Krum e Ellingboes se enfrentam diariamente em uma briga centenária que varreu tudo que havia de bom na ilha.

Bastante experiente na área, Pablos tem no currículo a participação em alguns clássicos como o Corcunda de Notre-Dame e Hércules, filmes de uma época onde o 3D ainda não era soberano. Em Klaus, o diretor mescla técnicas de animações tradicionais e modernas. Os traços de desenhos à mão estão ali com personagens caricatos e tudo o que o bom e velho 2D ainda tem a oferecer. No início, Smeerensburg tem um ar depressivo, quase uma expressão moderna de O Estranho Mundo de Jack. Tudo é visualmente bem feito, das luzes à textura.

Apesar de nada parecer relativamente novo na construção do roteiro, a história é um deleite de assistir em praticamente todos os seus 97 minutos. A jornada de Jesper relembra a de Kuzco em A Nova Onda do Imperador. Assim como o homem-lhama, é na amizade com Klaus (ou Noel, no português) que o carteiro percebe a sua “vocação” para fazer o bem. O personagem-título (J.K. Simmons no original e Daniel Boaventura em português), um construtor fortão, mais parece um membro da Liga da Justiça do que a imagem do bom velhinho que estamos acostumados a ver, mas é igualmente carinhoso.

A evolução da cidade, que deixa de parecer morta e vai ganhando tons alegres conforme a missão da dupla se desenvolve, é um dos pontos fortes do longa. É divertido ver como tomam forma todas as partes da lenda que conhecemos sobre o Papai Noel. O trenó, as renas, a roupa vermelha característica; tudo está ali bem amarradinho. Assim como a adorável Margú e as outras crianças em tela, não tem como não abrir um sorriso no rosto ao ver as desventuras dos protagonistas.

Nitidamente direcionado para o público infantil, pode ser que algumas piadas não tenham o mesmo efeito para os adultos, mas a história de Klaus não deixa de ser cativante por isso. “Um verdadeiro gesto altruísta pode sempre despertar outro”, diz um dos protagonistas. Faça a sua parte e reúna a família para assistir ao que pode ser mais um filme para entrar na tradição do dia 25 de dezembro.

Nota do Crítico
Ótimo