Leia a crítica da 1ª temporada de Cursed - A Lenda do Lago, a nova série da Netflix

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

Netflix

Crítica

Cursed - A Lenda do Lago - 1ª Temporada

Série desperdiça enorme potencial com falta de foco e ritmo confuso

Gabriel Avila
27.07.2020
15h36

Cursed - A Lenda do Lago chegou à Netflix com o claro objetivo de reinventar a mitologia do Rei Arthur para uma nova geração. Assim como o livro de mesmo nome, a série se apropriou de personagens clássicos para a lenda em torno da mágica espada Excalibur com uma roupagem inovadora, que dialoga - e muito - com os tempos atuais. Porém, nem todo o esforço em criar uma versão diferente, e tampouco o carisma do elenco, foram capazes de salvar a primeira temporada, que sofre com ritmo confuso e falta de foco gritante.

A série conta a história de Nimue (Katherine Langford), uma jovem que precisa escapar de sua aldeia para entregar Excalibur para Merlin (Gustaf Skarsgard). Seu objetivo é na verdade o último desejo de sua mãe, líder do povo mágico feérico, que foi assassinada durante um expurgo promovido pelos religiosos Paladinos Vermelhos. Ela então parte em uma jornada para encontrar o mago, que segundo rumores teria perdido seus grandiosos poderes.

Desde o início, Cursed mostra um grande desejo de modernizar uma história tão clássica, sem abandonar os aspectos que a tornaram grandiosa. Estabelecida como uma espécie de remix, a trama se esforça para estabelecer uma mitologia mais ligada à fantasia ao mesmo tempo em que adiciona conflitos próximos ao que a humanidade realmente vivenciou durante a Idade Média. Se por um lado há fadas e magia, do outro há disputas de poder envolvendo reis, exércitos e igreja.

Construindo essa mistura aos trancos e barrancos, esse universo busca forças também na entrega de seu elenco principal. De veteranos como Gustaf Skarsgard, passando pela estrela em ascenção de Katherine Langford, até o iniciante Devon Terrell, há um esforço uniforme para levar seus clássicos personagens para novos caminhos. O mesmo pode ser dito para figuras inéditas, como os Paladinos Vermelhos e seu principal assassino, o Monge Choroso (Daniel Sharman), que se esforçam para dar veracidade a personagens que poderiam fácilmente se tornar caricaturas. Porém, nem todo o empenho dos atores salvaria a produção da sua falta de foco.

Ao finalizar os 10 primeiros episódios da série, é difícil assimilar a quantidade de enredos que foram simplesmente jogadas na trama principal. O que inicialmente parecia ser uma intrincada rede de eventos que deveriam mover a história se mostra na verdade uma grande confusão, que embola o meio de campo e prejudica completamente o ritmo da temporada como um todo.

Muito tempo é gasto apresentando personagens que pouco adicionam à trama, assim como em enredos paralelos que servem para explicar os vários Deus Ex Machina que permeiam a história principal. Isso pode ser visto em várias camadas, que vão desde seus protagonistas sobreviverem milagrosamente após sofrerem golpes fatais, até poderes secretos que só são revelados quando convém. Além de tirar os méritos de personagens, que deveriam crescer conforme sua própria jornada, essa escolha afeta diretamente a preocupação que o público deveria sentir por eles. É comum se pegar pensando “se a salvação vai literalmente cair do céu, por que devo me importar?”, e nenhuma resposta a essa pergunta faz bem à Cursed.

Ao fim, a série se mostra um curioso caso de produção que se recusa a aprender com os próprios erros. Os episódios iniciais já demonstram algumas dessas fraquezas, mas conforme a temporada avança eles ficam para trás e a trama parece começar a caminhar para rumos mais empolgantes e ousados. Porém, a sensação não dura muito e os problemas voltam em número cada vez maior, comprometendo especialmente sua reta final, ao criar ganchos muito fracos para uma possível segunda temporada. Se o intuito é fazer jus às famosas lendas que a inspiram, Cursed precisa de uma correção de curso urgente antes que a magia morra novamente.

Nota do Crítico
Regular