Don't F**k with Cats: Uma Caçada Online

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Don't F**k with Cats: Uma Caçada Online

Série documental acerta com narrativa rica em detalhes, mas sofre com o excesso de dramatização dos entrevistados

André Zuliani
06.01.2020
19h29
Atualizada em
07.01.2020
12h52
Atualizada em 07.01.2020 às 12h52

A internet é uma ferramenta essencial para qualquer pessoa. Já é possível usá-la para quase tudo. Fazer compras, pagas contas, conhecer pessoas e...  Encontrar um assassino. Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online, nova série documental da Netflix, relembra o caso de Luka Magnotta, reconhecido criminoso do Canadá, e utiliza os acontecimentos para explorar os limites do conteúdo que algumas pessoas compartilham na web e o papel de quem dá audiência a isso.

Em 2010, vídeos publicados por um perfil anônimo causaram a indignação de diversas pessoas nas redes sociais. Neles, um homem não identificado aparece assassinando filhotes de gato de diferentes maneiras, sem esboçar nenhuma reação. Espantados com a frieza, alguns usuários do Facebook criam um grupo na rede para localizar o indivíduo capaz de cometer e filmar um crime tão perverso.

Diferente de outros documentários da plataforma, os protagonistas da narrativa não são os detetives oficiais encarregados do caso, mas sim as pessoas comuns que assistiram ao vídeo e tornaram a busca pelo assassino um objetivo de vida. Deanna Thompson, analista de dados de um cassino em Las Vegas, e John Green, nome fictício de um homem que não quis se identificar, recapitulam passo a passo a investigação feita até encontrarem Luka, o responsável pelas atrocidades com os gatinhos - e que viria a se tornar um criminoso procurado pela Interpol após assassinar o estudante chinês Jun Lin. 

É interessante acompanhar a reconstrução da busca e os resultados conquistados apenas com base em detalhes observados nos vídeos. Cada frame é uma pista para descobrir em qual país reside Luka. De um maço de cigarros a um aspirador, Deanna e os outros se aproveitam de tudo para se aproximar cada vez mais do assassino. Quando finalmente os pontos vão se ligando e os “detetives virtuais” o encontram, o diretor e roteirista Mark Lewis apresentam quem, de fato, é a pessoa por trás dos vídeos macabros.

Entendemos que o criminoso possui uma mente perturbada ao conhecermos o conteúdo das imagens divulgadas. Porém, o documentário apresenta lacunas que deveriam ser preenchidas - falta um estudo mais aprofundado sobre o aspecto psicológico do assassino. Toda a montagem dos vídeos é feita minuciosamente por Magnotta, que já os planejava prevendo a repercussão que causariam. O texto de Lewis reproduzido na boca de Deanna e Green alerta o público diversas vezes sobre a busca por atenção, sempre espelhado  em cenas da cultura pop ou em casos antigos de serial killers. Ele queria ser o centro das atenções e um profissional analisando suas atitudes para atingir esse objetivo tornaria a proposta mais completa.

Apesar de contar com  os entrevistados mais importantes na história do caso, o documentário erra na condução exageradamente dramatizada. Até mesmo os policiais envolvidos na investigação revivem cada detalhe como se estivessem representando a si mesmos. Essa apresentação  retira a força do questionamento principal que o diretor e Deanna preparam para o espectador: sabendo que Luka clamava por atenção com seus vídeos assustadores, teriam eles se tornado cúmplices das mortes de Lin? Afinal, saber que estava sendo procurado poderia ter influenciado o jovem a continuar com suas atitudes doentias.

Ainda assim, Don’t F**k With Cats prende em frente à TV com sua riqueza em detalhes da investigação, colocando o espectador no papel de detetive ao lado dos entrevistados e, acima de tudo,  relembrando que a internet dá o poder de fazer o bem, mas também de causar o mal.

Nota do Crítico
Bom