Jacob Batalon, Kiernan Shipka e Mitchell Hope em Deixe a Neve Cair

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Deixe a Neve Cair

Comédia romântica tinha potencial, mas roteiro preguiçoso atrapalha carisma dos romances natalinos

Mariana Canhisares
16.11.2019
14h03
Atualizada em
19.11.2019
10h36
Atualizada em 19.11.2019 às 10h36

O menino secretamente apaixonado pela melhor amiga. Um encontro inesperado que dá origem a um romance. Um amor não correspondido e uma relação enfrentando tabus. Deixe a Neve Cair leva clássicas premissas de comédia romântica para o universo adolescente, compilando três contos de amor natalino como uma espécie de Simplesmente Amor teen. Mas, ainda que não falte carisma ao elenco repleto de nomes conhecidos, o roteiro é preguiçoso demais para ir além dos clichês do gênero.

Kiernan Shipka (As Aventuras Sombrias de Sabrina) e Mitchell Hope (Os Descendentes) estrelam a adaptação do conto "O Milagre da Torcida de Natal", que não poderia ser mais John Green. Afinal, como Miles em Quem É Você, Alasca? e outros tantos adolescentes sofridos criados pelo autor, o fantasma da “friendzone” assombra Tobin, que sempre foi apaixonado pela sua amiga, mas nunca teve coragem de se arriscar em um romance. Por menos inovadora que a premissa possa ser, esta é ironicamente a trama mais envolvente. O filme dá tempo para apresentar a fofa relação do quase casal e trabalhar o ciúme do pretendente frustrado, dando espaço para a dupla de atores realmente brilhar e preencher a tela com momentos meigos.

Porém, essa história não foge do que se mostrou ser uma regra em Deixe a Neve Cair: os impasses se resolvem abruptamente, sem muita explicação do por quê tudo voltou ao equilíbrio. Talvez o caso mais claro seja a adaptação de “O Santo Padroeiro dos Porcos”, protagonizada por Liv Hewson (Santa Clarita Diet). Durante toda a trama, Dorrie é rejeitada publicamente pela peguete que ainda não tinha se assumido gay e temia o julgamento das amigas. E, pelo o que é retratado no longa, a menina realmente tinha motivo para ter esse receio: bastava a Dorrie se aproximar da mesa do grupo no restaurante que todas viravam os olhos e faziam comentários debochados. Mas, assim que a protagonista dá um ultimato na crush, tudo muda. A menina, então, assume o romance e, de repente, todas se mostram 100% a favor com gritos e pulinhos.

A inconsistência também prejudica o encerramento de “O Expresso Jubileu”. Embora Isabela Merced (Dora e a Cidade Perdida) e Shameik Moore (Homem-Aranha: No Aranhaverso) funcionem bem juntos, há aqui também um descompasso entre o desenvolvimento do drama - extenso e com direito a um momento heroico completamente desnecessário - e o final otimista. Tudo é muito conveniente, mesmo para um filme água com açúcar.

Sem exceção, nas três histórias os momentos de conflito são prolongados, sem ter muita substância para, de fato, preenchê-los. Não à toa, o longa recorre a tantos momentos musicais - chega um ponto em que o roteiro adaptado de Laura Solon, Victoria Strouse e Kay Cannon não sabe o que fazer com seus personagens e botá-los para dançar ou chorar com uma trilha sonora bacana é mais fácil.

Há um claro vazio no desenvolvimento das tramas, mas ainda assim Deixe a Neve Cair está acima da média entre as comédias românticas lançadas pela Netflix recentemente por causa da direção. Luke Snellin sabe tirar o melhor do seu elenco, garantindo uma agradável Sessão da Tarde para quem procura uma distração em um final de semana preguiçoso.

Nota do Crítico
Regular