Netflix

Crítica

Enola Holmes

Longa traz visual clássico e dinâmico para a famosa história de amadurecimento

Camila Sousa
22.09.2020
15h54
Atualizada em
28.09.2020
15h32
Atualizada em 28.09.2020 às 15h32

Há décadas o entretenimento se inspira na “Jornada do Herói” de Joseph Campbell. Nela, o protagonista sai de seu “mundo comum” e passa por diversas etapas de amadurecimento até “voltar para casa” renovado. Essa estrutura não difere muito da história de Enola Holmes, novo filme da Netflix estrelado por Millie Bobby Brown e Henry Cavill. Ainda assim, a produção, dirigida por Harry Bradbeer (Fleabag), encontra formas de adicionar elementos interessantes às suas pouco mais de 02h de duração.

Um deles é Bobby Brown, aqui em um papel muito mais “solto” do que o de Eleven em Stranger Things. Dona de uma personalidade forte, Enola é cativante e irritante ao mesmo tempo, repetindo os traços arrogantes que acompanham a família Holmes de forma carismática. Suas interações com a câmera, que tinham tudo para soar exageradas, são felizmente usadas na medida certa, sem deixar o recurso soar cansativo.

O ritmo da produção também agrada, levando os personagens à vários pontos diferentes, promovendo encontros e desencontros que colocam a trama para andar, mas sempre com boas justificativas. Outro ponto que merece destaque é a bela trilha sonora de Daniel Pemberton, que assina também as composições do recente Aves de Rapina (2020). Remetendo ao universo de Sherlock Holmes e das tramas investigativas, a música eleva ainda mais o clima dinâmico do roteiro, fazendo de Enola Holmes um filme gostoso de assistir.

No entanto, como dito no começo deste texto, o foco principal do filme é na jornada de amadurecimento tanto de Enola, quanto de outro personagem que surge para acompanhá-la em sua jornada. No caso da garota, há um constante embate com os irmãos Mycroft (Sam Claflin, completamente irritante e incrível) e Sherlock (Cavill). Enquanto o primeiro a vê como uma jovem “selvagem”, que precisa ser “educada para se tornar uma dama”, o segundo a vê apenas com indiferença, não prestando atenção em suas qualidades e vontades até certo ponto do filme. Como Enola bem aponta em um diálogo, seu nome ao contrário fica Alone (sozinha, em inglês), intensificando a solidão que ela sente diante dos irmãos após o sumiço de sua mãe.

Falando nela, a participação de Helena Bonham Carter como a matriarca da família Holmes é pontual, mas traz questões bem interessantes. Ela é a responsável pela educação de Enola e por torná-la perspicaz e capaz de se defender sozinha. Ainda que seja duro, a Sra. Holmes criou sua filha para que ela seja independente, até mesmo dela própria, o que culmina em seu desaparecimento, cujos motivos são ainda mais interessantes, mas não são aprofundados para não perder o foco da história.

Como várias produções já fizeram antes, Enola Holmes traz ainda o famoso embate entre o antigo e o novo. No caso da protagonista, isso é bem representado pela “escola para damas” e o constante questionamento entre quem ela é e quem a sociedade diz que ela precisa ser. Novamente, não é uma discussão super inédita, mas há certo charme em como o longa coloca tudo isso em tela, misturando tudo com os tons investigativos das histórias dos Holmes.

Ainda que não reinvente a roda, Enola Holmes é um filme prazeroso de assistir, que equilibra bem seus pontos positivos em contraponto com a simplicidade de sua história. 

Nota do Crítico
Bom

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