Crônicas de Natal 2

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Crônicas de Natal 2

Continuação aposta no casal Goldie Hawn e Kurt Russell mas algo no charme do primeiro filme se perdeu

Henrique Haddefinir
27.11.2020
16h11
Atualizada em
27.11.2020
16h25
Atualizada em 27.11.2020 às 16h25

Quando Clay Kaytis assumiu a direção do primeiro Crônicas de Natal, lá em 2018, havia quem não acreditasse que ele conseguiria imprimir sua identidade no longa, que tinha o nome de Chris Columbus como produtor principal. Diretor de Esqueceram de Mim e dos dois primeiros Harry Potter, Columbus tem uma reputação sólida no mercado infantil, particularmente nesses filmes de tom de fábula ingênua, cheios de “trapalhadas”.

Foi uma surpresa, portanto, quando o primeiro Crônicas de Natal se mostrou um filme de humor sagaz, equilíbrio de estereótipos e um roteiro controlado, que sempre voltava pro eixo quando os devaneios passavam das medidas. Kaytis não volta para dirigir a sequência, e fica a constatação de que fez falta em Crônicas de Natal 2, comédia de fantasia que recorre aos exageros de Columbus - que aqui assume também a função de diretor.

A menina Kate Piercy (Darby Cam) precisa salvar o Natal mais uma vez (e mais uma vez por sua própria culpa). Agora ela ataca de pré-adolescente insuportável, implicando com o novo namorado da mãe e com o fato de não poder passar o Natal no frio dos EUA, já que toda a família está de malas para o México. Se no primeiro longa os jovens são apresentados de maneira menos óbvia - na busca pela captura em vídeo do Noel - desta vez os clichês são esfregados na cara do espectador sem a menor cerimônia, começando pela motivação egoísta de Kate e chegando ao “vilão” do filme, que parece saído de uma série forense dos anos 1980.

O antagonista, Belsnickel (Julian Dennison), foi um elfo que enfrentou a soberania de Santa (Kurt Russell) e terminou banido da Vila no Pólo Norte, onde a maior parte da história se passa. Como punição extra, o elfo se tornou aquilo que ele mais odiava: um humano. Nesse paralelo com os anjos caídos, Belsnickel quer vencer Papai Noel, tomar seu lugar, destruir seu “reinado”. A trilha cômica acompanha os passos do vilão, enquanto ele eterniza o clichê do gordinho vingativo com tombos e panaquices. Essa premissa já mostra as diferenças de tom em relação ao primeiro filme, que não tinha um vilão (a história se desenvolvia em torno de coincidências e circunstâncias).

Piada interna

A melhor coisa do universo de Crônicas de Natal ainda é a atuação dedicada de Kurt Russell, na sua versão Macho Man de Papai Noel, com charme de astro de rock e tiradas provocativas. Contudo, as longas duas horas de duração passam tanto tempo desenvolvendo o estapafúrdio enredo principal que até as aparições de Russell se esvaziam. Quando o clímax se aproxima, o filme oferece vislumbres do que havia funcionado no longa anterior, e toda a sequência de volta aos anos 1990, no aeroporto, bem ao estilo de infância nostálgica de Columbus, resulta divertida e espirituosa.

A adição de Goldie Hawn como Mamãe Noel funciona mais pelo que representa fora das telas do que dentro da trama. Casados na vida real há mais de 30 anos, Mamãe e Papai Noel trazem da família também Oliver Hudson - irmão de Kate Hudson e filho de Goldie Hawn no seu segundo casamento, com Bill Hudson -, que fez o pai dos Pearcy no longa (quem acompanhou Dawson's Creek também vai lembrar dele). A Mamãe Noel ensaia uma presença marcante quando decide contar a origem do Papai Noel, mas esse potencial é desperdiçado no texto burocrático: três linhas, duas cenas de flashback e pronto, a lenda do Bom Velhinho é contada da maneira mais superficial, e sem ritmo.

Uma série de escolhas datadas de Crônicas de Natal 2, que talvez funcionassem nos lançamentos de Natal nos anos 80 e 90, esvaziam o charme da franquia. Ao passo em que o personagem criado por Kurt Russell tem frescor e originalidade, os métodos de Columbus neste segundo filme pararam no tempo. 

Crônicas de Natal 2
The Christmas Chronicles 2
Crônicas de Natal 2
The Christmas Chronicles 2

Ano: 2020

País: EUA

Duração: 115 min. min

Direção: Chris Columbus

Roteiro: Matt Lieberman, Chris Columbus

Elenco: Darby Camp, Goldie Hawn, Kurt Russell, Julian Dennison

Nota do Crítico
Regular

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