Kingdom, série sul-coreana de zumbis da Netflix

Créditos da imagem: Kingdom/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Kingdom - 2ª Temporada

Com mais ação, zumbis e intriga política, volta da série sul-coreana melhora o que já era ótimo

Arthur Eloi
19.03.2020
12h49

A primeira temporada de Kingdom foi uma grata surpresa da Netflix. A produção sul-coreana conquistou com uma mistura de terror gráfico e drama histórico. Agora, na sua segunda temporada, o seriado mostra um novo nível de ambição e prova que, sim, é possível melhorar algo que já é ótimo.

O que torna o programa especial é não se apoiar nos clichês do tão saturado gênero de zumbis, mas sim usar as hordas impiedosas como agravante para um tenso jogo político. No ano dois isso ganha ainda mais espaço. Após amadurecer bastante ao ver a infestação de perto, o príncipe Lee Chang (Ji-Hoon Ju) tenta retornar ao seu palácio para confrontar um possível golpe sofrido por sua família. Ter o personagem tomando a linha de frente, e combatendo os mortos-vivos ao lado de seus soldados, cria um contraste forte com a figura largada e egocêntrica que foi apresentada anteriormente. Assim, faz sentido que a trama seja mais complexa, como forma de firmar o amadurecimento de Chang ao longo de sua jornada de aprendizado. Ajuda bastante que ele encontra um rival à altura em Cho Hak-ju (Seung-ryong Ryu), conselheiro com esquemas maquiavélicos e presença de botar medo. Os dois são facilmente o destaque da temporada.

Aproveitando o maior foco no lado dramático, a série também expande seu universo através de flashbacks. A decisão é ocasionalmente confusa, mas compensa bastante, já que a trama se desenvolve em um contexto histórico tão rico que não poderia passar batido. Isso se prova especialmente importante para a conclusão, que planta ganchos para uma terceira temporada que pode ser ainda mais grandiosa.

Ambição é a palavra-chave para descrever a volta de Kingdom. É visível que a produção ganhou um incentivo após se consagrar um sucesso, e aplica esses novos recursos com maestria, criando cenas maiores e sequências de luta mais desafiadoras. A estética e direção já eram destaque no ano um, mas agora são elevadas a outro patamar de qualidade. Em um capítulo, por exemplo, a briga entre os cadáveres e um grupo de invasores japoneses é apresentada em câmera lenta, de trás para frente. Já em outro momento, Chang e seu grupo defendem um vilarejo em uma frenética cena de batalha e combatem hordas em um rio congelado, com apenas uma fogueira iluminando a escuridão. A série acerta em cheio na ação, com boas coreografias e fotografia para sustentar.

São nessas cenas de ação que a série dá um prato cheio aos fãs de zumbis. As criaturas já não são mais o foco narrativo, mas isso não significa que desaparecem do seriado. Pelo contrário, elas voltam em maior número. Além da complexidade, o seriado aumenta a quantidade de monstros e sobreviventes nas telas, o que passa a ideia de que a ameaça é ainda mais intensa, já que eles conseguem dominar vilas inteiras em questão de minutos. Além da excelente nojeira visual e das performances grotescas dos figurantes contorcionistas, o programa ainda brinca com a mitologia por trás da ressurreição dos mortos. Entender as regras dos inimigos é toda a motivação da médica Seo Bi (Doona Bae), uma das subtramas mais interessantes da temporada.

Kingdom novamente consegue atingir um equilíbrio delicado entre ação frenética, mortos-vivos grotescos e drama histórico de qualidade. Como se não fosse suficiente, a série ainda melhora em todos os aspectos, da parte técnica a um tom mais consistente. Há ganchos o bastante para que a trama continue, talvez em escala maior. Se for o caso, novos episódios serão muito bem vindos, já que a série é uma das melhores da Netflix atualmente.

Nota do Crítico
Excelente!